Assino por baixo. Não desgosto da Apple, mas é daquelas marcas que, cortando com esta ou aquela feature, espantam uma fatia de mercado (que provavelmente não é o seu target) que quer continuar com os métodos e features práticas e consensuais de quem está mais habituado ao Windows e ao interface USB e SD.
A Apple chega ao mercado e diz:
- As nossas regras são estas: damos um produto com um design excepcional, com uma excelente simbiose hardware/SO/software, software esse que, para além do que vem de série, também é vendido numa loja online controlada por nós. Em troca, vocês têm que abdicar de Flash, MicroUSB, MicroSD, entre outras coisas, porque corrompem a nossa filosofia. Mas hey, temos umas dicas para desenrascar.
E muita gente aceita, boa parte não sabe o que é Flash, outra parte quer uma peça de design, acima de tudo, outra parte é gadget victim, outra parte é mesmo pelo status, outra parte é por ter tudo Apple e já estar bem dentro da filosofia, por aí fora...
Alguns, como eu e tu e outros, olham para o produto e vêem que falta ali qualquer coisa à qual estão familiarizados e faz parte da nossa vida corrente.
Eu faço esta conversa aqui para a Apple, mas também faço por exemplo para a Sony. Quem tem visto o tópico dos telemóveis viu que me afastei da Sony Ericsson enquanto comprador porque faltava ali uma coisinha, um pequeno pormenor que faria toda a diferença na utilização...
E quando eu olho para produtos novos e penso "mas espera lá, isto não tem X, Y e Z, logo não é tão prático como o meu Nokia de 100€ e o meu HTC com dois anos de mercado". Não vou comprar de propósito Memory Sticks M2, phones com entrada XPTO, não vou andar com a chuchadeira dos Air Video Servers nem com Dropboxes apenas por causa de UM gadget. Eu não troco a solução mais prática pela segunda solução mais prática.
E isto é mero pensamento de consumidor, cada um faz as suas escolhas, no mercado não há "ou se ama ou se odeia", há racionalidade [

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Lembro-me de pensar exactamente assim até passar para o "outro lado", nestes últimos 2 anos, e reparar o enganado que estava [

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Sempre achei os produtos da Apple engraçadinhos, mas sentia que faltava ali qualquer coisa para verdadeiramente poder fazer o switch. Sentia que na Apple tinha que pagar X + imposto Apple para comprar um produto que noutras marcas pagava apenas X e trazia funções extra. Mas andava sempre ali na corda bamba.
A última vez foi por volta de Outubro de 2008 quando comprei aquele que hoje em dia acho foi o meu último computador com Windows. No dilema entre Macbook vs outros decidi-me por um portátil HP (marca de qual tinha uma experiência já com muitos anos) com touchscreen e o diabo a 4. Um Tablet PC. Foi a pior compra que podia ter feito. Um portátil que tem um defeito crónico que levava a sobreaquecimento e consequentemente perdia o wireless e desligava-se. A HP ia trocando motherboard até acabar a garantia. Para piorar as coisas a dobradiça deixou de ter força para segurar o ecrã e não quiseram cobrir na garantia, pedindo centenas de euros para reparar. Acabei por comprar a peça e arranjar eu por 20€, embora efectivamente anulando a garantia a partir do momento em que o abri para fazer isso.
De qualquer maneira foi um pesadelo, que embora saiba que nem em todos os computadores me iria acontecer o mesmo, olhei para trás e reparei na decisão que me levou até a esse ponto. E disse que não ia voltar a cometer o mesmo erro.
Hoje em dia, depois de passar para Mac, vejo que quando olhava para os seus "shortcomings" ignorava que eram largamente ultrapassados pelos bónus. Por um sistema operativo que é o melhor em que alguma vez mexi, por uma qualidade de construção fenomenal. Por detalhes como o conector magnético, o grande trackpad em vidro com multitouch e perfeita integração com o sistema operativo, o teclado iluminado, os materiais empregues, o funcionamento silencioso, a autonomia gigante.
Enfim, apercebi-me que cheguei a um computador que vale mais do que a soma das partes. Cujo valor não pode ser medido pelos Ghz do processador ou número de portas USB (antigamente tão importante para mim... hoje em dia rio-me!).
Dei um salto geracional como quando passei de Windows 3.11 (com Tabworks) para Windows 95.
Por ironia do destino, entretanto tinha iPhone, que foi outro capítulo em que passei por esse dilema (afinal de contas, tive Nokias toda a vida) e em que passei exactamente pela mesma experiência com os mesmos resultados.
Hoje em dia passar para qualquer outra plataforma em qualquer dos casos é uma ideia que me dá calafrios... só mesmo se tiver necessidade.
Por muito que analisasse de fora, lesse reviews, folhas de specs, nunca pensei que ficasse alguma vez a pensar assim... mas só mesmo depois de experimentar e de conviver activamente é que olho para o passado e vejo o tempo que perdi com outros produtos. Mas quanto a isso não há nada a fazer.
Sei que vai haver sempre resistência a pensar desta maneira, aliás eu era assim, mas normalmente quem faz o switch não se vê a voltar para trás. Podem existir um ou outro, obviamente, mas os estudos de satisfação mostram que o que me aconteceu a mim, acontece à maioria que faz o mesmo.
não vou andar com a chuchadeira dos Air Video Servers nem com Dropboxes apenas por causa de UM gadget. Eu não troco a solução mais prática pela segunda solução mais prática.
Uma nota quanto a isto, acho quase impossível também que experimentando as duas soluções se ache mais prática a outra.
Para ver filmes no iPad podem-se passar para lá por USB e ver pelo VLC, tal como num computador. Quanto a isso não há problema nenhum, se for essa a tua questão. Mas isso é alguma coisa comparado com abrir a aplicação AirVideo e ter lá, sem precisar de transferir nada, TODA a colecção de séries e filmes que se tem? E sem precisar de armazenar localmente na cara memória flash?
Ajuda o facto de eu ter um servidor com toda a minha multimédia armazenada e organizada, mas não há nada melhor do que adicionar lá um filme ou episódio do HIMYM e deixar de me preocupar com onde quero ver. Fica tudo armazenado num só sítio e se quiser vejo no computador, na televisão, iPhone, eventualmente iPad. Acaba-se a redundância de dados, os ficheiros perdidos e duplicados. A preocupação com formatos ou resoluções compatíveis.
Com o Dropbox passa-se a mesmíssima coisa, com a vantagem de ter um servidor remoto a fazer sincronização e ter armazenamento local nos aparelhos onde este não tem um custo de oportunidade elevado (computadores).
Na era do networking, da banda larga, da fibra óptica, isto sim eu chamo prático, e não andar com pens e cartões de memória daqui para ali, que é basicamente o equivalente ao que sempre se fez com floppy disks - mas que hoje em dia não existe necessidade nenhuma, a não ser como recurso para situações esporádicas - não como método regular.
Outros exemplos, já um bocado fora do âmbito Apple, do novo paradigma são por exemplo os servidores DLNA, com os quais as pessoas têm passado a desfrutar de multimédia nas suas consolas e às vezes televisões. Pouca gente que utilize o PS3 media server te vai dizer que acha essa a segunda maneira mais prática para ver um filme, em oposição a quando precisava de o passar pela pen USB.