A Guerra

Um dia, quem sabe, também nesta série documental sobre a Guerra Colonial, haja a coragem de falar daquilo que ninguém ousa falar, de perceber qual o negócio por detrás da descolonização.

Os dramas de quem lá trabalhava tal como o fazia na metrópole, e que não era explorador ou detentor de terrenos ou fazendas, pessoas que como cá trabalhavam na jorna ou possuiam empregos, esses que construiram o seu futuro naqueles territórios, que tinham uma vida estável e mais risonha do que alguma vez tiveram na metropole, a todos esses cuja vida sorria pelo risco que correram ao abandonar a sua aldeia na metropole com familia e bagagem.


Ficam estes excertos, porque a justiça, para muitos, ainda não chegou.


http://ruidoeleitoral.blogs.sapo.pt/arquivo/Descolonizacao.jpg">Descolonizacao.jpg

Um dos candidatos á Presidencia da Republica , dr Mário Soares , após andar fugido á justiça portuguesa durante quase uma década , regressou a Portugal , logo que soube da existencia de um golpe de Estado.

No meio da crise civil que o país vivia , o dr fazendo uso dos seus expedientes habictuais , entregou Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné á sorte de todo o género de invasores.

Com isso milhares de familias portuguesas perderam tudo o que tinham na vida.
Alguns até a própria vida, pois foram mortos á catanáda , diante de familiares .
Tudo graças ao dr Mário Soares.

Apenas os que tiveram tempo de chegar a portos maritimos ou aeroportos, embarcaram para Portugal continental sem nada , nem sequer comida.

Vários invasores , dos quais o principal talvez tenham sido os cubanos , ocuparam a pátria que era nossa, agredindo os civis portugueses e expoliando-os de todos os seus bens.

O dr Mário Soares defendeu-se afirmando ser essa a descolonização justa e possível.

Qualquer cidadão oriundo de Angola , sabe que o proprio filho do dr , ficou lá com negócios, que nunca explicou muito bem.
Só mais tarde quando num acidente de aviação , o mesmo regressou a Portugal , onde teve o privilégio imediato de ser nomeado presidente da Camara Municipal de Lisboa , sem recurso a eleições autárquicas.
Lugar gentilmente oferecido pelo dr Jorge Sampaio.

Até hoje milhares de familias continuam á espera do reconhecimento dos bens de toda uma vida que para traz deixaram.
Posted by amadoran at novembro 9, 2005 06:40 AM
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O resto da tua vida


Com o 25 de Abril de 1974 o turbilhão chegou à nossa casa. Na cara de meu Pai eu só via desespero, na cara de minha Mãe, via medo e pressa de fugir. Nas ruas havia tiroteio e de noite ouviam-se basucas a explodir.

Um dia levaram-me de casa ao aeroporto de Luanda. Ali dormimos duas noites à espera de um avião. De Lisboa partimos para o Minho.
Chamavam-nos fascistas, retornados, apontavam-nos o dedo à cara como se fossemos uns monstros. O frio era de rachar, as pessoas não tinham alegria e a mentalidade era muito estranha. Na escola eu só via miséria e atraso. A amargura crescia a cada Inverno. Mastiguei-a lentamente e com a idade percebi que me arrancaram à força de uma vida que estava só a começar. Tinha feito a 1ª classe, andava feliz, realizada. Tiram-me o bolo da mão e só tinha dado uma trinca.

Foi duro conhecer a Mãe-Pátria. É impossível esquecer a Colónia onde nasci. Foi um sonho de menina que morreu com uma tal Revolução.

Gui
http://barnabe.weblog.com.pt
 
Já agora, que estou numa de inquirição.

Alguém sabe, como é que a fortuna do proeminente advogado Dr. Almeida Santos, radicado em Lourenço Marques -Moçambique- em 1953 até 1974 passa praticamente incólume ao processo de descolonização ?

Uns saíram de Angola e Moçambique, somente com roupinha que tinham vestida, enquanto outros, até sairam com convites para integrar governos a convites de presidentes - António de Spinola - como diria o saudoso Fernando Pessa, "E esta Hein".
 
Tambem mas não só e sabes isso bem [;)]

Para não se misturar as situações até te propunha abrires um tópico sobre a descolonização

Não tem nada a ver? Como não?

Então... O desfecho da descolonização não confirmou a fraude que foram os "movimentos independetistas"?

Não confirmou a conspiração (é isso mesmo) que andava em curso contra Portugal?

Não confirmou a cobiça internacional como causa principal da eclosão dos conflictos em Africa?

Com a descolonização todos (ou quase todos) os criminosos foram desmascarados!
 
Acabei de escaniar uma imagem de um livro de uma publicação francesa do 3º Trimestre de 1963, trata de um reportagem sobre a vida em Angola, uma autêntica “relíquia”. Esta é uma das imagens:

luandaanos60pm3.jpg


luandaanos602kt7.jpg



Pelo que vejo não me parece que denuncie algum tipo de segregação racial, muito pelo contrário, pelo semblante das crianças dá para perceber que reinava um ambiente de harmonia.

