Combustíveis mais caros com subida do petróleo
ANA SUSPIRO
NUNO FOX-ARQUIVO DN (imagem)
O preço dos combustíveis voltou a aumentar depois de um período de algum alívio no final do ano passado. Desde o início deste ano, e até à ultima semana de Junho, a gasolina sem chumbo 95 octanas já aumentou 12% ou 14 cêntimos por litro, de acordo com os preços semanais da Direcção Geral de Geologia e Energia (DGGE). No primeiro semestre, o gasóleo rodoviário, o combustível mais consumido em Portugal que representa quase dois terços das vendas, subiu oito cêntimos por litro ou quase 8%.
Estes aumentos reflectem, em parte o agravamento da carga fiscal sobre os combustíveis introduzida no início do ano, mas também a forte recuperação da cotações do petróleo. Ontem, o
Brent do Mar do Norte, que é a referência para Portugal, atingiu um pico de 76 euros por barril, um valor recorde dos últimos 11 meses. Esta subida vai levar a novos aumentos no preço final dos combustíveis em Portugal nas próximas semanas, segundo fontes da indústria contactadas pelo DN. No entanto, a dimensão destes aumentos vai depender do período em que as cotações se mantiverem altas e também da evolução dos
stocks de gasolina nos Estados Unidos, que, por enquanto, estão a apresentar níveis confortáveis.
A valorização de ontem é explicada pelos receios de uma ruptura no fornecimento a partir da Nigéria face aos constantes ataques às instalações petrolíferas da Shell, mas também pela forte procura nos Estados Unidos.
Apesar da subida do petróleo, a desvalorização do dólar, moeda em que são feitas as compras de matéria-prima, face ao euro tem permitido travar maiores subidas no preço final de países como Portugal.
Analisando os preços médios semanais da DGGE, verificamos que a gasolina até já esteve mais cara do que actualmente, tendo atingido no início deste mês valores da ordem dos 1,382 euros por litro, muito próximos do máximo alcançado em Agosto do ano passado, quando as cotações do petróleo atingiram picos de 80 dólares por barril. Só que o aumento dos preços deixou de ser de fácil conhecimento público, em grande medida porque a Galp Energia, líder do mercado, deixou de publicitar no seu
site as variações no preço de referência a aplicar na sua rede. A opção é explicável pela adopção de uma lógica regional de preços, que responde à concorrência quando ela se faz por este factor, sobretudo nas zonas de fronteira com Espanha e em áreas de influência de grandes superfícies que apresentam preços mais agressivos que as petrolíferas.
Perante a evolução dos preços, as vendas de combustíveis rodoviários continuam a cair em Portugal - cerca de 7% até Abril face ao mesmo mês de 2006, apesar de alguma desaceleração da tendência. |
Em http://dn.sapo.pt/2007/07/07/economia/combustiveis_mais_caros_subida_petro.html