Voçês podem achar isto muito engraçado eu confesso que não acho graça nenhuma.
Porque acho uma javardice este nível de contacto entre um bébé e um cão, em que facilmente o miúdo mete a boca no cão, engole pelos, etc. e acho que encerra sempre algum risco de o cão mesmo inadvertidamente magoar o bébé.
Compreendo o teu ponto de vista e aceito que encerre em si alguma razão, mas exagerada e algo facciosa.
As pessoas têm imensa facilidade em achar mais nojo nos animais do que nas humanos.
A minha gata é muito mais asseada que a maioria dos humanos. Está sempre a lamber-se e a limpar-se. Quando está suja, chama-me.
Mas olha, há por aí muita gente bem mais porca que os animais.
És homem e sabes bem a quantidade de pessoas que mesmo num local público diante de outros acabam por não lavar as mãos depois de uma ida ao WC.
Outros deixam cair o cigarro ou a pastilha elástica e apanham-na do chão e levam-na à boca.
Outros têm encardido o local mais porco no ser humano, as unhas, e levam-nas à boca e a todo o lado.
E o que dizer dos que não mudam a roupa durante meses, e que cheiram mal por todos os poros?
Há pessoas que urinam em qualquer lado e que não se lavam quando vão obrar.
A quantidade de pessoas com o dedo no nariz ou a coçar o traseiro ou os genitais, nem se fala.
E quanto à higiene pessoal diária, essa é um mito ainda por desvendar.
Pessoas que andam em cima dos sofás e da cama com o calçado que pisou a rua, o que serão?
E aqueles que transpiram ou tresandam de uma bebedeira ou transpiração, com cheiro a tabaco na roupa e corpo, serão mais asseados?
Isto já para não falar nos rituais, fetiches, tradições e afins que misturam imundice com atos irracionais.
Não preciso de especificar mais que é hora do jantar e não quero tirar o apetite a ninguém.
Como vês é tudo uma questão de conta, peso e medida no modo como distribuímos os nossos olhares críticos.
Javardice temos nós muito mais e não vejo tanta gente assim enojada.
Em muitos aspetos temos ainda muito que aprender com os animais, antes de lhes apontarmos o dedo.