Esta conversa vai e volta ciclicamente.
Não uso Android desde 2016 se não estou em erro, e à minha volta fiz questão de "converter" tudo quanto era dispositivo móvel para Apple passado pouco tempo.
Acho que os meus pais ainda têm um tablet Samsung, que foi oferecido numa campanha qualquer de um banco, mas nem sei se está realmente operacional.
Em termos de computadores, tudo o que é pessoal é Mac, desde um antigo Macbook de 2009 (que ainda desenrasca bem) até a um acabado de comprar Air M1 (por se ter apanhado em campanha bem mais barato que o M2, claro). Não são todos usados por mim, naturalmente, mas tenho sido sempre eu a gerir as aquisições e as ocasionais manutenções/configurações.
Uso Windows profissionalmente, porque reconheço que não tenho alternativa/compatibilidade no ecossistema Apple para aquilo de que necessito. Segundo me tem constado, mas que não posso confirmar na 1ª pessoa, há malta que está com problemas nas máquinas virtuais e afins nos mais recentes M2; eu nunca usei máquina virtual precisamente por ter sempre um PC Windows do trabalho, e o que faço é ligar-me remotamente a esse PC.
No meu Mac uso ferramentas da Microsoft (as básicas, Word, Powerpoint e Excel) por questões de transferibilidade e de hábito; quando são documentos só para mim, até vou usando p.e. o Pages, mas confesso que estou tão habituado ao equivalente Word que por vezes até me demora um pouco mais.
Aquilo em que noto mais dificuldade é em ferramentas tipo o Teams, que me causa lag por todo o lado; o Zoom tem um efeito parecido, mas só no curso de reuniões mais prolongadas, algo que atribuo ao sobreaquecimento da gráfica (e o Air nunca foi grande espingarda em termos de dissipação de calor).
E com isto volto ao ponto:
Como escrevi aqui há semanas, estou comprador de iPhone, que ainda não sei se vai ser para a minha esposa ou para mim, sendo que o aparelho a substituir é o iPhone 7 dela, e ela sempre disse que não quer nada maior do que isto. Custa-me pensar no investimento de um iPhone novo, mesmo conseguindo ir buscar um 13 por pouco mais de 600€ nos pontos da MEO (embora de momento até esteja esgotado nesta modalidade, entenda-se lá porquê).
Mais do que isto, digamos mais do que 700€, é completamente impensável para mim. Para um computador ou um tablet de uso profissional (com teclado e afins), até me pode parecer razoável, mas para um smartphone não é.
Contudo, não pondero Android. Simplesmente não pondero.
Já quando comprei o iPad recondicionado, no início deste ano, pensei em vacilar num qualquer modelo a correr Android que não me custasse os olhos da cara, mas acabei a virar-me para este iPad (por 200€).
Estou demasiado habituado (e bem) ao ecossistema Apple e não me vejo a ter as mesmas chatices que tinha (formatações e afins) quando usava Android. Prefiro investir num iPhone recondicionado (de fontes minimamente confiáveis) se considerar que não consigo chegar ao valor de um novo.
As razões são exactamente as mesmas que são aqui referidas:
- Um Android de gama alta, com rendimento equivalente, vai custar o mesmo que um iPhone
- Continua a ver-se muito maior durabilidade nos aparelhos Apple do que nos concorrentes, ainda que essa concorrência tenha vindo a melhorar significativamente
Ou seja, eu até acredito que as chatices na utilização já não sejam as mesmas, e não deixo de ter chatices ocasionais com iPhone/iPad/Mac (como relato aqui neste tópico), mas a experiência que tenho (pessoal e familiar), em termos de durabilidade, continua a levar-me no caminho da continuidade.
Aproveitando este post, o do JGTB e do JCF: este assunto realmente é cíclico e (felizmente) deve ainda durar uns anos. Enquanto existir esta rivalidade saudável de SO, quem tem a ganhar são os consumidores, porque as marcas têm de se reinventar para continuarem na corrida...
Adiante, a minha opinião é muito parecida com a do JGTB. Eu mudei para Android e não sinto nenhumas saudades do iOS. Mas se mudar novamente para iOS as saudades do Android serão... zero, já que qualquer pessoa se habitua facilmente a estes SO em 2 ou 3 dias.
Claro que existem características muito próprias de um e outro SO (por exemplo o iOS sempre foi considerado mais estável e o Android mais personalizável), mas para mim nenhum deles se destaca assim tanto, principalmente nos últimos anos.
Também concordo que os aparelhos Apple serão mais future proof e o ecossistema é melhor, mas à custa de um preço elevado. E o ecossistema... tem muito que se lhe diga. E eu, durante muitos anos, até defendi aqui o ecossistema da Apple, por isso estou à vontade.
Mas comecemos pelo preço. Os topos de gama Android continuam a ser muito mais baratos do que os topos de gama Apple (normalmente uns 350/400€), e o JGTB até deu exemplos práticos.
