Compreendo o que o autor deste tópico diz. Não sou professor mas a minha namorada é. E por vezes conta-me coisas, umas que se passam e passaram com ela e outras que se passaram, e vão passando, com colegas. Definitivamente dar aulas nos dias que correm é algo de muito difícil.
Os jovens de hoje em dia vão para as aulas com uma total falta de educação cívica (culpa dos pais e da sociedade de trabalho, que cada vez restringe mais o contacto dos pais com os filhos), com uma atitude de total laxismo perante as aulas, a vida, os colegas e os professores. Ainda gostava de ver algumas pessoas numa sala, com vinte e tal gabirus, que não respeitam um professor, que lhe respondem mal, que o ameaçam de agressão e que, ainda por cima, vão fazer queixinhas aos pais. E aqui, com a má formação que hoje grassa na sociedade, lá vêm aquelas situações de agressões de pais a professores.
Com tudo isto (e muito mais) imagino o clima de desmotivação que afecta os professores. Acho que ninguém gosta de fazer o seu trabalho perante "criaturas" que não os respeitam. Nem a eles não ao seu trabalho. Juntando a isso a "nova" componente de violência e a falta de segurança na construção de uma carreira docente, tudo isto forma um cocktail explosivo e que afecta o desempenho (e opinião) de qualquer professor.
Muitas pessoas falam baseando-se nos seus tempos de alunos...que já passaram há alguns anos. A questão é que a sociedade atravessa uma enorme crise no que toca a socialização cordata entre as pessoas. De um tempo em que o poder estava do lado dos professores, mandando estes a seu quase belo prazer (eu com os meus 32 anos ainda apanhei algumas destas coisas), passou-se para um em que o poder está do lado dos alunos, não havendo qualquer protecção ao professor. E os alunos sabem-no e usam isso para se comportarem a seu quase (quando não total) belo-prazer.
Para terminar, concordo com o que o Professor Medina Carreira disse há algumas semanas na Sic Notícias. O sistema de ensino está a limitar-se a "tomar conta" de uma enorme quantidade de jovens que, pura e simplesmente, não querem fazer nada. Nem estudar, nem lutar pelo seu futuro (o que vai dar bom resultado neste mundo crescentemente competitivo). Devia haver um ensino estruturado numa componente profissionalizante, dando competências mais "reais" para o mercado de trabalho. Assim, como está, eles (alunos) podem andar ali, ao sabor do seu mau comportamento, porque sabem que nada lhes acontece.
PS: O facto de tantos professores pedirem a reforma antecipada, levando com uma penalização até 30% parece ser um barómetro bem real do quão difícil é ser professor nos dias que correm.