DECO alerta para falta de ética das principais marcas de telemóveis
DECO alerta para falta de ética das principais marcas de telemóveis
Trabalho infantil, horas suplementares obrigatórias e ordenados baixos foram alguns problemas detectados pela associação DECO numa análise ao comportamento ético das cinco maiores marcas de telemóveis da Europa.
Em conjunto com outras associações de consumidores europeias, a DECO analisou vários aspectos relacionados com a transparência e a política social das empresas, publicando as conclusões deste trabalho na edição de Maio da revista Proteste.
A redução do preço dos telemóveis tem levado os fabricantes a diminuir os custos, o que segundo a DECO se reflecte nos
trabalhadores das fábricas que fornecem as marcas LG, Nokia, Motorola, Samsung e Sony Ericsson, alvo do inquérito da associação para a defesa dos consumidores.
A DECO constatou que esta redução dos custos tem feito muitos fabricantes deslocar-se para países em desenvolvimento, como a China, que é o principal fabricante de telemóveis.
"Nenhuma fábrica chinesa respeita as tabelas salariais em vigor. O trabalho forçado, mal pago e excessivo é uma constante, tal como nas Filipinas", alerta a DECO.
Outro problema, acrescenta, é a falta de segurança ligada à utilização intensiva de produtos químicos tóxicos: "Chegaram mesmo a ocorrer graves envenenamentos na China e na Tailândia", lembra a associação.
Na fábrica de Shenzhen (na China) que produz telemóveis para a Motorola estão empregadas mais de 200 crianças, com menos de
16 anos.
"Desde que não tenham um ar muito jovem, não há problema", disse aos técnicos da DECO o responsável da fábrica de Shenzhen,
adiantando que "para compensar a sua falta de qualificações e fraca produtividade" trabalham uma hora e meia sem ganhar sobre as 13 horas prestadas diariamente.
Segundo a DECO, esta é a razão por que as marcas não revelam os resultados de auditorias sobre o respeito dos códigos de conduta nas fábricas.
Diário Económico