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citação:Originalmente colocada por Tuareg
Os debates da actualidade sobre o referendo servem, pelo menos, para evidenciar o surpreendente nível de basicidade e abordagem tosca de conceitos relativos ao Homem que são discutidos e reflectidos desde a antiguidade grega.
Para a generalidade dos defensores do NÃO parece que nada aconteceu no campo das ideias nos últimos 2500 anos...
Fazem tábua rasa de conceitos qualitativamente diferenciadores. Para eles ideias-noção fulcrais como «pessoa», «ser humano», «vida humana» é tudo igual e justaposto com o termo de «pessoa». Só não conseguem é depois conferir uma ligação coerente entre esse «tudo ser pessoa» (trés tendence, trés new wave...) e as diferentes consequências observadas no tratamento pela lei e pela religião (!) aquando da morte desses diferentes estádios que eles teimam em simplicar em um só: o de «pessoa»... E Sabe-se onde entronca esta mal-formação cultural geral.
Num ponto concordo com Marcelo Rebelo de Sousa: enquanto os cidadãos não forem educados nos vastos horizontes da Filosofia, dificilmente se poderá esperar uma cidadania de qualidade. Ao menos poderiam atentar no exemplo de Anselmo Borges, homem da igreja e filósofo, que duvida e mesmo suspeita que um embrião com 10 semanas nem sequer é um «ser humano» quanto mais uma «pessoa»...
E não era por acaso que Condorcet avisava: «Povo que não seja esclarecido por filósofos estará à mercê de burlões.»
citação:Originalmente colocada por Tuareg
André, era o que faltava eu importar-me com o voto de outrem, e as suas indecisões!
Que votem no que quiserem, que sejam iguais a si próprios!
O calculismo da reserva mental, o cinzentismo posicional, a expressão camuflada, e toda a restante panóplia de recursos e artifícios de venda da banha da cobra, do gato por lebre e afins, deixo-a de bom grado para esses «voluntariosos missionários de sempre», essas «boas e pias almas convencedoras de terceiros»...
citação:Originalmente colocada por André
Vou votar Sim, mas juro que às vezes me envergonho de reórica do mesmo.
O que me irrita principalmente é a maioria do "sim" a sua propaganda de modernismo e a total e desvalorização das opiniões contrárias.
E passo a explicar.
Irrita-me PROFUNDAMENTE que quem vota "Sim" se ache superior ou com opinião mais digna do que o "Não", chamando-os de retrógrados, só para começar. Porque noto uma evolução no "Não" no debate face a 98, desculpem dizê-lo, enquanto que no "Sim" encontro uma série de radicalismos pseudo-modernos-socialistas dos anos...70.
E bastou ver ontem nos Prós e Contras para verificar o respeito que o "Sim" tem para com as opiniões contrárias. Riso e gozo.
Antigamente o "Não" é que se prestava a essas figuras da total inflexibilidade.
Parece que o argumento da superioridade moral passou, definitivamente, do "Não" para o "Sim".
E tenho pena que isso tenha acontecido.
Irrita-me PROFUNDISSIMAMENTE que os partidos se envolvam nisto e façam desta questão um arremeço entre si, toda a esquerda e o CDS. VERGONHA. Fazer da consciência uma bandeira, É UMA VERGONHA.
Discutir a vida ou não vida é PURA ESTUPIDEZ, porque vamos andar SEMPRE aos círculos.
A questão é muito mais complexa do que isto.
E NINGUÉM TEM MAIS RAZÃO QUE O OUTRO. A minha opinião não vale mais que a de qualquer "não" tal como qualquer "não" não vale mais que o meu "sim".
Depois, estar a afirmar que ali está uma coisa (ou coisa humana) é simplesmente bárbaro.
E estar a desvalorizar o que ali está, com argumentos como "não é autónomo" é simplesmente PARVO. Porque nem um bebé à nascença consegue fazer checkbox nisso.
Isto é uma questão de saúde pública: de pragmatismo ou não pragmatismo.
SOU TOTALMENTE CONTRA que o Estado vá pagar interrupções voluntárias da gravidez.
TOTALMENTE CONTRA.
Isto não é um direito que o Estado tem de fornecer.
É uma opção da mulher (e/ou do casal). Deve pagá-la.
Porque se o Estado financia isto, está a dizer que é mais um método de contracepção.
E se nos anos 70 (que foi a altura onde esta questão se discutiu na maioria dos países ocidentais) isso fazia algum sentido. HOJE NÃO FAZ.
E aqui temos um problema de chegarmos sempre atrasados às coisas.
E nesse aspecto o "Não" tem muita culpa, indiscutivelmente. Já há muito que devia se ter despenalizado. MAS SÓ ISSO.
Porque agora, indiscutivelmente, não vai haver só despenalização (como em Espanha) mas antes liberalização. E o "sim" negar isto é pura irresponsabilidade.
É tal como o "não" dizer que é favor da despenalização, apesar de nunca o ter proposto. Está ao mesmo nível de falsas verdades, meias-mentiras e pura...demagogia.
Sou a favor da despenalização, porque não tenho o direito de obrigar alguém a seguir as minhas convicções, porque mais vale um filho ser querido, do que não ser.
Por muito que me custe abdicar de algo que vai ser INDISCUTIVELMENTE VIDA E UM SER HUMANO, e ISSO CUSTA-ME, tenho que ser pragmático, e acima de tudo não tenho o direito, nem acho que o Estado tenha, de condenar alguém por isto.
E por isso vou votar "Sim", porque pragmaticamente sei, que é a "menos má" solução.
Como médico não o praticarei, MAS NÃO TENHO O DIREITO DE CRITICAR O MÉDICO E A MULHER QUE O FAÇAM.
Não tenho, nem nunca terei.
É pena que haja tão pouco respeito por quem pensa diferente de nós.
Este povo tem mesmo sérios problemas com a liberdade. Em nome de certos fins, cilindra-a, se precisar. E isso é triste.
Vende-se por muito pouco.