Tópico Lancia


Artigo muito interessante.

Já agora coloco aqui:

CRÓNICA: E A LANCIA, MARCHIONNE?

Por André Bettencourt Rodrigues a 13 Fevereiro 2016 17:29


Muito mudou desde que Sergio Marchionne assumiu o comando do Grupo Fiat. Responsável por retirá-lo da falência através da aliança bem-sucedida com a Chrysler, o italiano procurou sempre fazer da Lancia aquilo que ela não era na mente de todos os que viveram com intensidade o período compreendido entre o final da década de 1970 e o início dos anos 90: uma marca de luxo.

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Dos Grupo 5 e 6 do mundo da resistência aos Grupo 4, B e A dos ralis, a marca fundada por Vincenzo lançou sucessivamente automóveis emblemáticos que ainda hoje permanecem na memória de todos, do Stratos ao Beta Montecarlo, do 037 ao Delta. O leque abrangente dificulta a escolha sobre qual será o ‘nosso’ favorito, mas arrisco dizer que, em termos desportivos, o Stratos e o Delta serão os que maior significado têm para a marca e igualmente para a grande maioria dos seus adeptos.



Nascido em 1979 das mãos de Giorgetto Giugiaro, o que desde logo explica muito do fascínio que rodeia o pequeno compacto de cinco portas italiano, o Delta foi sofrendo pequenas atualizações até finalmente ser substituído por uma nova geração, em 1993.Só que o corte com as linhas do modelo original foram um erro, impedindo que a nova encarnação repetisse o sucesso e a longevidade do primeiro Delta. A marca acabaria por declarar o seu fim em 1999, prolongando esse hiato até 2006, ano em que foi lançada a terceira e última geração do Delta, enquanto a Lancia paulatinamente abandonava as suas raízes desportivas para se tornar numa marca burguesa (até o pequeno Y era descrito como um utilitário requintado).



O resultado foi novamente desastroso, fruto de uma plataforma e motores desatualizados, e, novamente, de um posicionamento elitista, ao qual não é imune a estética pretensiosamente avant-garde’ cujo resultado prático esteve longe de representar dignamente o perfume italiano. Tudo numa época em que a fusão entre a Fiat e a Chrysler era já uma realidade, e que teve como consequência decisões estratégicas que penalizaram como nunca o nome Lancia, cujos 110 anos (!) de história mereciam mais do que a mercantilização que sofreu.




Angelo Granata e Andrea Bonamore são responsáveis por duas das melhores interpretações de um Lancia Delta contemporâneo, mas sem fugir às suas raízes históricas
No início desta década, os Chrysler transformaram-se em Lancia e os Lancia tornaram-se Chrysler (os modelos Thema, antigo Chrysler 300, e Voyager, o popular monovolume norte-americano, são dois bons exemplos), no mesmo instante em que a insígnia era cada vez mais ‘encostada’ com o objetivo de alimentar os mercados emergentes – uma espécie de Dacia da Renault, embora a primeira seja assumidamente uma marca low-cost e não um baluarte do requinte automóvel.
Lancia VoyagerA atual ‘desconsideração’ pela Lancia não deixa de ser curiosa se pensarmos que a marca foi adquirida em 1969, após grandes dificuldades financeiras, e que a aposta no desporto motorizado foi determinante para o seu renascimento, trazendo, ao mesmo tempo, um enorme prestígio ao Grupo Fiat. A Alfa, por outro lado, está na sua posse desde 1986, numa reunião motivada pelos mesmos problemas e solucionada pela mesma política desportiva, desta feita nos turismos.

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Enquanto a Lancia continua a ser delapidada (na Europa já só se vende em Itália e com uma gama composta por apenas um modelo, o Y), Marchionne tem vindo a promover a revitalização da Alfa Romeo, apregoando sempre a segunda como a grande marca desportiva do Grupo Fiat. O dirigente até já fala num regresso à Fórmula 1, um passo importante para cimentar novamente o seu prestígio e impulsionar as vendas da Alfa no mercado… norte-americano, cujo regresso foi outra das decisões marcantes da sua gestão. O encanto é evidente e eu não tenho rigorosamente nada contra ele. Mas e a Lancia, Sergio? Está condenada a ficar fechada numa gaveta?A bem da verdade, além destas duas marcas Marchionne tem ainda de se preocupar com a Ferrari, a Maserati e a Abarth, provando que talvez nem todas deveriam estar sob o seu comando ou a égide da Fiat. Mas não muito longe das fronteiras italianas, o Grupo VAG, com um problema semelhante em mãos, tem sabido promover as suas insígnias – Porsche (Endurance), Audi (Endurance), Volkswagen (Ralis), Seat (Turismos), Skoda (Ralis) e Bentley (Endurance), alternando até os seus programas desportivos. O sucesso desta operação leva-me a suspeitar se, com boa vontade, o mesmo não poderia ser feito no Grupo Fiat, para mais quando, das cinco marcas referidas, apenas a Lancia foi condenada ao ostracismo.

