Como disse, não há uma resposta única. E ainda bem!
Agora mentalizem-se se é mais caro num determinado sítio, é porque há mais gente a querer comprar lá...
Os exercícios que se estão a fazer aqui não têm realidade.
Quem tem 600k parados no banco? Uma minoria.
Quem tem 600k parados no banco e compra uma casa (Hab. Princ) de 150k? Uma ainda maior minoria.
Quem tem 600k parados no banco, compra uma casa de 150 e fica com 450k para "viver a vida"? Ainda menos.
Isso parecem exercícios de euromilhões/"saiu a lotaria", isto é, de ter, de repente, uma soma avultada e não ter rendimentos regulares proporcionais a essa "poupança".
A esmagadora maioria das pessoas (friso a parte da maioria) abandona os centros das cidades porque a pressão imobiliária é tal que não conseguem acompanhar os preços com o crescimento da família. Não é porque gostam de ir viver para fora de Lisboa.
Se hoje numa localização central (não estou a falar de periferias dentro da própria cidade como a Alta de Lisboa) é difícil comprar um T1 por menos de 350k, um T2 pequeno por meio milhão de euros, um T3 também muito pouco espaçoso por menos de 750k e um T4 por menos de 1M...
...obviamente que é difícil/impossivel à classe média -e mesmo média-alta- comprar em Lisboa.
Ficam os que herderam.
Ou os que fazem enormes compromissos com o espaço e vão aguentando (ausência de garagem, rapaz/rapariga a partilharem o mesmo quarto, 3 miúdos enfiados no mesmo quarto, quartos "+1" sem janela, etc.).
Por último, o grande benefício de uma localização central para uma vida social com mais saídas e cultura/espetáculos tem uma fase da vida de maior interesse (geralmente quando não temos a família constituída) e não se mantem necessariamente, no mesmo formato ou intensidade, ao longo da vida.
Chega a uma altura que é, muitas vezes, mais importante estar ao pé de espaços verdes, ou do rio/mar ou até de um centro comercial com um simples cinema, ou conseguir viver numa zona mais calma sem o caos sonoro, de trânsito ou de comércio inerente a viver nas zonas mais centrais de Lisboa.
Que em Lisboa pode ser viver ao lado do entra e sai de um hotel/hostel, café/restaurante, ouvir todo o barulho da rua ao sábado de manhã ou o trânsito do final de tarde, os bêbados da noite, etc, etc. etc. Isso é qualidade de vida? Não é.
E escapar a isso em Lisboa numa localização central exige MUITO dinheiro.
Nomeadamente o conforto sonoro é muito difícil de conseguir se não se habitar em construção nova e/ou em andares mais elevados. E o conforto sonoro, dentro de casa, é o mais difícil de obter numa localização central.
E, por isso, é que temos zonas "suburbanas" com um preço de m2 que supera até zonas centrais de Lisboa: oferecem outras características de maior qualidade de vida sem, preferencialmente, um grande tempo de deslocação no pára-arranca.
Dito isto, viver fora da cidade numa zona suburbana com comércio e serviços é uma coisa. Mesmo aí conseguir "chegar" a uma moradia é muito difícil.
Outra é ir viver para "o campo", afastado de tudo e incluindo a capacidade de estar próximo de família e/ou amigos.
Conheço várias pessoas que ao fim de uns tempos dessa decisão de irem para o campo, e para muito boas casas, que se arrependeram por estarem longe de tudo, sobretudo das suas relações sociais.
É preciso muito cuidado para tomar essas opções de vida e pesar muito bem os benefícios vs desvantagens.
Sobretudo pelo simplismo de comparar T2 apertado em Lisboa vs moradia "espetacular" na murrunhanha de cima e não perceber como há loucos que preferem viver em Lisboa. E, não, não é para se dizer que se vive em Lisboa ou porque snobismo.