Há sempre duas vertentes; cortar custos sempre que possível (para maximizar os lucros) e assegurar a qualidade do produto e da segurança do uso. Numa situação de falha/incompetência/desleixo os eventuais danos reputacionais (e financeiros) podem ser mais que suficientes para causar a falência dos envolvidos.
Vamos assumir que o 737 MAX tem um defeito naquela porta/secção da fuselagem.
A Boeing vai naturalmente assumir todos os custos, vai reparar todos os 737 com o mesmo problema (com custos enormes porque reparar/alterar aviões é sempre mais demorado e "complicado" do que produzir de raíz em escala) e ainda terá de indemnizar todas as operadoras (companhias aéreas e lessors) dos dias que os aviões estão parados.
Mas a Boeing vai pagar tudo sem pestanejar. Porquê? Para salvaguardar a confiança e a reputação.
Depois vem a questão; valeu a pena?
Lembro-me sempre do exemplo da Helios Airways. Alguém aqui é "desse tempo"?
Eu nem falo na questão de cortar ou não custos e dos reflexos disso.
Falo mesmo no dia a dia, mais precisamente na questão de ter havido 3 avisos com o avião em voos anteriores.
Todos os dias entre funcionários, assistentes, pilotos, etc etc há o "bend the rules".
Eu já fiz um voo e aterrei num cockpit... Como? Pedi e fui, até aterrei de headset em Lisboa e presenciei mais um "bend the rules" já no chão.
Para mim foi uma experiência incrível, agora falha de segurança? Enorme...
E isto é "todos" os dias... Check-ups de segurança manhosos, sistemas em baixo, revistas ás 3 pancadas, manutenções "logo se vê", etc etc.
Como disse, devido a redundâncias, normalmente 99.999999% corre tudo bem, mas quando há um acumular, de um manutenção manhosa, um piloto com excesso de horas, uma tripulação com "convidados" e desatenta, etc etc, pode (e) resulta mal.