330i
Well-known member
Vou deixar aqui este post, que vale a pena ler.
Obviamente só o conseguirá entender quem conhecer a história politica do Estado de Israel, e saber minimanente das "razões" seculares de toda a pegada de ódio e perseguição a que o povo Judeu tem sido sujeito.
Em cada momento histórico em que o sangue judeu é derramado, dos linchamentos medievais às sevícias inquisitoriais, dos crematórios de Auschwitz aos túneis de Gaza, surge sempre, inevitavelmente, do fundo da treva fétida onde chafurda à espera e à espreita e atraída pelo cheiro do sangue a escorrer, a figura satânica do contextualizador, do justificador, do desculpabilizador. Numa palavra, do acusador (é também isso que significa, etimologicamente, a palavra Satanás).
O sangue judeu é sempre culpado do seu próprio derramamento. Há sempre uma razão, um motivo, um contexto. Próximo ou longínquo, de acordo com a maior ou menor facilidade em contextualizar massacres, indiscriminados e celebrados, de pessoas inocentes. Dreyfus, sendo judeu, só podia ser culpado de traição e alguma coisa os judeus fizeram com certeza para sistematicamente congregarem o ódio de tanta gente decente na Alemanha de ontem e um pouco por todo o mundo de hoje. A partir de um certo ponto, o número devém unanimidade e a unanimidade, como sabemos, tem sempre mais razão do que Zola. São milénios de unanimidade e contexto: não há nada mais unanimemente contextualizável do que um judeu culpado — e morto.
A mão que, em cada momento histórico, derrama o sangue judeu é apenas, no fundo, o instrumento ignorado da culpabilidade judaica executando a sua própria, e merecida, sentença: os judeus são o seu próprio castigo divino e o seu próprio pogrom humano. São os próprios judeus, no final de contas, que, através do inquisidor medieval, do oficial nazi, do terrorista islâmico — insondáveis instrumentos da justiça divina —, se massacram a si mesmos. Derramar sangue judeu, seja de mulher, de idoso ou de bebé, nunca é simplesmente indesculpável. Porque a culpa, quando devidamente contextualizada, é deles.
E é por isso que o sangue judeu derramado é o sangue perpetuamente contextualizado, o sangue des-sanguinizado, é o sangue que não é bem sangue: o sangue judeu é o sangue cujo derramamento é sempre imputado à própria vítima. O sangue judeu derramado não pode ser denunciado e exposto como sangue inocente. Temos de contextualizar o derramamento, temos de mentir sobre o sangue, temos de ocultar a verdade porque, justamente, reconhecemos o crime: é que o sangue judeu derramado está afinal nas nossas mãos. E como se vê, não importa que o sangue judeu esteja a ser derramado, não nas páginas de uma velha crónica medieval, mas diante dos nossos próprios olhos. Nu e cru, como o corpo daquela jovem, brutalizado e cuspido, torcido e estendido na caixa aberta de uma carrinha e debaixo da bota de um demónio à solta.
A mentira cega. A mentira é uma forma de escuridão. E é a mentira que, multiplicando infinitamente os seus ardis, tem vencido. O contexto é o novo ardil da mentira. O mundo escureceu ontem. Mentirosos, é a única coisa que nos resta agora enquanto canalhas milenares: olhar para as mãos manchadas de sangue dos assassinos de judeus e, vendo nelas as nossas próprias, continuar a mentir a nós mesmos de que as mãos não são nossas nem deles, de que não fomos nós nem eles: foram os judeus, são sempre os judeus.
Miguel Granja
1 d
Obviamente só o conseguirá entender quem conhecer a história politica do Estado de Israel, e saber minimanente das "razões" seculares de toda a pegada de ódio e perseguição a que o povo Judeu tem sido sujeito.
Em cada momento histórico em que o sangue judeu é derramado, dos linchamentos medievais às sevícias inquisitoriais, dos crematórios de Auschwitz aos túneis de Gaza, surge sempre, inevitavelmente, do fundo da treva fétida onde chafurda à espera e à espreita e atraída pelo cheiro do sangue a escorrer, a figura satânica do contextualizador, do justificador, do desculpabilizador. Numa palavra, do acusador (é também isso que significa, etimologicamente, a palavra Satanás).
O sangue judeu é sempre culpado do seu próprio derramamento. Há sempre uma razão, um motivo, um contexto. Próximo ou longínquo, de acordo com a maior ou menor facilidade em contextualizar massacres, indiscriminados e celebrados, de pessoas inocentes. Dreyfus, sendo judeu, só podia ser culpado de traição e alguma coisa os judeus fizeram com certeza para sistematicamente congregarem o ódio de tanta gente decente na Alemanha de ontem e um pouco por todo o mundo de hoje. A partir de um certo ponto, o número devém unanimidade e a unanimidade, como sabemos, tem sempre mais razão do que Zola. São milénios de unanimidade e contexto: não há nada mais unanimemente contextualizável do que um judeu culpado — e morto.
A mão que, em cada momento histórico, derrama o sangue judeu é apenas, no fundo, o instrumento ignorado da culpabilidade judaica executando a sua própria, e merecida, sentença: os judeus são o seu próprio castigo divino e o seu próprio pogrom humano. São os próprios judeus, no final de contas, que, através do inquisidor medieval, do oficial nazi, do terrorista islâmico — insondáveis instrumentos da justiça divina —, se massacram a si mesmos. Derramar sangue judeu, seja de mulher, de idoso ou de bebé, nunca é simplesmente indesculpável. Porque a culpa, quando devidamente contextualizada, é deles.
E é por isso que o sangue judeu derramado é o sangue perpetuamente contextualizado, o sangue des-sanguinizado, é o sangue que não é bem sangue: o sangue judeu é o sangue cujo derramamento é sempre imputado à própria vítima. O sangue judeu derramado não pode ser denunciado e exposto como sangue inocente. Temos de contextualizar o derramamento, temos de mentir sobre o sangue, temos de ocultar a verdade porque, justamente, reconhecemos o crime: é que o sangue judeu derramado está afinal nas nossas mãos. E como se vê, não importa que o sangue judeu esteja a ser derramado, não nas páginas de uma velha crónica medieval, mas diante dos nossos próprios olhos. Nu e cru, como o corpo daquela jovem, brutalizado e cuspido, torcido e estendido na caixa aberta de uma carrinha e debaixo da bota de um demónio à solta.
A mentira cega. A mentira é uma forma de escuridão. E é a mentira que, multiplicando infinitamente os seus ardis, tem vencido. O contexto é o novo ardil da mentira. O mundo escureceu ontem. Mentirosos, é a única coisa que nos resta agora enquanto canalhas milenares: olhar para as mãos manchadas de sangue dos assassinos de judeus e, vendo nelas as nossas próprias, continuar a mentir a nós mesmos de que as mãos não são nossas nem deles, de que não fomos nós nem eles: foram os judeus, são sempre os judeus.
Miguel Granja
1 d