1 de Maio de 1994, 3ª corrida da temporada, tinha 16 anos e estava na casa da minha avó materna (que fica a cerca de 1h e meia da casa dos meus pais) para mais uma corrida de F1, esta tinha uma importância maior, pois o Senna ainda não tinha pontuado com o supostamente melhor monolugar e com vários azares à mistura, estava na altura das coisas correrem bem e vencer categoricamente nesse dia.
Contudo o fim‑de‑semana estava sombrio, com o acidente grave do Barrichelo na sexta e a morte do Ratzenberger no sábado, quando já ninguém acreditava que alguém podia morrer ao volante de um F1, foi um choque aquela morte no sábado.
Os semáforos apagam-se e novamente um acidente bastante atribulado, dentro do azar o Lamy teve muita sorte em não bater em cheio na traseira do JJ Letho.
Entra o SC em pista para algumas voltas muito lentas, enquanto os comissários limpam a pista, que estava cheia de detritos.
Finalmente vai recomeçar a corrida na volta 6, Senna e Shumacher destacam-se logo dos restantes pilotos mal recomeça a corrida.
Volta 7, era só mais uma volta das muitas que ainda faltavam, um Williams sai de pista e bate violentamente no muro de cimento da curva Tamburello, no início recuso-me a aceitar que era o Senna novamente que se tinha despistado (pensei, deve ser o Hill), quando logo constato que foi realmente o Senna pensei "mas ele está louco?", neste turbilhão de pensamentos numa questão de poucos segundos, o Williams pára na pista e o Senna não sai do monolugar como qualquer piloto faz quando tem um acidente.
Em seguida a câmara do helicóptero faz zoom sobre o cockpit do Senna, onde o seu corpo está inerte, e em seguida faz um movimento de cabeça, voltando novamente a ficar inerte, enquanto o comentador se focava no positivismo daquele movimento, foi aí que eu percebi que aquilo tinha sido grave ao ponto de ser fatal, ou na melhor das hipóteses, o Senna nunca mais seria o mesmo se sobrevivesse.
A grande maioria dos seres vivos quando estão a agonizar têm aqueles espasmos/contrações, é a última acção do corpo para evitar morrer.
Como naquela altura não havia internet nem redes sociais nem nada que se pareça com a actualidade, não dava para saber mais desenvolvimentos, só quando o hospital emitia um comunicado para os jornalistas e estes entravam em directo.
Lembro-me que depois regressei com a minha mãe da casa da minha avó ainda sem saber de nada, mas quando cheguei a casa, a primeira coisa que perguntei ao meu pai, foi se o Senna já tinha morrido, e a resposta foi afirmativa...
O impensável tinha acontecido, o "imortal" Ayrton tinha morrido, estaria eu ainda a sonhar e aquilo não passaria de um pesadelo? Não se podia recuar no tempo e corrigir a fatalidade que tinha acontecido?
Para mim o Senna era um super-herói e os super-heróis nas histórias não morrem... há sempre um final feliz...