Manoel
Piloto de Montanha
Luciano Amaral andou a ler os posts do André ! [
]
"É a história da democracia portuguesa: só o PS pode jogar em todos os tabuleiros. Foi agente de radicalização do PREC até se ter reinventado como líder de uma frente direitista para pôr termo ao PREC. Foi guardião das "conquistas irreversíveis de Abril" consagradas na Constituição de 1976 até se decidir a ajudar a revertê-las na revisão constitucional de 1989. Foi o grande ideólogo do "Estado social" durante o "guterrismo", para agora aparecer como o partido da "reforma" do "Estado social". Quer dizer, atrasou sempre o processo de transformação institucional e económica do País, para melhor poder afirmar-se depois como o único intérprete legítimo das mudanças "necessárias". Nos períodos de contenção da mudança acusa PSD e direita de serem algozes do "Estado social". Nos períodos em que assume a "necessidade" da mudança acusa-os de promoverem o "neoliberalismo selvagem", de quererem ir longe de mais. Graças a esta estratégia bem sucedida, a verdade é que o PSD ficou circunscrito, ao longo dos últimos 30 anos, ao papel de coro grego, na oposição, ou de mero gestor da realidade criada pelo PS, no poder.
Claro que o êxito do truque sempre esteve dependente de o PSD aceitar este papel vagamente decorativo. Houve apenas um momento em que a estratégia não funcionou durante algum tempo. Foi no período da Aliança Democrática de Sá Carneiro, em finais dos anos 70, quando o PSD foi motor autónomo e descomplexado da afirmação de um projecto político de ruptura com a tutela socialista do regime. Durante os dez anos de "cavaquismo", por exemplo, o PSD na verdade não ousou regressar ao espírito "sá-carneirista". Se pareceu fazê-lo inicialmente, foi apenas de forma táctica, ressuscitando momentaneamente a "bipolarização" para conquistar o poder. Mas depois logo se acantonou no espírito gestionário que é a sua tendência natural."
(...)
"É a história da democracia portuguesa: só o PS pode jogar em todos os tabuleiros. Foi agente de radicalização do PREC até se ter reinventado como líder de uma frente direitista para pôr termo ao PREC. Foi guardião das "conquistas irreversíveis de Abril" consagradas na Constituição de 1976 até se decidir a ajudar a revertê-las na revisão constitucional de 1989. Foi o grande ideólogo do "Estado social" durante o "guterrismo", para agora aparecer como o partido da "reforma" do "Estado social". Quer dizer, atrasou sempre o processo de transformação institucional e económica do País, para melhor poder afirmar-se depois como o único intérprete legítimo das mudanças "necessárias". Nos períodos de contenção da mudança acusa PSD e direita de serem algozes do "Estado social". Nos períodos em que assume a "necessidade" da mudança acusa-os de promoverem o "neoliberalismo selvagem", de quererem ir longe de mais. Graças a esta estratégia bem sucedida, a verdade é que o PSD ficou circunscrito, ao longo dos últimos 30 anos, ao papel de coro grego, na oposição, ou de mero gestor da realidade criada pelo PS, no poder.
Claro que o êxito do truque sempre esteve dependente de o PSD aceitar este papel vagamente decorativo. Houve apenas um momento em que a estratégia não funcionou durante algum tempo. Foi no período da Aliança Democrática de Sá Carneiro, em finais dos anos 70, quando o PSD foi motor autónomo e descomplexado da afirmação de um projecto político de ruptura com a tutela socialista do regime. Durante os dez anos de "cavaquismo", por exemplo, o PSD na verdade não ousou regressar ao espírito "sá-carneirista". Se pareceu fazê-lo inicialmente, foi apenas de forma táctica, ressuscitando momentaneamente a "bipolarização" para conquistar o poder. Mas depois logo se acantonou no espírito gestionário que é a sua tendência natural."
(...)