RASI e criminalidade violenta? “Já tinha avisado antes”
André Inácio, diretor da pós-graduação em Criminologia e Investigação Criminal da Universidade Lusófona completa esta ideia e considera que Portugal tem uma lei das armas "extremamente completa, só que acaba por ser inexequível pela incapacidade de fiscalizar de forma eficaz”.
“Não é só apanhar as armas, é preciso seguir-lhes o rasto”, algo que se tornou ainda mais necessário e urgente desde o início da guerra na Ucrânia que “veio criar um novo mercado para as armas” que, em muitos casos, “estão a ser desviadas da Ucrânia através da fronteira da Polónia e estão a entrar na Europa”.
Para este especialista, Portugal está "na ponta da Europa, mas estamos no centro de tudo o que se passa em termos de atividades ilegais: desde a elevada quantidade de drogas duras que são apreendidas até todo o tipo de outras atividades de criminalidade, mais ou menos complexa”.
De acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), 2023 foi um ano marcado pelo aumento do número de participações de criminalidade violenta e grave.
Mas, nestas declarações à Renascença, André Inácio lembra que “já tinha avisado para o agravamento da situação, ainda antes do relatório ser conhecido: “inicialmente, o meu comentário foi contestado”, mas o tempo acabou por provar que “tínhamos cada vez mais criminalidade na sua forma de expressão e pelos motivos mais fúteis. E temos aqui, mais uma vez, essa situação”.