"Ninguém" paga o preço de lançamento de um Android topo de gama. Porque a realidade é esta: os preços de retoma são geralmente bastante altos, porque oferecem hardware na compra que pode ser vendido ainda embalado (ver o caso do Pixel 7 Pro que na compra recebia-se um Pixel Watch que facilmente se conseguia vender por 200€), e porque existem sempre descontos generosos para quem faz logo pré-reserva. Mais uma vez, e como exemplo, para quem encomendasse qualquer modelo do S23, pelo mesmo preço levava-se o dobro da capacidade. Ou seja, por 1450€ comprava-se o S23 Ultra 512GB. E o 14 Pro Max? Andava na casa dos 1900€. Pois...
Depois, findas as pré-reservas, e passado cerca de um mês, os Android topo de gama começam automaticamente a baixar os preços. Novamente como exemplo, ao dia de hoje, já se encontram S23 Ultra 512GB em lojas nacionais a cerca de 1170€. Já iPhones 14 Pro Max 512GB, tudo de 1500€ para cima...
Por isso, e em termos práticos, os iPhones ainda são muito mais caros do que os topos de gama Android. Ou seja, podemos pensar de duas maneiras: os iPhones são mais future proof e gasto 1500€ de 5 em 5 anos ou espero uns meses depois do lançamento e compro um Android por 1000€ de 3 em 3 anos. A juntar a isso há que pensar que em 5 anos ainda vou ter de gastar como mínimo 120€ numa bateria nova, coisa que muito provavelmente não terei de fazer se comprar um telemóvel de 3 em 3 anos.
Depois a questão do ecossistema: como eu disse anteriormente, sempre fui grande fã e defendi aqui o ecossistema da Apple. Para quem pretende um ecossistema, é de longe a melhor solução que existe no mercado. Mas será assim tão necessário?
Quando desfiz o ecossistema Apple, pensei que era algo que iria sentir falta, daquelas pequenas "mordomias". As mensagens no computador, as chamadas, o Airdrop, etc. Nada de mais errado. Na realidade tenho no PC algo chamado Vínculo ao Telemóvel, que com o passar dos anos se foi aprimorando, sendo hoje em dia bastante estável. Permite atender chamadas no PC, responder a SMS, Whatsapps, Telegram, etc, ver qualquer notificação que receba no telemóvel, controlar a música, etc. Sabes o que é que eu fiz? Desliguei a funcionalidade. Porque cansei-me de estar sempre contactável, de estar sempre a receber notificações. Se quiser responder SMS sem pegar no telemóvel e sem estar a ser bombardeado por notificações, faço-o através do Chrome, que me permite ter o chat das mensagens Google.
Tenho também há meses o Partilhar na Proximidade instalado no PC, que é na prática o Airdrop da Google. Aproximo o telemóvel ao PC e partilho ficheiros, fotografias, etc entre os aparelhos. Queres que te seja sincero? Experimentei na altura para ver como funcionava e não utilizei desde então uma única vez...
De resto, tenho todos os documentos e fotografias na hora com o One Drive e Google Drive. Basta tirar uma fotografia com o telemóvel e passados 30 segundos está na App Fotografias do PC, tal como no Mac/iPhone. Sem chatices nem preocupações, é tudo através automático através do One Drive. E tal como no Mac, o One Drive também faz cópia do ambiente de trabalho, por isso tenho tudo à mão no telemóvel.
Já com o meu smartwatch é a mesma coisa, tirando 3 ou 4 notificações a nível lembretes, bancos e chamadas, desliguei todas as notificações de mensagens, whatsapps e grupos e apps não essenciais. Não quero passar o dia a levantar o pulso a ver emojis nem a ler mails ou mensagens da treta. Utilizo o smartwatch para controlar a minha saúde e assim vai continuar.
Por isso, e no meu caso, ter abandonado o ecossistema da Apple foi a melhor decisão que tomei. É verdade que uma pessoa pode sempre desligar as notificações, mas já se sabe, as coisas funcionam bem e a pessoa vê isso como uma mais valia, não como algo potencialmente nefasto. Hoje em dia, vejo ao contrário, não quero fazer parte de nenhum ecossistema, quero as coisas separadas. Não quero estar no PC e a ser bombardeado com chamadas, mensagens, notificações, whatsapps, etc. Nem estar a olhar para o pulso o dia todo para ver notificações.
Em relação a "formatações e experiências afins" isso acaba por ser um mito que vai caindo por terra. Claro que se comprares um Android de 200€ não podes esperar milagres, vais ter problemas, mas quando tens topos de gama há uma atenção redobrada a nível tanto de hardware como de software. Claro que não estarão imunes a eventuais problemas, mas isso nem os iPhones estão. Basta ver que neste momento anda malta a queixar-se da rápida degradação da bateria dos iPhones 14 Pro (com menos de 1 ano) e de burn in do ecrã OLED em situações de uso do AOD. Isto num telemóvel que pode ultrapassar os 2000€...
Posto tudo isto, não descarto o regresso aos iPhones.
Não por nenhum razão em específico, mas apenas ou porque sim, ou por algum bom negócio que me possa aparecer. Mas sempre com a consciência que do outro lado, e para a esmagadora maioria das pessoas, a experiência será quase idêntica.
