Tópico dos aviões

È exatamente por o dinheiro (ou melhor, o lucro) comandar a vida da aviação civil que esta industria é das mais reguladas.

As companhias aéreas, fabricantes de aviões e motores e todos os envolvidos neste sector sabem que uma falha ou um escândalo pode ser suficiente para mandar todos para o desemprego...

Com o anterior escândalo do 737, entre 2019 e 2022, a Boeing perdeu, directa e indirectamente, mais de 80 mil milhões dólares (mais que o resgate de portugal da troika).

Isso é tudo verdade... até deixar de ser.

Há imensas imensas regras, e há imensas e imensas falhas e fechar de olhos, e cortar de cantos.
Felizmente as regras e os sistemas têm tantas redundâncias que corre tudo bem, até porque na maior parte dos casos um acidente nunca é uma situação isolada, mas um acumular de falhas e/ou erros. Mas quando há um acidente é que se vê as fragilidades do sistema...
 
Isso é tudo verdade... até deixar de ser.

Há imensas imensas regras, e há imensas e imensas falhas e fechar de olhos, e cortar de cantos.
Felizmente as regras e os sistemas têm tantas redundâncias que corre tudo bem, até porque na maior parte dos casos um acidente nunca é uma situação isolada, mas um acumular de falhas e/ou erros. Mas quando há um acidente é que se vê as fragilidades do sistema...

Há sempre duas vertentes; cortar custos sempre que possível (para maximizar os lucros) e assegurar a qualidade do produto e da segurança do uso. Numa situação de falha/incompetência/desleixo os eventuais danos reputacionais (e financeiros) podem ser mais que suficientes para causar a falência dos envolvidos.

Vamos assumir que o 737 MAX tem um defeito naquela porta/secção da fuselagem.

A Boeing vai naturalmente assumir todos os custos, vai reparar todos os 737 com o mesmo problema (com custos enormes porque reparar/alterar aviões é sempre mais demorado e "complicado" do que produzir de raíz em escala) e ainda terá de indemnizar todas as operadoras (companhias aéreas e lessors) dos dias que os aviões estão parados.

Mas a Boeing vai pagar tudo sem pestanejar. Porquê? Para salvaguardar a confiança e a reputação.
Depois vem a questão; valeu a pena?

Lembro-me sempre do exemplo da Helios Airways. Alguém aqui é "desse tempo"?
 
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Há sempre duas vertentes; cortar custos sempre que possível (para maximizar os lucros) e assegurar a qualidade do produto e da segurança do uso. Numa situação de falha/incompetência/desleixo os eventuais danos reputacionais (e financeiros) podem ser mais que suficientes para causar a falência dos envolvidos.

Vamos assumir que o 737 MAX tem um defeito naquela porta/secção da fuselagem.

A Boeing vai naturalmente assumir todos os custos, vai reparar todos os 737 com o mesmo problema (com custos enormes porque reparar/alterar aviões é sempre mais demorado e "complicado" do que produzir de raíz em escala) e ainda terá de indemnizar todas as operadoras (companhias aéreas e lessors) dos dias que os aviões estão parados.

Mas a Boeing vai pagar tudo sem pestanejar. Porquê? Para salvaguardar a confiança e a reputação.
Depois vem a questão; valeu a pena?

Lembro-me sempre do exemplo da Helios Airways. Alguém aqui é "desse tempo"?

Não acredito que seja defeito propriamente de todos os MAX. Senão manifestava-se em aviões mais velhos e com mais ciclos ( e são muitos MAX agora a voar )
Acredito mais nalgum problema no fabrico/qualidade e que não tenha sido corrigido, o que também é grave.
Importante perceber se há mais afetados com aquela data de produção
 
Esticaram o 737 ao máximo, já deu o que tinha para dar...

Sem dúvida, o 737 é 20 mais "velho" que a familia A320. Jà deveria ter sido substituido por um projecto mais recente.
Se os CEOs da Boeing soubessem o que sabem hoje não tenho dúvidas que teriam avançado á 10/15 anos atrás com um substituto. Mas como diz o ditado; "hindsight is 20/20"...

O problema é que mesmo as gerações mais recentes do 737 continuaram a acumular vendas substanciais (mais ainda que as gerações anteriores) e torna-se uma escolha muito complicada para os gestores da Boeing. Vamos parar o desenvolvimento de um avião que garante milhares de encomendas certas ou apostar num projecto novo (mas ainda melhor)?

È mais fácil substituir um avião que está a declinar nas vendas, como aconteceu com o 767.

 
Há sempre duas vertentes; cortar custos sempre que possível (para maximizar os lucros) e assegurar a qualidade do produto e da segurança do uso. Numa situação de falha/incompetência/desleixo os eventuais danos reputacionais (e financeiros) podem ser mais que suficientes para causar a falência dos envolvidos.

Vamos assumir que o 737 MAX tem um defeito naquela porta/secção da fuselagem.

