Crash, quando percebemos bem de determinado assunto, esse nosso conhecimento tende a toldar-nos um pouco a visão mais simplista/generalista do que está a ser avaliado.
O Série 5 em termos de design até pode estar bem desenvolvido, mas se todos fossemos a avaliar um carro pelo rigor técnico do design, andavamos todos de Fiat Multipla.
Como a EVO escreveu, quando o M5 foi lançado, escreveu o manual para os supersaloon's, mas beleza foi coisa que nunca entrou na equação da BMW e depois de conduzirem o Maserati, concluem que a delicadeza também não.
Beleza Requinte Performance - Maserati
Quanto mais conhecemos sobre um assunto, em teoria, menos toldada a visão deveria ficar. Apenas e só porque conseguimos um maior nivel de argumentação sobre o tópico, e no caso de design automóvel, ou mais especificamente aqui, a questão de styling automóvel, conseguimos fugir à questão do gosto para justificar opiniões.
Uma das coisas que se aprende quando se estuda Arte, é que nem sempre a procura do Belo entra em questão. O Expressionismo alemão, do inicio do séc XX, seguiu precisamente o contrário, explorando o Feio. Ou quando olhamos para a Fonte de Marcel Duchamp, que não passa de um urinol invertido e assinado pelo artista, acho que temos todos de concordar que não é propriamente uma procura do Belo, mas sim uma atitude provocatória, questionando o significado da Arte no processo.
O mesmo se aplica ao design automóvel.
A diferença, é que, o que se projecta em design, tem de vender a um mercado.
As opções estilisticas da pele dos produtos não procuram avidamente o Belo.
O Belo vende, sem dúvida. Mas não é garantia de sucesso garantido. Basta olhar para o caso da alfa, no qual a estética dos seus produtos são dos que geram maior consenso, pela positiva, mas devido a outros factores não fazem dela lider de vendas nos segmentos em que concorre.
O caso do XJ é paradigmático. Linhas consensuais, baseadas em principios estilisticos de há 4 décadas atrás, época que nos deu os carros mais belos de sempre. No entanto, vendas abaixo do previsto, apesar de este ser o XJ mais completo e o melhor de sempre (seja a nivel de ofertas de motores, a nivel tecnológico, ou até em questões de habitabilidade e conforto).
Para considerar o XJ uma obra-prima, só mesmo o original. O resto não passa de restylings.
No caso BMW 5, a sua notabilidade estética não se deve à procura obsessiva do Belo, mas sim à exploração de uma nova linguagem visual e é nesse aspecto que o Bangle vence. E é, sem dúvida, das linguagens mais influenciadoras actualmente. Naõ digam que é de hipermercado, que isso é uma bacorada de todo o tamanho. Basta olhar à volta. O S da Mercedes, o kinetic design da Ford são apenas alguns exemplos da influência do Bangle no mundo automóvel.
A exploração de novas linguagens estéticas deve ser incentivada.
O risco de empobrecimento da cultura visual é grande quando se continua a apostar no retro.
O retro é ausência de ideias, por muito bonito que possa ser (mini, 500, ford gt, xj). Que raio de humanos somos nós que nos deixamos estar agarrados ao passado? Felizmente, há pessoas que ousam olhar para a frente, sair da norma, dos standards pré-estabelecidos. Só assim, a experiência estética se enriquecerá.