Referendo sobre o Aborto - Saiu hoje a legislação

citação:Originalmente colocada por André

Porque, e só vou refutar algumas coisas do disseste, por exemplo:

1. Portugal aboliu a escravatura cá no "continente" mas nas suas colónias, apenas quando o séc. XX já ia na década de 20!

2. Falas de feudalismo, que aqui foi menor do que em qualquer país europeu? Bem, se te estás a referir à Rússia (considerando-a europeia), tens razão. De resto não sei onde vais buscar a ideia que aqui o feudalismo não existiu ou foi melhor. Para mais, quando na Madeira, por exemplo, até ao 25 de Abril, o regime era não muito diferente do feudalismo da Idade Média.

3. Queres dar lições de liberdade e de humanismo à França e Inglaterra?? Mas tens noção da parvoíce??

4. Campos de trabalho em França?? Alô...tarrafal. Achas mesmo que temos não telhado também de vidro???

5. Postura universalista, nós??? Nós que, ainda actualmente, não temos um negro em qualquer cargo importante no país?? (é só um exemplo) Mas queres comparar com Inglaterra?

6. etc etc

É preciso não ter noção do país em que estás e da sua história.

É que a treta do dar novos mundos ao mundo, não passa disso...treta.

Foi tudo uma questão de dinheiro. Eu sei que é muito giro pensar que não, como nos ensinam.

É muito giro acharmo-nos superiores aos inglesses, por exemplo, que o assumem a realidade.

É tudo muito giro, mas não passam de tretas para ingénuos acreditarem.

Mas isto já é muito Offtopic! ;)

Vamos por pontos:

1- O que tu dizes para Portugal podes bem aplicar a outros países europeus. A escravatura nas colónias europeias foi transformada em regime de contrato, sem dúvida injusto, mas legalmente não é escravatura.

2- Portugal nunca teve um regime feudal que se aproximasse do de outros países europeus e a servidão da gleba estava extinta na entrada do sécul XV!
O regimes feudais mais pesados - no Ocidente (a Rússia é outra história!) - foram os da França, Áustria e outros estados alemães, e nestes últimos casos só aboliram a servidão dos camponeses no século XIX!

3- Isto é um "argumento" muito pobre André:
- Criadores dos campos de concentração: Ingleses
- Enforcamento dos condenados no século XX: Ingleses
- Voltaram a legalizar a escravatura depois do período mais brilhante da Revolução (que a tinha abolido): Franceses
- Inventores da pilhagem bélica moderna em grande escala: Franceses
Só para referir algumas...

4- Eu nunca disse "em França" meu caro, estava a referir-me à colónia-prisão da Ilha do Diabo (nas Caraíbas...); mas em França e com o século XIX bem entrado ainda mantinham os condenados a fazer trabalho escravo nos portos de Toulon e Marselha.
Quanto ao Tarrafal: essa é uma das manchas - temporárias - que podemos "agradecer" ao "Estado Novo"..., comparavél com a política de colónias penais francesa, sendo esta, moralmente, mais grave pois provinha de uma república que queria (e quer...) dar lições de civilização ao resto do Mundo!
Só um aparte: lê "Papillon" é uma das grandes obras-primas literárias francesas do século XX!

5- Deixa estar que já temos pessoas de cor de pele diferente em cargos de grande responsabilidade e de alguma visibilidade que chegaram lá essencialmente graças ao seu esforço e capacidade e, não como na Inglaterra em que a legislação obrigou a uma abertura forçada dos cargos.
Fomos, ainda, os Europeus que tivemos líderes políticos e militares de "cor negra ou parda" espalhados pelo Império, desde generais a governadores-gerais...

6- Se não tinhas nada a dizer podias ter posto o "etc etc", no fim do ponto 5...

Meu caro eu tenho perfeita noção da História (com "H", o "h" é para histórias) do país em que estou, assim como da actualidade nacional.
Simplesmente, e ao contrário de muita boa gente, tenho orgulho de Portugal e sei que não temos nada a aprender, a nível civilizacional, de outros, que muitas pessoas mal-informadas idolatram como "faróis da modernidade"!

