Bem tou a ver que é chover no molhado. Vocês são grandes apreciadores de relógios e não querem dar o braço a torçer...eheheh[

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Não é uma questão de não querer dar o braço a torcer, aliás se for caso disso faço-o com certeza, até porque percebo perfeitamente o teu ponto de vista, que será até o ponto de vista da maioria das pessoas. Mas estou/estamos a tentar mostrar outro ponto de vista.
Terás que concordar que o diferencial de sensações, emoções e prazer que se retira em olhar para as horas em dois relógios diferentes (um de 1500€ e outro de 30.000€), não é comparável ao diferencial que existe de emoções, sensações, prazer e utilidade (Pagani Zonda podes ir para uma pista por ex.) que existe entre um Opel Astra e um Pagani Zonda....
Sim o diferencial de emoções e prazer será diferente, mas apenas se isso te interessar, se isso não te "disser nada" não darás valor ao Pagani. Se não te faz diferença nenhuma que o carro seja todo em fibra de carbono, se para ti ter um V12 Mercedes-AMG não te diz nada, não vais dar o valor que o carro tem que é muito mais do que simplesmente os materiais "exóticos" de que é feito é também o design, o styling e todo o know-how para se poder produzir um máquina desse calibre. Logo não irás perceber o porquê de ter um valor tão elevado ou absurdamente elevado, para algo que também tem quatro rodas um motor e volante.
É essa a diferença também entre os relógios, é a forma como fazem a mesma coisa. Claro que à primeira vista será mais difícil aperceberes-te dessa diferença, mas por exemplo muitos deles têm a parte de trás também em vidro de safira para se poder ver e admirar o mecanismo.
A diferença é que com o advento do quartzo à cerca de 30/40 anos atrás fez com que o relógio fosse altamente "democratizado", levando quase à extinção a relojoaria mecânica. Obvio que um relógio com grande precisão e muito mais barato teve enorme sucesso, até a Patek Philippe a dado momento teve modelo a qartzo.
Agora se queres um relógio que te diga as horas e certinho, não é preciso gastar grande dinheiro, mas comprar um relógio que dê as horas e seja bonito já a fasquia pode elevar-se um pouco, se para além disso tudo queres um relógio que seja mais do que um cristal de quartzo a vibrar, que seja operado por rodas dentadas e balanços e molas (espiral) que são 3 a 4 vezes mais finos que um cabelo humano, que se contrai mais de 200 milhões de vezes num ano, pesando cerca de 0,002 gramas e capaz de suportar mais de 600 gramas de tensão sem partir (um cabelo parte-se com um peso de cerca de 100 gramas). Se queres um relógio mecânico cuja velocidade de oscilação do balanço seja equivalente à velocidade alcançada pelas roas de uma locomotiva que se desloque a uma velocidade de 90 Km/h.
Não esquecendo que num relógio mecânico com uma frequência de balanço de 28800 alternâncias por hora, o escape permite à engrenagem avançar 691200 vezes por dia, o que se traduz ao fim de quatro anos de uso continuo, em mais de mil milhões de impulsos transmitidos através do escape (um esforço seis vezes superior ao efectuado pelo coração humano).
Toda a técnica para se produzir um máquina que aguente este esforço dia após dia, ano após ano, geração após geração, não vem barato, os técnicos especializados para montar e mais tarde fazer a manutenção, não vem barato, se a tudo isto de juntar funções extremamente complexas (lembro mais uma fez que não existe aqui electrónica nenhuma, é tudo puramente mecânico) como um calendário que mostra o dia, semana, mês (mostrando correctamente os meses de 30 e 31 dias), anos bissextos, fases da lua e muitas outras coisas, não vem barato. Fazer tudo isto mantendo ao longo do tempo a mesma precisão com que saiu das mãos do mestre relojoeiro que o montou, não vem barato.
Conclusão, quem consegue-se aperceber de tudo isto conseguirá dar valor ao relógio, tal como nós conseguimos dar valor ao Pagani!
P.S.: pelo desculpa pelo longo texto e por qualquer informação que esteja eventualmente incorrecta.