Se até os Oasis se vão reunir depois do que os irmão Gallagher disseram, qualquer banda o pode fazer. [

] É verdade que nos passado ele disse que não voltaria a reunir a banda, mas são os 30 anos...
De qualquer forma, não vejo a carreira dele de uma forma tão negativa e numa pendente descendente. Continua a ser dos artistas mais criativos do panorama português.
Vejamos:
- 2003 album Sing me Something New: Foi a primeira aventura pós Silence 4 ainda vai buscar alguma da sonoridade do passado. Deu origem à música mais famosa a solo (Someone that Cannot Love). Talvez o albúm mais à figura da imagem que havia dele.
- 2004 Projeto Humanos: Extraordinário projeto com Camané e Manuela Azevedo. Creio que é um projeto pouco recordado. Talvez tenha sido a primeira verdadeira chamada de atenção para a qualidade da obra de Variações.
- 2005 album Our Hearts Will beat as one: Segundo album a sola e na onda do primeiro. Apresenta a primeira música em PT a solo. Neste albúm dá a conhecer ao mundo a Rita Redshoes, num dueto muito interessante.
- 2007 album Dreams in Colour: As tours começam, literalemente, a ganhar cor e espetacularidade. Continua a ter alguns música mais dark, mas começa a apresentar músicas mais festivas e com grande dimensão cénica (Dreams in colour ou The ranging light) ao vivo, mas ao mesmo tempo música muito comerciais e que ficam no ouvido (Kiss me, oh kiss me e Superstars II). Tem também uma interessante cover da música Rocket Man.
- 2009 albúm Between Waves: Volta um pouco às origens, com música mais calmas mas com sonoridades diferentes.
- 2012 albúns Seasons (Falling e Rising): A cor regressa. No Falling encontramos duas músicas muito boas (At your door e I'll see you in my dreams), mas não se tornou um volume própriamente popular. O Rising é mais arrojado e, na minha perspetiva, marca definitivamente o arranca para exploração de novas fórmulas musicais.
- 2015 albúm Futuro eu: É o primeiro albúm completamente em português e, creio eu, surpreendeu todos pela qualidade do trabalho usando a língua de Camões (embora já tivesse provado que o sabia fazer). Tem algumas músicas muito interessantes, uma delas em dueto com a Márcia. Diria que neste albúm começam os sinais do que seria o DF dos anos seguintes, especialmente nas duas primeiras faixas.
- 2017 Bowie 70: Mais uma homenagem, desta vez a David Bowie com Camané, Manuela Azevedo, Aurea, entre outros. Penso que, à semelhança de Humanos, foi mais um projeto vencedor.
- 2018 Radio Gemini: Talvez seja o albúm mais diferente de tudo o que tinha feito até então. Foi por esta altura que ele se divorciou. Não sei até que ponto a vida pessoal não terá influenciado a vida artistica. Apesar do album ter uma abordagem muito diferente dos outros, tem algumas música interessantes (Slow Karma, Oh my heart, Get up) e algumas guilty pleasure.
- 2022 Living Room Bohemian Apocalypse: Se o albúm anterior já me tinha chocado um pouco, o primeiro impacto deste também foi muito estranho. Este albúm é filho do Covid 19 e foi lançado de uma forma muito criativa. Tem apenas 7 faixas com as quais tenho uma relação amor/ódio.
Não há artista, seja em arte for, que agrade a todos, mas temos que admitir que o David Fonseca tem sido ao longo desta décadas um artista diferenciado. É cada vez menos um artista de massas.
Creio que o talento dele tem sido, de uma forma geral, pouco reconhecido. Grande parte da carreira dele, nomeadamente vídeo clips, material promocional e gravações, são feitas em modo auto didata. Creio até que terá sido dos primeiros artistas portugueses dar uso aos meios digitais para promoção e comunicação com os fãs.
Também não nos podemos esquecer que já entrou nos 50. Quantos artistas se mantêm criativos e no ativo com regularidade nessa faixa etária?