Nós realmente demos "novos mundos ao Mundo", fomos o iniciadores das relações mundiais inter-culturais, económico-comerciais e sexuais!

A generalidade dos Portugueses não se acham superiores aos estrangeiros, caem no erro de se considerarem inferiores; quando não existe nenhuma nacionalidade superior ou inferior em termos de categorização da dignidade humana!
O que se passa com a "auto-flagelação histórica" dos Ingleses é um óptimo exemplo do "politicamente correcto", que considera sempre mau qualquer experiência histórica colonial-imperialista, quando muitas vezes isso não é bem verdade...

Para finalizar... não vejas a História universal pelos olhos de ideólogos/politólogos da actualidade.
Cada época tem uma mentalidade muito própria e a postura portuguesa, tendo em conta a época em que se desenrola a História, foi sempre das mais humanas e civilizacionalmente avançadas.

Mas voltemos ao tópico sobre o aborto.
 
20.000 abortos clandestinos por ano em Portugal...

A clandestinidade só é admissível como opção. Sucede trágica quando resulta da imposição de uma sociedade autista.
 
citação:Originalmente colocada por Tuareg

Tu o dizes...

Deixo-vos o labirinto do nexo moral como espelho do tempo das vossas novas angústias...

Visivelmente falta-vos atravessar uns quantos desertos... ricos em quase tudo o que interessa para que possais suceder mais do que simplesmente paralelos à vossa própria vida...
O homem das certezas:D.

E como todos os que andaram pelo deserto perderam-se nos labirintos da mente e julgam que descobriram a verdade.
A ÚNICA. A deles próprios.
Convencidos que os atravessaram e chegaram à riqueza do conhecimento... total.

Sem se aperceberem que continuam no deserto da humanidade e na falta de tolerância. Autistas.
 
citação:Originalmente colocada por Tuareg

E para acabar completamente mal, Matilde Sousa Franco, após ler um apontamento subjectivo sobre um aspecto do ideal de civilização do seu falecido marido, remete-nos para uma peça de arqueologia jurídica mesoptâmica, a rondar os 4000 anos... (Código de Hamurabi?...)

E como se nota o peso desses 4000 anos na redacção e definição dos termos dessa lei, faltou-lhe concluir...

Talvez um texto resolutamente confessional não chegasse a ser tão «poético»...
Mais uma vez ao lado do essencial.
Como já naqueles tempos era condenado o HOMEM que obrigava a mulher a abortar.
Pouco mudou, de facto.

Mas há quem se esconda agora na "Liberdade da Mulher".
 
Penso que a essência do debate não passará por discussões desse tipo.

Mas pronto...

Agora só me resta apelar a que VOTEM!!

Sim ou não, expressem a vossa opinião!!
 
citação:Originalmente colocada por Tuareg

20.000 abortos clandestinos por ano em Portugal...

A clandestinidade só é admissível como opção. Sucede trágica quando resulta da imposição de uma sociedade autista.

Concordo em pleno contigo!!
 
Permanece um mistério sobre o porquê do NÃO e do NIM não tolerarem leis tolerantes sobre o aborto como a holandesa, a dinamarquesa, a sueca, a inglesa, etc, etc...

Talvez se sintam melhor, no seu plano de tolerância, com a lei irlandesa... ou com a indignidade vivida até ao presente em Portugal...
 
citação:Originalmente colocada por Tuareg

Permanece um mistério sobre o porquê do NÃO e do NIM não tolerarem leis tolerantes sobre o aborto como a holandesa, a dinamarquesa, a sueca, a inglesa, etc, etc...

Já explicado N vezes neste mesmo tópico;).
Mas para isso era necessário a discussão e não os monólogos, com algo superior, de quem gosta dos desertos.

Pq as Leis Tolerantes com as decisões de abortar são intolerantes para uma "COISA" que não vale ZERO.
 
«O que não vale zero» não vale (nem é comparável) à vontade íntima da pessoa definida na figura da mulher grávida.

