Sim é verdade.
No entanto, o Aeroporto do Porto é um dos aeroportos Europeus que servem um maior número de pessoas são cerca de 5 milhões já a contar com Espanha, numa área de influência que vai desde Coimbra até Pontevedra, passando pelo interior Centro e Norte. É uma área gigantesca.
Imagina voos diários a partir do Porto em A321 com elevada densidade (preços a partir dos 20€) para as principais cidades e capitais Europeias, acho que teria potencial.
Digamos que não seria muito difícil ser melhor do que a Ryanair.
Há imensos aeroportos na Europa a servirem população dessa ou maior dimensão.
O modelo point-to-point que é utilizado pelas lowcost tem uma grande vantagem para os aeroportos de média dimensão/regionais: é relativamente fácil fazer uma base porque, na prática, só 2 voos por dia exigem tráfego alimentado por esse aeroporto.
Exemplo: um avião da Ryanair baseado no Porto pode fazer 4 voos num dia e, nesse percurso, só o primeiro e o último voo do dia sai/regressa ao Porto.
Num modelo hub como a TAP tem, o avião regressa sempre ao hub para voltar a ir para outro destino, daí que aeronaves alocadas a outros aeroportos dependem quase exclusivamente do tráfego desses aeroportos.
Isso dificulta uma boa utilização das aeronaves nesses aeroportos "secundários" ao hub. Um A320 (médio curso) que regresse a Lisboa tem uma multitude de destinos para voltar a voar (inclusive durante o período nocturno dadas as rotas noturnas para o norte de África que virtualmente potência a utilização num período onde a Ryanair, easyJet e mesmo as companhias tradicionais têm as frotas de médio curso paradas). Um A320 que regresse ao Porto tem muito menos. Ainda pior para um A330 (longo curso).
Isto traduz-se numa subtilizado dos aparelhos e tripulações, mais tempo em terra (mais taxas), menor flexibilidade na manutenção programada e extraordinária, mais custos no geral.
Portanto que a TAP tem que concentrar a sua operação em LIS, isso é uma evidência para qualquer pessoa com noções como funciona o mercado da aviação comercial. O resto é politiquice de presidente de câmara e conversa para agradar. Que foi o que o Rui Moreira fez. Conversa de quem não sabe do que está a falar para agradar quem também não percebe nada do assunto em causa.
Depois toda esta discussão acaba a ser muito pueril quando, mesmo Lisboa, não tem acesso directo nada diversificado a destinos no longo curso porque o hub é muito específico para o Brasil e África. É pequeno.
A quantidade de destinos de médio curso oferecida pela Ryanair e outras lowcost a operar no Porto é bastante boa, aliás melhor que em Lisboa onde acaba por ser na maior parte dos casos mais caro viajar (vamos falar de equidade aqui?) porque além das taxas serem mais caras, a TAP mantém uma posição de domínio/posição única em muitas rotas que só existem porque alimentam os voos para o Brasil. Por si mesmas não têm qualquer viabilidade e nenhuma lowcost as consegue manter.
Mesmo com a presença da TAP e o seu longo curso, vai-se frequentemente apanhar o voo a Madrid/Londres, Paris/Amesterdão, ou Frankfurt/Munique, isto é, aos grandes hubs europeus da Iberia/BA/Oneworld, AirFrance/KLM/Skyteam, Lufthansa/StarAliance tal como alguém no Porto faz. Ou ainda não se aperceberam disso? Bem-vindos ao mundo da aviação onde os grandes dominam tudo.