Referendo sobre o Aborto - Saiu hoje a legislação

Portachaves, seria benigno que os SIM «envergonhados» votassem NÃO!

A claridade de posicionamentos em muito melhoraria se muitos dos SIM não fossem uma espécie de frete que objectiva simplesmente acabar com o mal-estar e má-consciência social que a questão do aborto recorrentemente suscita...

Eu sou pela LIBERALIZAÇÃO do aborto até às 10 semanas (sistema nervoso incipiente)! E a partir daí, o aborto por motivo justificado deve sempre permanecer uma prerrogativa da mãe. Como é que se pode defender a imposição de fazer suportar a violência de uma gravidez indesejada?, de um filho não desejado? A justificação pela necessidade da manutenção do bem-estar mental da mãe deveria ser sempre condição suficiente para a interrupção da gravidez.

Infelizmente muitos SIM são NIM...
 
Mas pq é q se há uma suspeita n se usa a pilula do dia seguinte? Qq centro de saúde, hospital, farmácia tem! Será que não é mais seguro e menos violento para a mulher que um aborto? Ou é preferivel dizer: "deixa ver o q isto dá... Se der mal ainda há a possibilidade do aborto..." Se uma mulher pensa conscientemente e toma uma decisão muito importante ao querer fazer um aborto, pq é q não toma essa decisão em tempo devido? Até é melhor para a sua saúde... Ou vão-me dizer que n há perigo de morte por fazer um aborto num hospital?
 
Num «mundo perfeito» poderia ser assim, Portachaves, era muito mais simples e indolor!

Mas a realidade não coincide com esse mundo.

Poderiam as forças conservadoras que durante as últimas 3 décadas (!!!) tudo fizeram para obstar à educação sexual escolar, pensar duas vezes nas consequências de tal posicionamento para a sexualidade do pais...

E agora, são muitos e variados os adeptos do NÃO que descobriram da noite para o dia a solução mágica da educação sexual, do acompanhamento, bláblábláblá...

Onde estiveram até hoje?!...

E dizem descaradamente que lei actual serve perfeitamente embora não seja aplicada... Onde estiveram até hoje para não se importar com a sua falta de aplicação?!...

E se não houvesse o referendo, e a perspectiva real de mudança deste cínico «status quo», teria o NÃO esse agitar de consciência que só agora descobriu sobre a não aplicação da lei?!...
 
Mas será que as pessoas do "não" são as mesmas que não queriam a educação sexual, etc.? Será que não há novas opiniões que não têm propiamente a ver com o passado? Será que todas as pessoas do "não" são essas pessoas de q falas? Se este não fosse um assunto delicado será que o governo não poderia simplesmente votar esta lei em AR? E será que o "agitar de consciência" não é necessário?
 
Naturalmente que não são todas, Portachaves!

Mas basta olhar para a maioria dos movimentos do NÃO, analisar as suas premissas ideológicas e religiosas que pretendem sustentar tal posicionamento, para se perceber de que troncos vieram e relacionar tais troncos (que não nasceram hoje como a maioria dos movimentos...) com a sua longa acção ponderosa e obstaculizante na matéria já antiga e estafada (mesmo antes de ser uma normalidade!) da educação sexual escolar.
 
citação:Originalmente colocada por André


Sou a favor da despenalização, porque não tenho o direito de obrigar alguém a seguir as minhas convicções, porque mais vale um filho ser querido, do que não ser.
Por muito que me custe abdicar de algo que vai ser INDISCUTIVELMENTE VIDA E UM SER HUMANO, e ISSO CUSTA-ME, tenho que ser pragmático, e acima de tudo não tenho o direito, nem acho que o Estado tenha, de condenar alguém por isto.

E por isso vou votar "Sim", porque pragmaticamente sei, que é a "menos má" solução.

Como médico não o praticarei, MAS NÃO TENHO O DIREITO DE CRITICAR O MÉDICO E A MULHER QUE O FAÇAM.

Não tenho, nem nunca terei.

É pena que haja tão pouco respeito por quem pensa diferente de nós.

Este povo tem mesmo sérios problemas com a liberdade. Em nome de certos fins, cilindra-a, se precisar. E isso é triste..


Vende-se por muito pouco.

André! [^]

Excelente post.