Logo, no NÃO e no NIM aparece uma curiosa inversão da tolerância.
 
citação:Originalmente colocada por Tuareg

Permanece um mistério sobre o porquê do NÃO e do NIM não tolerarem leis tolerantes sobre o aborto como a holandesa, a dinamarquesa, a sueca, a inglesa, etc, etc...

Talvez se sintam melhor, no seu plano de tolerância, com a lei irlandesa... ou com a indignidade vivida até ao presente em Portugal...


errrr explica lá como se vota em nim


A pergunta é esta:

"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"

Ou votamos SIM se concordamos com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado...

Ou votamos Não se não concordamos com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado...

Não há Nins.... ou há??? [:0]
 
É pa... estamos a falar de Portugal! Não estamos aqui a falar de outros países que para muita gente são "role-models"... Estamos a fazer este referendo para saber a opinião dos portugueses. Dizer "Ah... vamos fazer isto porque ali o vizinho também faz e o vizinho é muito melhor que nós" é típico do português pobrezinho que acha que é um calhau. Ao menos que tenhamos opinião própria. Não se vota SIM ou NÃO porque já muitos países votaram. Vota-se de acordo com a opinião que se tem.

E penso que fanatismo é dizer SIM ou NÃO sem pestanejar... simplesmente porque isso é estar alheio aos problemas que cada opção acarreta. Portanto o NIM é completamente compreensivel... É preciso optar pela resposta que traz mais vantagens e menos problemas... e cabe a cada um pesquisar e obter informação sobre isso.
 
O nim é não ter a pureza intelectual e sagrada do tuareg. Senhor de toda a verdade absoluta e universal além de indiscutível.

É ser a favor da despenalização mas sem ser pelos seus dogmas dos escolhidos que já viram a verdade absoluta.

Enfim é o crime de pensar diferente.
 
Os nim são os do «vamos lá despachar isto para não ouvirmos mais falar disto» e também os que são capazes de ver o problema dos dois lados da questão, tentando perceber os problemas de cada resposta SIM e NÃO.

Dizer que é uma questão de liberdade é falso. Detesto ouvir falar o palhaço do Bloco de Esquerda que simplesmente procura ganhar uns quantos votos à custa desta questão fazendo disto uma discussão politica. E porquê? Porque afirma que é uma questão de liberdade e que confia na "escolha da mulher".

Ora... penso que qualquer médico já deve ter visto muita coisa, e é normal encontrarem-se muitos casos de irresponsabilidade e portanto é perfeitamente natural encontrar casos de mulheres que vão abortar por razões absurdas. A liberdade só vem com responsabilidade e portanto eu digo SIM mas reafirmo a necessidade de existir uma consulta médica ou psiquiátrica da mulher que va abortar para que se verifique as condições e as razões dessa escolha.
 
ziNde, como é que se pode defender a imposição de fazer suportar a violência de uma gravidez indesejada?, de um filho não desejado?

A justificação pela necessidade da manutenção do bem-estar mental da mãe deveria ser sempre condição suficiente para a interrupção da gravidez.

É também por isto que muitos SIM são NIM...
 
Não é uma questão de liberdade, mas é uma questão de poder escolher o que quer fazer da sua vida.

Claro que devem haver consultas de aconselhamento, acompanhamento nos dias anteriores ao aborto, etc.

Mas tem que se dar oportunidade de escolha, até porque é preferível - a meu ver - uma criança não nascer do que nascer e ser abandonada para instituições onde as freiras lhes dão porrada, ou serem espancadas pelos pais.
 
citação:Originalmente colocada por Tuareg

ziNde, como é que se pode defender a imposição de fazer suportar a violência de uma gravidez indesejada?, de um filho não desejado?

A justificação pela necessidade da manutenção do bem-estar mental da mãe deveria ser sempre condição suficiente para a interrupção da gravidez.

É também por isto que muitos SIM são NIM...
PARA ISSO A ACTUAL LEI BASTA.
Como estamos fartos de te dizer[:p].
É o que acontece em Espanha pois a LEI Portuguesa e Espanhola são IGUAIS.
 
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