Este tema das limitações é interessante, na minha opinião. Acho que se sobrevaloriza um pouco essa questão, fazendo passar a ideia de que toda a gente precisa de uma bike xpto.
A minha bicicleta é uma Mondraker de 2009, com um equipamento normalissímo, tipo um amortecedor Rock Shox Tora SL e travões hidráulicos de gama média. Há pouco tempo, tive oportunidade de andar uns 10 km em Monsanto com uma Scott Spark FS, totalmente em carbono, com um custo superior a 3500 euros. Ou seja, uma bike que vale 10 vezes mais do que a minha. No entanto, ao andar com a bicicleta, fiquei sem perceber para onde foi esse dinheiro. É melhor que a minha, indiscutivelmente, mas não faz nada que a minha não faça. Não é 3000 euros melhor do que a minha, por isso nunca seria uma compra justificável.
É verdade que não sou um especialista, nem um biker intensivo, por isso poderá faltar-me sensibilidade, mas continuo a achar que se exagera quando se diz que uma bicicleta de 500 euros é limitada. Parece que é tudo riders de topo.
Uma das pessoas que anda comigo regularmente fez Lisboa-China, que são cerca de 13000 km, sempre com uma bicicleta da Decathlon, que, nova, lhe custou 200 e tal euros. Trouxe a bicicleta no avião e continua a andar com ela, sendo que ainda há pouco tempo fez Lisboa-Algarve-Lisboa.
A bicicleta continua quase original, só vai mudando correntes e pneus e levou agora uma Suntour usada, mas fraquinha. Este gajo anda em qualquer lado com a bicicleta e nunca o vi queixar-se ou dizer que não faz aquele trilho porque a bicicleta é fraca. O que vejo é gajos com bicicletas caras a desviarem-se das descidas, enquanto ele enfrenta os calhaus sem queixumes.
Conhecem a maratona de Portalegre, umas das mais duras do país? No ano passado, um amigo meu completou-a com uma Scott dos anos 90, sem travões de disco e mariquices do género.
Resumindo, o que conta mesmo é o motor que vai em cima do selim.