é uma crença, não entender isto é simples falta de lucidez ou teimosia
e universos paralelos não é uma crença, é uma hipótese cientifica, que pode vir a ser comprovada ou não
e não são delírios, podem fazer-se cálculos sobre isso
aliás sem eles o ateísmo fica numa posição muito difícil de sustentar do ponto de vista cientifico/filosófico pois os últimos avanços da física indicam que o universo em que vivemos teve um big bang, mas não terá o big crunch, está em expansão acelerada e assim ficará
também arranja uma saída para o problema do principio antrópico, mas não para o da entropia finita
Eu entendo perfeitamente que seja uma crença. Admito perfeitamente que as pessoas necessitam de apoios espirituais nas suas vidas. A Espiritualidade é inerente ao Ser Humano, isso não o nego de forma nenhuma. Mas o que me custa aceitar é que a forma de abraçar a espiritualidade de cada um seja feita necessariamente através do misticismo religioso, seja ele feito de crenças simples, seja ele feito de fés religiosas organizadas. Eu defendo outro tipo de espiritualidade. Uma espiritualidade laica, digamos.
Dito de uma forma porventura simplista, a Espiritualidade Laica é a preocupação pelos valores e pelas ideias em oposição à preocupação pelas coisas. A Espiritualidade Laica pensa o Ser Humano no domínio do que escapa ao concreto, mas não necessita de utilizar uma moldura religiosa para o fazer. É uma visão do mundo que retira às religiões o monopólio do espírito, conferindo ao Homem a possibilidade de advogar valores e normas de conduta sem imposições divinas. Reconhece a existência de algo maior que o Homem, algo que dê sentido à sua vida e ao mundo que o rodeia, mas não lhe dá um nome e não o confunde com divindade nenhuma. É uma simples constatação da nossa pequenez. Para um crente a espiritualidade transforma-se em misticismo e tem um objecto e um fim conhecido, que será Deus. A espiritualidade nesse caso é portanto um diálogo onde o divino alimenta o crente e lhe transmite valores que supostamente existem por si próprios desgarrados da pessoa humana, sendo portanto infundidos através da sua fé. Já na Espiritualidade Laica a “verdade” não nos é revelada. Pelo contrário, a verdade não existe. É uma busca. Mas uma busca esclarecida.
E convém referir que a Espiritualidade laica não é propriamente uma moral, e não é com certeza moralista porque não impõe condutas de costumes, não julga a riqueza, não prega a virtude da pobreza, não se pronuncia sobre questões de identidade de género, etc, porque enfim, essas não são na verdade questões de índole espiritual. Ao contrário de muitas religiões! Em suma, a Espiritualidade Laica é a tradução não religiosa das grandes inquietações humanas, e parece-me ser uma resposta muito mais coerente com as celulazinhas cinzentas que Deus nos deu (brincadeirinha, eheh) do que o simples acreditar de fé.