Sobre o que está a negrito:
Partes de um pressuposto errado para fundamentar os teus argumentos antes e depois desse parágrafo.
Na realidade a falta de habitação a valores que a classe média possa pagar sem recorrer a empréstimos, já não existe na maioria dos países do mundo, este é um problema global.
As diferenças não são de há 40 anos, são anteriores em mais uma década, numa altura em que 3 meses de ordenado da classe média, dava para comprar uma casa, carro, educação superior e férias anuais, em países desenvolvidos e agora um ordenado mal chega para pagar uma renda.
Se falarmos apenas do caso português, em 50 anos, passámos de uma realidade em que a classe média gastava menos de 1/3 de um ordenado para pagar uma renda, para uma situação em que só um ordenado da classe média, mal chega para pagar uma prestação mensal do empréstimo ao banco.
A maioria das pessoas vivem de créditos para tudo e até ja se fazem créditos para as despesas do dia-a-dia, como foi notícia há poucos dias.
Essa lógica de que o problema se resolve com mais habitação esbarra na realidade actual, se as pessoas não conseguem comprar casa e os vencimentos mal chegam para as rendas actuais e tudo o resto, achas que as empresas de construção vão construir casas para quem não tem dinheiro? Isso nem sequer faz qualquer sentido.
Na realidade o que se vê é empresas a construir casas para quem as pode pagar, para os muito ricos, casas de luxo, aqueles que podem ter várias e pagar imi como o Montenegro e o Cavaco ou empresas de construção encostadas aos contratos com o Estado.
Sendo este um tópico sobre casas e nem que fosse de carros ou terrenos, tudo é economia, neste caso, é relevante falar de como a desigualdade na distribuição da riqueza produzida, cria também uma crise da habitação.
Neste momento não existe um problema de oferta de casas, existe um problema de baixos salários.
Não advogo que o problema da habitação são os fundos imobiliários como certas esquerdas defendem, porque há lugar para isso também, mas há certamente um problema de distribuição da riqueza que impede os cidadãos de terem a possibilidade de escolher, se querem comprar, alugar ou investir.