Tenho exactamente a mesma opinião já expressa anteriormente num outro tópico. :)

Como tu, não acho legítimo sujeitar as minhas convicções pessoais e intimas às convicções pessoais, íntimas e legítimas de todas as mulheres.

Apesar de ser contra o aborto vou votar sim
 
E para acabar completamente mal, Matilde Sousa Franco, após ler um apontamento subjectivo sobre um aspecto do ideal de civilização do seu falecido marido, remete-nos para uma peça de arqueologia jurídica mesoptâmica, a rondar os 4000 anos... (Código de Hamurabi?...)

E como se nota o peso desses 4000 anos na redacção e definição dos termos dessa lei, faltou-lhe concluir...

Talvez um texto resolutamente confessional não chegasse a ser tão «poético»...
 
Eu estava num forum e reparei no seguinte comentário:

"Na minha opinião, eu axo que devia ser legal o aborto.
Ou pesam k mesmo sendo ilegal nao ha mulheres abortar em clinicas clandestinas onde nao ha condições de hingiene e sem qualquer segurança??? Em que a maior parte das vezes morre a mae e a criança."


A minha resposta/pergunta:

"Então deixa ca ver, votas para que haja condiçoes de modo a que MORRA só a criança. E que seja uma morte legalizada. Entendi bem?"



Já percebi que é esta a mentalidade. Já percebi tb que a liberalização (parece que estamos a falar de preços de chamadas ou combustiveis) do aborto vai mesmo ganhar! Mas não será com a minha ajuda...
 
Gostei de ouvir a pergunta de Vital Moreira a Aguiar Branco, se ele, ou alguém adepto do não ali presentes na sala, se soubessem de alguém que cometesse o “crime” de abortar se denunciariam o caso. Fez-se silencio na sala... e rigorosamente ninguém adepto do não se pronunciou sobre esta questão. Conclusão... se o não passar, desde já ficamos a saber que continuará o aborto ilegal e as bocas do “não” ficarão caladas sobre tais acontecimentos. Porque? Porque muitos deles são cometidos por familiares e pelos próprios defensores e adeptos do não.
 
FGO, trata-se de uma atitude e sequela do bem conhecido síndroma da mentalidade portuguesa (a que muito se deve o atraso da nação):

«(...)Percebe-se, enfim, que numa sociedade como a nossa, tão vocacionada para a suavidade dos consensos e a brandura dos costumes, esta tentativa de conciliar o inconciliável acabe por conquistar muitos hesitantes para o "não" (...)» (DN, Vicente Jorge Silva)
 
citação:Originalmente colocada por Tuareg

FGO, trata-se de uma atitude e sequela do bem conhecido síndroma da mentalidade portuguesa português (a que muito se deve o atraso da nação):

«(...)Percebe-se, enfim, que numa sociedade como a nossa, tão vocacionada para a suavidade dos consensos e a brandura dos costumes, esta tentativa de conciliar o inconciliável acabe por conquistar muitos hesitantes para o "não" (...)»

Que está a querer dizer com a sua resposta?
Por acaso se algum familiar seu fizesse um aborto achava-se com coragem para fazer a denuncia? Claro que não! nem voce nem os adeptos e ferrenhos defensores do não!
 
O que está em causa é a mulher ser ou não ser condenada pelo acto de abortar.
Tenho vergonha de ver mulheres vexadas e humilhadas por tal acto.
Contra isto o “NÂO” simplesmente não tem resposta. Não é como disse por varias vezes Aguiar Branco: “Ahhh mas em Portugal não há uma única mulher presa por ter abortado". Eu respondo-lhe... simplesmente porque não calhou! A lei está lá! (falta de coragem do juiz ou simplesmente vergonha da lei existente?)
 
citação:Originalmente colocada por Portachaves
Outra coisa. Um amigo meu estava no grupo dos indecisos e hoje veio ter comigo e disse: Epá já sei o q vou votar. Depois do que vi ontem (prós e contras), decidi-me. Vou votar NÃO. Os argumentos que ouvi do SIM não fazem qq sentido e além disso achei uma falta de respeito as pessoas do sim a rirem e a fazerem barulho quando as pessoas do "não" argumentavam...

Como já foi dito, acho que os argumentos do "sim" estão a fazer com que os indecisos votem "não"...

