Desculpem a frontalidade, mas não é nenhum de nós que vai validar qual é o "estudo" que está bem desenhado e implementado, quais são os que são para descartar por erros grosseiros, etc.
Quando muito discutir com base em Revisão Sistemática e/ou meta-análise ... e mesmo assim com muita cautela.
É que bioquímica, fisiologia e imunologia - mesmo ao nível duma cadeira básica duma Universidade "de jeito" - são temas duma complexidade enorme.
Querem realmente "perceber" o que onde eu quero chegar? Basta deslocar-se a uma Fnac ou uma Bertrand e pegar num livro técnico de qualquer das áreas que eu citei.
É que face à complexidade, é um "tirinho" para entrar na zona Dunning-Kruger ...
Vamos discutir - com o mínimo de validade - física quântica ou dinâmica de fluídos com base em conhecimentos básicos e uns bitaites duns pseudo-experts? É claro que não.
Já reparaste na forma como eu coloquei o que escrevi anteriormente?
"vários estudos apontam resultados práticos neste sentido"
"Terá alguns efeitos..."
Ou ainda (lá está o tal cherry picking): "(valores de alguns estudos dão aumentos demasiado baixos para serem taxativos e conclusivos, mas demasiado altos para serem ignorados)" - se isto não é o mesmo que dizer: requer mais estudos para chegar a uma conclusão, não sei o que será.
Já estive envolvido em alguns trabalhos de investigação,
apesar de estar longe de ser o meu dia-a-dia. Sei qual a validade de um estudo científico e quais as limitações dos vários tipos de estudos, sejam eles derivados de estudos de caso, prospectivos ou retrospectivos ou revisões bibliográficas (existem mais tipos de artigos, mas estes são os mais comuns na área da saúde) e, mesmo assim, já fui enganado várias vezes em vários estudos.
Os estudos de revisão bibliográfica são, se calhar, os mais fáceis de entender e retirar sumo, mas, do mesmo modo que existem aldrabões no youtube, eles não deixam de existir, também na comunidade científica e conheço variadíssimos casos de revisões bibliográficas feitas a pedido, excluindo os artigos que mais lhes convinham excluir, por isso é que não é meu habito ir por aí, mas fazer um breve skimming pelos estudos de caso e perceber os seus resultados e conclusões. Esses são, normalmente, de acordo com a minha experiência pessoal, mais fiáveis.
De qualquer modo, seria uma discussão para outro tópico. No tópico em questão, mais uma vez repito, eu não sou contra os suplementos, muito menos contra a creatina. Eu tomo suplementos.
O que eu sou contra é embarcar na carruagem destes doutores da treta que polulam pelos youtubes, em que o objectivo não é informar, mas sim ter views. Não nos podemos esquecer que o youtube não é uma fonte de informação, mas sim uma fonte de entretenimento. Ter sucesso no youtube tem valor, mas como entertainer, não como sumidade em assuntos científicos.
Vou dar um exemplo:
Em 1865 foi viver para os estados unidos um puto com 20 anos que apenas tinha o 5º ano. Esse puto trabalhou em várias áreas, mas teve, desde cedo, uma ligação com as ciências espirituais. Acabou por abrir uma mercearia, onde, numa sala dos fundos, praticava sessões de cura com imanes. O senhor que fazia a limpeza da mercearia e do "consultório" tinha uma filha que alegadamente teria graves problemas auditivos. Este senhor, através de uma sessão de massagens nas costas com os ditos imanes, alegadamente curou a moça da sua surdez. Na verdade a história contada por ela envolve apenas levar com um livro nas costas com força enquanto ele contava uma piada ao pai dela.
Juntou a sua descoberta com o livro que estava a ler (Princípios de Osteopatia do Andrew Still) e fundou uma escola para ensinar a tratar as pessoas através da coluna. Ainda foi preso por praticar medicina sem licença, mas a labia era tanta que acabou por sair do estado em que se encontrava e ir fundar outras 3 escolas em outros tantos estados.
Esse senhor chamava-se Daniel Palmer e é considerado o pai da quiroprática...
Portanto charlatões com sucesso não são uma descoberta recente, e, inadvertidamente, porque pegou no livro certo, até acabou por acertar numa série de teorias, mas não deixa de ter sido um charlatão!