A Boeing vai naturalmente assumir todos os custos, vai reparar todos os 737 com o mesmo problema (com custos enormes porque reparar/alterar aviões é sempre mais demorado e "complicado" do que produzir de raíz em escala) e ainda terá de indemnizar todas as operadoras (companhias aéreas e lessors) dos dias que os aviões estão parados.

Mas a Boeing vai pagar tudo sem pestanejar. Porquê? Para salvaguardar a confiança e a reputação.
Depois vem a questão; valeu a pena?

Lembro-me sempre do exemplo da Helios Airways. Alguém aqui é "desse tempo"?
Lembro-me de um acidente que houve na Grécia há para aí uns 20 anos com essa companhia,salvo erro com um 737-300,mas não me lembra dos detalhes.
 
Sem dúvida, o 737 é 20 mais "velho" que a familia A320. Jà deveria ter sido substituido por um projecto mais recente.
Se os CEOs da Boeing soubessem o que sabem hoje não tenho dúvidas que teriam avançado á 10/15 anos atrás com um substituto. Mas como diz o ditado; "hindsight is 20/20"...

Não tinha a mínima noção que o 737 já vem do final dos anos 60.

Pensava que era de inicio dos 80.
 
Lembro-me de um acidente que houve na Grécia há para aí uns 20 anos com essa companhia,salvo erro com um 737-300,mas não me lembra dos detalhes.

Incidente muito famoso onde, devido a uma falha de pressurização, toda a tripulação e tripulantes desmaiaram. O 737 continou a voar em piloto automático até se despenhar contra uma montanha. F-16 gregos acompanharam o avião a dado momento e viram o cockpit vazio (acho que ainda viram também alguém a mexer lá dentro). Há varios documentários muito bons, inclusive um episodio da série canadiana Mayday.

Conclusão. Foi um incidente tão impressionante que a companhia Helios acabou por falir passado pouco tempo.
 
Não tinha a mínima noção que o 737 já vem do final dos anos 60.

Pensava que era de inicio dos 80.

Dá que pensar que no ano em que o 737 voou pela primeira vez (1967) voaram também o MiG-23 Flogger, Saab Viggen e BAe Harrier.

È verdade que o ritmo da aviação militar e civil é diferente (e os critérios) mas dá para perceber o quanto a tecnologia avançou.






 
Há sempre duas vertentes; cortar custos sempre que possível (para maximizar os lucros) e assegurar a qualidade do produto e da segurança do uso. Numa situação de falha/incompetência/desleixo os eventuais danos reputacionais (e financeiros) podem ser mais que suficientes para causar a falência dos envolvidos.

Vamos assumir que o 737 MAX tem um defeito naquela porta/secção da fuselagem.

A Boeing vai naturalmente assumir todos os custos, vai reparar todos os 737 com o mesmo problema (com custos enormes porque reparar/alterar aviões é sempre mais demorado e "complicado" do que produzir de raíz em escala) e ainda terá de indemnizar todas as operadoras (companhias aéreas e lessors) dos dias que os aviões estão parados.

Mas a Boeing vai pagar tudo sem pestanejar. Porquê? Para salvaguardar a confiança e a reputação.
Depois vem a questão; valeu a pena?

Lembro-me sempre do exemplo da Helios Airways. Alguém aqui é "desse tempo"?

Eu nem falo na questão de cortar ou não custos e dos reflexos disso.

Falo mesmo no dia a dia, mais precisamente na questão de ter havido 3 avisos com o avião em voos anteriores.

Todos os dias entre funcionários, assistentes, pilotos, etc etc há o "bend the rules".
Eu já fiz um voo e aterrei num cockpit... Como? Pedi e fui, até aterrei de headset em Lisboa e presenciei mais um "bend the rules" já no chão.
Para mim foi uma experiência incrível, agora falha de segurança? Enorme...
E isto é "todos" os dias... Check-ups de segurança manhosos, sistemas em baixo, revistas ás 3 pancadas, manutenções "logo se vê", etc etc.
Como disse, devido a redundâncias, normalmente 99.999999% corre tudo bem, mas quando há um acumular, de um manutenção manhosa, um piloto com excesso de horas, uma tripulação com "convidados" e desatenta, etc etc, pode (e) resulta mal.
 
Por acaso há umas semanas, da Madeira para cá num A321 da TAP (CS-TJE) também me aconteceu uma que não gostei nada.

Estava na porta de embarque, o avião tinha chegado de Lisboa e iria voltar para Lisboa.

Tudo aparentemente normal até que na Gate surge a mensagem “devido a uma questão técnica, o embarque voo XXX encontra-se suspenso por tempo indeterminado”.

O pior vem agora: passados 5 minutos (literalmente), tudo normal para embarcar. Pensei logo no reset a luzes de aviso.

Depois para cá , algures durante o voo o piloto pede desculpas pelo ligeiro atraso, “que se deveu a uma pequena manutenção de rotina para que o avião pudesse deslocar-se para Lisboa”.

Achei tudo isto meio estranho, e quero acreditar que na aviação não se facilita nada….
 
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