Eu não alinho exactamente por aí, mas percebo o que dizes. Mas olha que já existem telemóveis bem razoáveis até 300€, e com boas performances. Claro que acima de tudo isso depende do perfil do utilizador.
No meu caso dou prioridade à mobilidade e à facilidade em obter informação “logística”: as tais informações de trânsito na hora (outro "pequeno" pormenor que também deve ser nabiça minha ou culpa da google: no a1 recebi uma vez uma notificação do google maps com as informações para o trabalho/casa apesar de eu ter accionado as notificações diárias com as horas estipuladas; com o s8 recebo sempre as duas notificações exactamente à hora que programei, que vão sendo actualizadas automaticamente na barra de notificações), a organização laboral e pessoal, a facilidade em aceder/enviar ficheiros, consultas de lembretes e notas em massa, etc. Para mim um telemóvel é um pc em ponto pequeno.
Mas neste tipo de assuntos eu sou muito pragmático e muito pouco dado a emoções. Até porque lá está, utilizo o telemóvel como uma ferramenta de trabalho. Eu não ligo a marcas. Ou serve ou não serve. Ponto.
Se fosse por gostos nunca compraria nem Samsung nem Apple. E no entanto já tive 4 iPhones de modelos diferentes e 3 Samsung.
Por isso é que racionalmente disse que em Portugal e na Europa em geral a Xiaomi é um risco. Potencialmente poderá ser um bom negócio, mas também poderá ser uma dor de cabeça das grandes. Já nem falo só dos bugs, isso é só mais uma peça que faz parte de um todo.
Com os telemóveis de gama média a começarem a ter boas performances, não vale a pena arriscar uma garantia a sério por uma garantia a “brincar”, que é o que os telemóveis Xiaomi oferecem na realidade em Portugal.
Se não me engano a Xiaomi só vende oficialmente em 14 mercados enquanto os outros fabricantes de peso arriscar-me-ia a dizer, para cima de 150. Ou pelo menos, em 100 como mínimo. Ora se os grandes fabricantes vissem que a melhor estratégia sem comprometer a qualidade do produto seria esta estratégia, já a tinham adoptado há muito tempo. Até porque estamos a falar de muitos e muitos milhões de euros em poupanças e as marcas não são ONG´s.
Obviamente que esta opção do ponto de vista do serviço ao cliente é simplesmente péssima. E aqui, não há mesmo volta a dar.
E é disso que se trata, porque um produto não é só o seu estado físico.
Há coisa de 2 semanas toda a gente aqui gozou com o bolide por causa da Xiaomi não vender em Portugal e que por isso a marca não podia ser responsabilizada de nada, mas agora acreditam mesmo que um telemóvel Xiaomi vendido numa loja online e sem representação nenhuma da própria marca vai ter o mesmo tratamento real de um iPhone, Samsung, ou Huawei. É que nem a brincar, quanto mais a sério.
Qualquer destas marcas tem representantes oficiais nacionais e europeus, tem um imei ligado àquele aparelho que é accionado em caso de avaria, e tem lojas físicas associadas. E isso, obviamente, que se paga. Se eu comprar um Huawei na PcDiga e aquilo avariar eles remetem-me para um reparador oficial e a garantia da MARCA cobre a avaria. A PcDiga não é tida nem achada aqui nem tem de arranjar nada. Quando se compra um Xiaomi na PcDiga a Xiaomi não vai arranjar nada nem dar assistência nenhuma legal ao aparelho, porque simplesmente e oficialmente, não existe em Portugal.
Por isso perguntem-se lá quem é que vai arranjar esse telemóvel. Sim, é verdade, existem lojas de reparações externas e muitas lojas tipo PcDiga até fazem reparações. Mas não estamos já a falar da mesma coisa nem para o cliente nem para quem vende.
Depois quem tem experiência com compras online e gosta de ler nas entrelinhas sabe muito bem as verdadeiras canalhices que as lojas online gostam de fazer para demover o cliente com processos de garantia, que é coisa que eles detestam. Envios dos aparelhos a cargo do cliente, prazos alargados de reparação, muita papelada para “encher chouriços”, telefonemas que não se atendem, mails que afinal não se receberam, etc…
Quem pensa que vai comprar um Xiaomi em Portugal e vai fazer o mesmo que o user CHB fez (e ele que confirme se foi assim), que foi ir à worten 3 ou 4 vezes mudar de telemóvel está muito enganado. Só em portes de envio era logo uma pipa de massa e processos para demorar meses.
E eu, e para que conste, já comprei muita coisa online. Assim nos últimos anos, desde a minha televisão precisamente na Pcdiga, um iPad na fnac através de uma empresa manhosa espanhola, um Mac, coluna bluetooth na Amazon, um S7 edge na Amazonite há uns meses, etc, etc.
Lá está, eu também arrisco e também compro, mas sempre com a consciência que caso a coisa não corra bem, poderei vir a ter chatices da grandes.
Mas por mais 50, 60 ou 70€, vale a pena arriscar? Na minha opinião, cada vez menos. Entre comprar um Xiaomi (ou outra marca nas mesmas condições, não me refiro exclusivamente à Xiaomi porque sim) por 260€ com “garantia” e dar mais 50€ ou 60€ e ter um reparador oficial que a loja me envie para lá, assistência, ou o tal balcão para dar um murro na mesa se for preciso, prefiro muito mais a 2ª opção.
Ou seja, no meio disto tudo, o que eu acho é que a malta diz sempre que não pode gastar dinheiro e tal, mas parece-me que é mais aquele gostinho de comprar o mais barato possível e depois ficar com a sensação que fez um bom negócio. Acaba por ser um estímulo. Até a coisa dar para o torto há sempre aquela sensação do “comprei mais por menos”.
Não condeno, até porque eu também já fiz isso muitas vezes. No entanto sempre que o fiz fi-lo em consciência, e talvez aqui resida a diferença de opiniões.