[|)]
 
As mulheres não merecem a INDIGNIDADE actual, e só por elas me darei ao «incómodo cívico» de ir votar.

Mas Portugal merecia uma dura «lição de incivilização» com a vitória do NÃO... Não fosse a possibilidade de se manter a sombra da INIQUIDADE e MENORIDADE sobre as mulheres, e o que eu me divertiria a observar o «eterno retorno» da má-consciência nacional, que nos momentos de viragem olha para trás e tende a inclinar-se para o facilitismo da morna manutenção da moralidade do «status quo» vigente.

Brandos costumes, suavidades consensuais, pois...
 
Considero muito curioso os defensores da liberalização do aborto (podem inventar frases muito bonitas, mas é isto que vai a referendo!) utilizarem argumentos que eu classifico de puro provincianismo bacoco!

"Ah na França e no Reino Unido já é permitido a "interrupção(!) voluntária da gravidez", isso é que são países desenvolvidos! Não é como cá! Parecemos mesmo um país de terceiro mundo ou pé de países civilizados..."

Agora meu amigos, talvez alguns de vocês não saibam mas um país que esteve sempre na linha da frente do desenvolvimento civilizacional, e ainda se mantêm, é Portugal.

Portugal proibiu o tráfico negreiro e aboliu a escravatura no Reino muito antes da França e da Inglaterra.
Os camponeses portugueses nunca sofreram com um regime feudal como a França ou como os Alemães e Austríacos que foram servos da gleba até ao século XIX!

Foi o percursor da abolição da pena de morte e da pena de trabalhos forçados.
Enquanto na Inglaterra ainda se enforcavam pessoas no século XX e a França tinha uma famosa colónia de trabalhos forçados (já leram "Papillon"?).

Portanto querem colocar Portugal na "vanguarda europeia"?
Deviam é tentar que os pobres países em que o aborto está liberalizado acompanhassem um país que foi sempre um paladino da civilização (especialmente desde à três séculos) e limpassem essa vergonha da face da Europa!

Portugal nunca precisou de lições de moral de alguns países que só sabem olhar para o seu umbigo, ao contrário de nós que sempre tivemos a postura mais universalista entre todos os povos da Europa!

O aborto é, na melhor das situações, um crime por misericórdia - semelhante à eutanásia - quando estamos em presença de uma pessoa que, devido a graves deficiências, não terá uma vida minimamente digna fora do útero; em qualquer outra situação é um acto cobarde, bárbaro e indigno de um país que é realmente civilizado.

Posto tudo isto quando forem votar no referendo fiquem alheios a toda a propaganda e meditem nisto: "eu quero realmente juntar-me a um grupo que vê o que uma mulher leva no ventre como algo descartavél, que não tem mais importância que um quisto sebáceo ou como uma pessoa que mais tarde vai amar, brincar e aprender, como tantas que eu vejo todos os dias?
 
Porque, e só vou refutar algumas coisas do disseste, por exemplo:

1. Portugal aboliu a escravatura cá no "continente" mas nas suas colónias, apenas quando o séc. XX já ia na década de 20!

2. Falas de feudalismo, que aqui foi menor do que em qualquer país europeu? Bem, se te estás a referir à Rússia (considerando-a europeia), tens razão. De resto não sei onde vais buscar a ideia que aqui o feudalismo não existiu ou foi melhor. Para mais, quando na Madeira, por exemplo, até ao 25 de Abril, o regime era não muito diferente do feudalismo da Idade Média.

3. Queres dar lições de liberdade e de humanismo à França e Inglaterra?? Mas tens noção da parvoíce??

4. Campos de trabalho em França?? Alô...tarrafal. Achas mesmo que temos não telhado também de vidro???

5. Postura universalista, nós??? Nós que, ainda actualmente, não temos um negro em qualquer cargo importante no país?? (é só um exemplo) Mas queres comparar com Inglaterra?

6. etc etc

É preciso não ter noção do país em que estás e da sua história.

É que a treta do dar novos mundos ao mundo, não passa disso...treta.

Foi tudo uma questão de dinheiro. Eu sei que é muito giro pensar que não, como nos ensinam.

É muito giro acharmo-nos superiores aos inglesses, por exemplo, que o assumem a realidade.

É tudo muito giro, mas não passam de tretas para ingénuos acreditarem.

Mas isto já é muito Offtopic! ;)
 
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