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Ovar - Multinacional em crise
Yasaki Saltano põe 533 na rua
A multinacional japonesa Yasaki Saltano, sediada em Ovar, anunciou ontem a intenção de avançar com o despedimento colectivo de 533 trabalhadores, ou seja, todos os que estão envolvidos na produção de cablagens para o modelo Corolla da Toyota. Em suspenso ficam os restantes 450 funcionários que operam com o modelo Avensis.
Ao que o CM apurou, o fim da laboração está já marcado para o próximo dia 24, no entanto, a empresa tem que cumprir com a nova lei dos despedimentos e negociar a saída dos trabalhadores com o Ministério do Trabalho e com os representantes dos trabalhadores.
Esta é a segunda leva de despedimentos na Yasaki, depois de, em 2005, ter anunciado a deslocalização de duas linhas de produção para a Eslováquia e a Turquia. Só durante esse ano saíram 800 trabalhadores de um universo de 1500.
A notícia do despedimento colectivo foi dada pela administração da empresa, ontem, à tarde, aos representantes do Sindicato das Indústrias Eléctricas do Centro, que haviam feito um ultimato à empresa para que revelasse os seus planos para o futuro da produção na fábrica de Ovar.
Os trabalhadores, apanhados de surpresa, apenas vão discutir a situação na próxima segunda-feira, em plenários marcados pelo sindicato.
De acordo com o dirigente sindical Américo Rodrigues “as reuniões com os trabalhadores vão ser principalmente de muita informação, uma vez que já ninguém tinha muitas esperanças de que a empresa mantivesse todos os postos de trabalho”. Para terça-feira está já agendada a primeira ronda negocial entre as partes para preparar o despedimento.
TENTAR SALVAR EMPREGOS
Américo Rodrigues já não acredita no futuro da empresa. O dirigente sindical, que simultaneamente é operário da Yasaki, acredita que “a única coisa que há a fazer é tentar, através da negociação, salvar o maior número de postos de trabalho possíveis”.
“Se de 533 previstos conseguirmos segurar uma centena já não é mau”, confessa. Esta resignação subsiste da experiência adquirida em 2005, quando surgiu a primeira crise séria na multinacional.
Nessa altura, Américo Rodrigues era um dos impulsionadores da luta laboral, no entanto, após várias greves à porta da empresa, a mobilização dos trabalhadores esmoreceu e muitos aceitaram pacificamente o despedimento. Nessa altura, dos 500 que a empresa queria dispensar acabaram por rescindir 800 funcionários.
Carla Pacheco
Diário de Referência