André Bettencourt Rodrigues
 
Um projecto que poderia ser facilmente recuperado recorrendo ao hardware disponível no 4C.
Mas, tal como o Stratos, atrás viria um V6, em vez de um 4 cilindros.[:cool:]
 
Um projecto que poderia ser facilmente recuperado recorrendo ao hardware disponível no 4C.
Mas, tal como o Stratos, atrás viria um V6, em vez de um 4 cilindros.[:cool:]

Exactamente, a base do 4C serviria para este Stratos na perfeição.

Seria uma forma de por um lado manter a Lancia viva, e ao mesmo tempo rentabilizar a plataforma do 4C.

O nome Stratos é muito forte, tal como o nome Delta HF Integrale ou S4. A Lancia pode sobreviver como marca de nicho, na minha opinião.

Mas duvido que o Marchionne tenha vontade para algo assim.
 
Sempre defendi isso. Fazer modelos especiais.

A ideia do 4C é boa.

Seria então o 6C da Lancia, mas um V6.

Stratos V6 como o Stratos V6 Dino Original.

Receita:
Aproveitar a estrutura central do 4C.
Nova estrutura traseira para albergar o V6.
Uso da mecânica V6 usada no Giulia QV.
 
Última edição:
Mas duvido que o Marchionne tenha vontade para algo assim.

Dinheiro. Vontade até pode ter, mas o que ele não tem é dinheiro. Se em vez de investir € 5.000M na Alfa Romeo tivesse dividido o dinheiro por Alfa e Lancia, ambas iam acabar novamente com uma gama assim-assim e nenhuma saía da cepa torta.
Ao investir tudo numa consegue uma gama mais coesa e aumenta a probabilidade de sucesso. Entre as duas a escolha recaiu na Alfa porque tem maior potencial global - nomeadamente nos EUA e na China, onde seria mais difícil para a Lancia ganhar clientes.
E não se enganem - se o plano da Alfa para os próximos anos não resultar, seja por falha na execução ou por má aceitação do mercado, daqui a 10 anos também desaparece. Por outro lado, se esse plano resultar e as restantes marcas da FCA continuarem a crescer como tem acontecido nos últimos anos, talvez daqui a 10 ou 20 anos o grupo se possa dar ao luxo de ressuscitar a Lancia como deve ser.

PS: por curiosidade, e talvez pareça contraditório, mas a verdade é que a Lancia vendeu mais do que a Alfa em 2015, 62K vs 57K.
 
Dinheiro. Vontade até pode ter, mas o que ele não tem é dinheiro. Se em vez de investir € 5.000M na Alfa Romeo tivesse dividido o dinheiro por Alfa e Lancia, ambas iam acabar novamente com uma gama assim-assim e nenhuma saía da cepa torta.
Ao investir tudo numa consegue uma gama mais coesa e aumenta a probabilidade de sucesso. Entre as duas a escolha recaiu na Alfa porque tem maior potencial global - nomeadamente nos EUA e na China, onde seria mais difícil para a Lancia ganhar clientes.
E não se enganem - se o plano da Alfa para os próximos anos não resultar, seja por falha na execução ou por má aceitação do mercado, daqui a 10 anos também desaparece. Por outro lado, se esse plano resultar e as restantes marcas da FCA continuarem a crescer como tem acontecido nos últimos anos, talvez daqui a 10 ou 20 anos o grupo se possa dar ao luxo de ressuscitar a Lancia como deve ser.

PS: por curiosidade, e talvez pareça contraditório, mas a verdade é que a Lancia vendeu mais do que a Alfa em 2015, 62K vs 57K.



Neste caso não seria preciso muito dinheiro, porque o hardware já está quase todo desenvolvido, seria apenas uma questão de design do carro e de adaptação da plataforma do 4C ao motor V6 do Giulia QV.

