A questão da espessura tem muito marketing à mistura mas não é só isso. Cala mais fundo na filosofia de design da Apple e do Johnny Ive, que vai beber muito ao movimento Bauhaus do início do Séc. XX, mais tarde estupendamente aplicado ao design industrial de uma forma modernizada por Dieter Rams e seus seguidores (ver design da Braun da década de 60 e 70). Esta filosofia tem uma máxima que é algo do género: O melhor design é a ausência de design. Ou seja, a relação entre a pessoa e a função do objecto deve ser o mais directa possível, sem artifícios estéticos desnecessários, sem lixo visual. O objecto deve ser praticamente invisível ao utilizador. Isto aplicado aos iphones, ipads, etc, significa que a atenção do utilizador deve estar focalizada naquilo que o utilizador está a fazer e não no objecto em si mesmo. Ora esta filosofia só se esgota quando o utilizador puder inter-agir com… o ar! Há portanto uma obsessão quase doentia pela re-análise constante do objecto com uma pergunta em mente: o que posso fazer para melhorar e ganhar eficiência de forma a tornar ainda mais limpa a relação da pessoa com o objecto. A pergunta nunca é “o que posso acrescentar mais ao objecto”, mas sim “o que posso retirar mais ao objecto” de forma a que ele fique mais invisível ao utilizador. Isto porque há uma consciência clara de que o objecto não é um fim em si, mas um meio. Portanto tornar o objecto cada vez mais fino é uma das formas de fazer este caminho.