Sou contra o aborto e penso que a acção primordial deve ser a prevenção, logo evitar a todo o custo partir para o aborto. Seja ter sempre o máximo cuidado no uso de métodos contraceptivos e anticoncepcionais ou, caso haja mesmo um "azar" ter efectivamente a criança (e aqui a evolução deveria ser no sentido do estado dar o devido apoio, quer financeiro, quer social à mãe), ou em manifesta impossibilidade de ter o bebé, dá-lo para adopção (e também aqui o processo burocrático deveria ser optimizado para tornar esta opção mais apelativa). Portanto o aborto não deveria sequer ser equacionado em casos regulares (na minha opinião).
Por outro lado, e porque com ou sem a lei haverá sempre um certo número de mulheres a abortar, que lhes seja concedido direito a acompanhamento médico e lhes sejam dadas todas as condições necessárias a essa prática com a máxima segurança e condições de higiene. Muito menos acho que se deva criminalizar a mulher que teve de recorrer ao aborto.
Visto isto, podem dizer que eu deveria ter votado no SIM, já que sou efectivamente a favor da "despenalização" apesar de ser totalmente contra a prática.
No entanto, pela forma como foi levada a campanha pelo SIM, em muitos casos (nem todos) de forma que parecia enaltecer a possibilidade das mulheres começaram a abortar livremente, sem qualquer problema, como se de uma prática comum se tratasse, como que a publicitar o aborto e nem sequer tocando na questão essencial da despenalização e das melhores condições que seriam garantidas à mulher, afastou por completo a minha vontade de lhes dar o meu voto.
Resumindo.... aborto NÃO, se possível NUNCA. No entanto, como sabemos que este existirá sempre, haverá sempre quem o faça mesmo que uma pequena minoria, acho que deverá existir no nosso país todas as condições necessárias a tratar esses casos com a máxima higiene, segurança e dignidade e obviamente sem qualquer penalização.
Bom, é a minha opinião e a razão pela qual não fui votar. Não por uma razão de comodismo ou de desinteresse, mas por uma certa irritação e reprovação pelo modo como decorreu a campanha pelo SIM, que era efectivamente a quem eu ia dar o meu voto.
Com isto ganhou o SIM, e penso sinceramente que, caso as coisas sejam levadas seriamente e não se fomente políticas abortivas, foi a melhor opção.
Desculpem lá o testamento, mas depois de tanto ler, também me apetecia desabafar.[

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