Seria uma forma de rentabilizar todo o hardware já desenvolvido para outros produtos do Grupo.

Eu acho que o Marchionne meteu na cabeça que a Lancia é para fechar, e será mesmo inevitável [s)]
 
A Lancia vende mais unidades do que a ALFA porque o seu "Autobianchi" continua a ter sucesso em Itália, onde veículos desta Filosofia vingam sempre, apesar de já não com a força do passado, mas também apesar do 500.
500 que devido à sua "pinta" ficou com muitos clientes Autobianchi (Lancia Y).

Pena os últimos Y não serem referências no que ao refinamento mecânico diz respeito como foram os A112.

 
O actual Ypsilon ainda vai vendendo razoavelmente, cerca de 60k unidades por ano principalmente em Itália mas também vende bem em França, tendo em conta que é um modelo em final de vida é um valor interessante.
 
Dinheiro. Vontade até pode ter, mas o que ele não tem é dinheiro. Se em vez de investir € 5.000M na Alfa Romeo tivesse dividido o dinheiro por Alfa e Lancia, ambas iam acabar novamente com uma gama assim-assim e nenhuma saía da cepa torta.
Ao investir tudo numa consegue uma gama mais coesa e aumenta a probabilidade de sucesso. Entre as duas a escolha recaiu na Alfa porque tem maior potencial global - nomeadamente nos EUA e na China, onde seria mais difícil para a Lancia ganhar clientes.
E não se enganem - se o plano da Alfa para os próximos anos não resultar, seja por falha na execução ou por má aceitação do mercado, daqui a 10 anos também desaparece. Por outro lado, se esse plano resultar e as restantes marcas da FCA continuarem a crescer como tem acontecido nos últimos anos, talvez daqui a 10 ou 20 anos o grupo se possa dar ao luxo de ressuscitar a Lancia como deve ser.

PS: por curiosidade, e talvez pareça contraditório, mas a verdade é que a Lancia vendeu mais do que a Alfa em 2015, 62K vs 57K.

A Alfa Romeo não vai acabar como a Lancia mesmo se o novo plano para a marca não resultar (eu acho que vai resultar), a Alfa é uma marca muito apetecível e há vários grupos que gostariam de a comprar.
 
A Alfa Romeo não vai acabar como a Lancia mesmo se o novo plano para a marca não resultar (eu acho que vai resultar), a Alfa é uma marca muito apetecível e há vários grupos que gostariam de a comprar.
Também acho que tem potencial para funcionar e se se despacharem com um spider até sou capaz de continuar com a marca e contribuir para isso [:D]

Tinha-me esquecido da possibilidade de venda, de facto é mais provável do que fechar as portas.
 
Hoje há instantes vi um Lancia Y já com o restyling de Fevereiro de 2016. Ficou melhor! Mas lá está, se vender 10 unidades em Portugal este ano será uma sorte. Ter visto este Lancia é muito mais difícil que ver um Porsche!
 
Se é, já não me lembro de ver um Lancia novo, mas também de momento a Porsche tem uma gama muito maior que a Lancia.
Mas o facelift do Y não era apenas para os italianos?
 
Alfredo Altavilla (Chief Operating Officier FCA Emea) ha dichiarato: "In Italia la Lancia è vitale. È anche vero che la Lancia ha una sua missione definita, incentrata sulla Ypsilon, e su questo modello resteremo focalizzati.

La Lancia è rappresentata degnamente dalla Ypsilon e in questo momento non ci sono le basi per un allargamento della gamma per un motivo molto semplice, e cioè che purtroppo Lancia è un fenomeno spiccatamente italiano. All'estero Lancia non ha una grossa penetrazione. Di questo ce ne dispiace enormemente, però c'è un momento in cui bisogna fare i conti con la realtà e la realtà è che fuori dall'Italia, malgrado gli investimenti che abbiamo fatto negli ultimi sei-sette anni, non siamo riusciti a guadagnare quella credibilità che, per esempio, il marchio Alfa Romeo ha conservato anche quando aveva pochi prodotti in gamma. Ed ecco che quindi abbiamo deciso di ritagliare Lancia sul mercato italiano, di investire per rinnovare la Ypsilon... questo è un intervento importante, su cui abbiamo investito quasi cento milioni... e continueremo a investire per tenere viva la presenza di Lancia nel segmento B in Italia".

http://passioneautoitaliane.blogspot.pt/2016/03/altavilla-investiremo-nella-presenza-di.html
 
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