Dado... Mas ninguém faz as contas ao que eles custam todos os anos a manter para estarem vazios.... Ainda há pouco num zapping apanhei qq coisa do estádio do Braga, projectado para custar uns 30, afinal custou 200 (pequena derrapagem...) e em cima disso a câmara já pagou uns 80M .... Quem paga, o palerma que trabalha 10h dia para pagar 50% do que ganha em impostos....
O estádio do Braga nunca foi projetado para custar 30 e tal milhões...
Os 30 milhões era o orçamento para o estádio que estava inicialmente previsto, noutro lugar da cidade, estadio municipal do mesmo nível de tantos outros que foram feitos para o euro 2004 (Guimarães, Coimbra, Leiria, Aveiro...).
Depois foi proposta uma nova localização com uma ideia completamente diferente, um custo também completamente diferente, e que teve de ser aceite e validada pela Câmara Municipal, assembleia municipal e outras entidades a nível nacional e internacional.
Fala-se muito nas derrapagens, mas essas existiam e vão continuar a existir, pelo menos enquanto os modelos se mantiverem mais ou menos nos mesmos moldes atuais.
Entre o lançamento do concurso público (se for o caso) e a conclusão da obra, por norma passam-se vários anos, e nesses anos no mínimo há escalada de preços, umas vezes maiores, outras menores. Basta só a diferença temporal entre o lançamento do concurso de ideias e o lançamento d e concurso para preço da construção para haver diferenças significativas.
Mas o maior problema disto é político, e falta de realismo que quase sempre impera na classe política e na sociedade em geral, acham que ainda vivem num mundo de há 10 anos atrás.
Na maioria dos casos os concursos em Portugal são lançados com valores de referência extremamente baixo em que muitas vezes nem sequer correspondem ao programa que querem executar. Depois com o desenvolvimento do projeto, as múltiplas especialidades, os custos de construção e as derrapagens devidas a inflação e erros, mais juros dos financiamentos, os preços disparam.
O que mais chateia nisto tudo é que, sendo o orçamento (e muitas vezes os honorários) uma das partes em avaliação num concurso, às vezes a única, quem meter uma dose maior de realismo tem como resultado trabalhar para aquecer, porque não vai ganhar uma única obra. [8b]
Voltando aos custos do Euro 2004, aos estádios há que somar os milhões gastos com espaço público e outros equipamentos de apoio. Em certos casos (tendencialmente quando as coisas são mais bem feitas) a área de intervenção é mais alargada, de modo a integrar melhor o equipamento e eventualmente criar infraestruturas para a cidade crescer para aquela área de modo mais organizado.
Um melhor exemplo disto foi a Expo 98, foi um investimento gigantesco para um evento, mas o que deixou de maior valor (e também o que mais custou) foi a alteração do espaço público, a criação do Parque das Nações que revitalizou e transformou drasticamente aquela área da cidade de Lisboa.
A meu ver um dos problemas do euro 2004 é que desportivamente foi um fracasso o que sucedeu após o evento, gastou-se o dinheiro em estádios que não serve aos clubes.
Em teoria os clubes deviam ter melhorado com as infraestruturas criadas, mas o que aconteceu foi o contrário, quase todos que tiveram estádios novos acabaram por cair: Leiria, Beira Mar, Académica de Coimbra, Boavista...mais o inútil de Faro, e mesmo o Guimarães também tem tido tempo de dificuldades.
De todos os casos mais gritantes são dois do Taveira.