Tu estás-me a dizer que eu não sei apreciar o cinema dele, mas a minha falta de gosto perante os filmes dele é que eu sei apreciar cinema, cinema no verdadeiro sentido da palavra. Deves estar a pensar que eu devo só gostar de filmes com explosão e carros a alta velocidade, mas eu adoro filmes "parados; seca"!! Já ouviste falar de Ingmar Bergman? Se calhar não mas é um realizador com um talento especial para captar sentimentos e transformar algo metafísico em momentos numa tela. O cinema dele explora a angústia, sofrimento e dor, algo muito difícil de filmar mas ele fá-lo. O último filme dele que comprei foi Sarabande de 2005 e isso sim é um filme que é preciso uma pessoa preparar-se para o ver antes. Se me quiser preparar para um filme de Shyamalan, não me posso esquecer de levar mais uns trocos para as pipocas para me ir entretendo.
Mas não posso dizer que não goste do estilo do indiano, o primeiro filme que vi dele foi o Sinais e sim, esteve muito bem! Esse filme simboliza em grande parte dele o seu estilo e ao mesmo tempo cria uma tensão interessante melhor que muitos filmes de terror de verão baratos que vão aparecendo, coisas más como Saw por exemplo. O filme é inteligente e recompensa a tua própria inteligência com algo bem escrito, com bom ritmo, no fundo muito bom. Depois desse saltei o Unbreakable e fui logo para o Sinais quando saiu no cinema. De novo, gostei bastante! Manteve o seu estilo, um filme com o ritmo certo e com muito cuidado a criar suspense e alguns sustos. A parte na cave em que está lá um alien preso é de génio!
Depois veio A Vila. Gostei da premissa e conceito da história, portanto, lá fui ao cinema. O estilo está lá, o suspense também mas o final que ele tanto gosta de fazer desta vez falhou por completo! Há uma reviravolta mas é uma desilusão e senti-me traído: todo o inicio do filme e as situaçãos lá passadas são apenas uma desculpa para o final nos ser apresentado e isso seria giro e o final fosse algo bombástico, mas... não foi. Ainda tentei gostar do Lady in The Water mas neste ele perde-se e enleia-se por completo. A história é demasiado rebuscada e a forma como é contada não convence. Eu sei que é uma fábula, mas o Senhor dos Anéis também o é e apesar de nunca ter pegado num livro e nem gostar do género, fiquei apaixonado pelo cinema do Peter Jackson.
Portanto quando apareceu o The Happening nem fui ver com grande expectativa e ainda bem, porque ía sair de lá zangado. O shyamalan devia ter fumado algo muito pesado quando escreveu o filme pois o argumento é série-B e devia ter consumido o mesmo com alcool quando o realizou. O principio está bom, mas depois quando a cena começou a bater forte e feio, só veio cocó. E digo cocó mas é daquele mesmo que cheira tão mal que esvazias o estômago de imediato mesmo dias depois só de pensar quão horrível foi quando cheiraste pela primeira vez. Portanto, cocó mas daquele mesmo podre. O Mark Wahlberg tinha visto pela ultima vez no remake The Departed e esteve muito bem, mas aqui paracia para o final do filme que se sentia mal disposto ou que estava com muitos gases e se estava a segurar para não soltar uns flatos a meio das filmagens. Portanto, fraquinho, o pior filme de Shyamalan!
Não te disse que não sabes apreciar cinema, nem te disse que só gostas de filme de acção, senão certamente não irias gostar do cinema de autor. Tens o exemplo desse filme experimental "DogVille" que gostaste.
Porém, repara que os argumentos que apresentas na tua critica (construtiva, ou não, não passa de uma critica), são defendidos por outros milhares de criticas que consideram esses filmes que mencionaste como uma obra prima. Não estamos a falar propriamente das pessoas que acham uma obra prima o Jurassic Park.
Afirmo e reafirmo que The Village é uma obra prima da 7º arte, e um daqueles casos, em que pouca....muito pouca coisa deveria ser mudada. Está perfeito como está. Se a perfeição existe (e eu não acredito nisso), está em The Village. E eu enquanto realizador, já fui obrigado a ver muita material de qualidade. Não só de agora, como filmes antigos que a maioria das pessoas se calhar nunca se interessará por ver.
Está lá tudo. Actores, banda sonora, som, qualidade a nível de planos, uma direcção de fotografia arrebatadora, argumento, guião estudado ao milímetro, o tal ambiente que o Shyamalan faz como ningém e sobretudo uma nova visão de como o cinema deveria ser feito.
Eu sou fan de Scorcese, assim como de Spielberg, mas sei reconhecer que os filmes que Shyamalan faz, são mais aquilo que se pode chamar de cinema.
http://www.youtube.com/watch?v=V71d8gg8MbM&feature=related
Meto a mesma cena para não encher este tópico de spoilers com cenas do filme.
Para mim, diálogos com a qualidade deste, contam-se pelos dedos de uma mão. Shyamalan, transformou o que poderia ser uma declaração de amor normalissima ou até embaraçosa, numa perfeita sinfonia para os nossos sentidos. Uma lição de cinema.
Relativamente ao Senhor dos Anéis, discordo contigo e com a maior parte das pessoas. Penso que o Senhor dos Anéis entretém bastante e tem uma excelente banda sonora mas fica por ai. Não o considero nenhuma obra prima.
O Peter Jackson tem uma enorme falta de noção de temp

s seus filmes arrastam-se até à exaustão do telespectador. A maioria das pessoas deve ter notado isso no King Kong. É daqueles realizadores que se tirasse 40 minutos de cada filme que faz, não perdia nada. Há que ter noção do tempo, e saber sobretudo que deixar o máximo numero de cenas gravadas na versão final do filme, nem sempre é sinónimo de melhor qualidade.
Para mim, O Senhor dos Anéis é como um jogo de vídeo. Os indivíduos vão a um sitio com neve fazer qualquer coisa, depois vão para as montanhas fazer outra, depois têem que ir para o meio da floresta fazer outra...depois é a vez de ir para as planícies. Os filmes entretém e as cenas de acção enchem o olho, mas resultam muito melhor em livro do que em filme.
O Senhor dos Anéis é até bastante arcaico como a formula em que foi estruturado e isso advem da experiencia de Peter Jakson ser nula até então (apesar de ter feito filmes como Bad Taste
Basicamente passou de filmes de orçamentos quase nulos ou trash movies, para filmes com orçamentos de milhões de um momento para o outro.