Se houvesse uma discriminação generalizada como alguns pretendem fazer acreditar será que os negritos que aparecem na foto demonstravam tanta descontracção e alegria estampada na cara?

A minha própria mãe estudou numa escola pública durante 8 anos como muitos negros e em perfeita harmonia, nada raro na epoca.
 
Não tem nada a ver? Como não?

Então... O desfecho da descolonização não confirmou a fraude que foram os "movimentos independetistas"?

Não confirmou a conspiração (é isso mesmo) que andava em curso contra Portugal?

Não confirmou a cobiça internacional como causa principal da eclosão dos conflictos em Africa?

Com a descolonização todos (ou quase todos) os criminosos foram desmascarados!

Na minha opinião, não tem

São situações que se complementam, mas são distintas

Tão diferentes e tão iguais [;)]
 
E no 3º episódio tivemos os CRIMES DE GUERRA perpetrados pelas FORÇAS ARMADAS PORTUGUESAS, devidamente fomentados e orientados pelo ESTADO PORTUGUÊS. IMPUNES.

O momento em que Portugal perdeu a face para poder falar de terrorismo...

A vergonha dos esquadrões da morte de um exército de um país dito cristão e civilizado...
 
Last edited:
Óbvio, começou como e tornou-se uma guerra alimentada por ódios raciais. Mas alguns ainda acreditam em mitos de harmonias multi-culturais. O que fizemos por lá não foi muito diferente dos nazis nos países ocupados. E até havia quem falasse em genocídio das populações negras...
 
E no 3º episódio tivemos os CRIMES DE GUERRA perpetrados pelas FORÇAS ARMADAS PORTUGUESAS, devidamente fomentados e orientados pelo ESTADO PORTUGUÊS. IMPUNES.

O momento em que Portugal perdeu a face para poder falar de terrorismo...

A vergonha dos esquadrões da morte de um exército de um país dito cristão e civilizado...

Naquela altura passou a ser "Dente por dente, olho por olho"

Depois de verem as atrocidades praticadas pelos assassinos da UPA querias o quê? Que lhes dessem palmadas nas costas?

Era o matar para não ser morto.
 
Óbvio, começou como e tornou-se uma guerra alimentada por ódios raciais. Mas alguns ainda acreditam em mitos de harmonias multi-culturais. O que fizemos por lá não foi muito diferente dos nazis nos países ocupados. E até havia quem falasse em genocídio das populações negras...

Esse falso verniz estoirou logo...

As pessoas esquecem-se que para a generalidade dos brancos na ex-colónias um preto era... um preto, um rapaz, algo de depreciativo! O perto não tinha o memso tratamento do branco. O preto não era tratado por senhor, fosse qual fosse a sua idade. O preto era... um preto...

E como poderia ser diferente se era prática do estado português promover essa estratitificação, esse «cada macaco no seu galho»?!...
 
Naquela altura passou a ser "Dente por dente, olho por olho"

Depois de verem as atrocidades praticadas pelos assassinos da UPA querias o quê? Que lhes dessem palmadas nas costas?

Era o matar para não ser morto.

Um estado tem que se justificar como estado, o que desde logo o deve impedir de se tornar terrorista como aconteceu logo em 1961.

Um estado cujas forças armadas chacinaram civis como Portugal fez, perde tudo o que confere superioridade ética ao nível de estado: tornaram-se um bando, simplesmente melhor armado e fardado que aqueles que estupidamente tentaram imiktar para mostrar que eram capazes de fazer atrocidades iguais ou piores.
 
Esse falso verniz estoirou logo...

As pessoas esquecem-se que para a generalidade dos brancos na ex-colónias um preto era... um preto, um rapaz, algo de depreciativo! O perto não tinha o memso tratamento do branco. O preto não era tratado por senhor, fosse qual fosse a sua idade. O preto era... um preto...

E como poderia ser diferente se era prática do estado português promover essa estratitificação, esse «cada macaco no seu galho»?!...

Claro, essa harmonia racial era apenas propaganda para consumo externo. Nunca existiu apesar da segregação racial na maioria das colónias portuguesas ter estado longe da África do Sul e da Rodésia, sempre existiu. Mas em Moçambique não andou longe destes dois países. Aliás, Ian Smith era grande amigo de Salazar e nós tínhamos excelentes relações tanto com a Rodésia como com a África do Sul, os últimos redutos brancos de África.
 
Um estado tem que se justificar como estado, o que desde logo o deve impedir de se tornar terrorista como aconteceu logo em 1961.

Um estado cujas forças armadas chacinaram civis como Portugal fez, perde tudo o que confere superioridade ética ao nível de estado: tornaram-se um bando, simplesmente melhor armado e fardado que aqueles que estupidamente tentaram imiktar para mostrar que eram capazes de fazer atrocidades iguais ou piores.

Na guerra não há etica, há sim matar ou ser morto.

Alem disso, nestas guerras de guerrilha não se consegue distinguir os civis dos militares, pois os assassinos são ambas as coisas.

Só tenho pena de não terem tambem apanhado aqueles assassinos da UPA que foram entrevistados no programa.
 
Na guerra não há etica, há sim matar ou ser morto.

Alem disso, nestas guerras de guerrilha não se consegue distinguir os civis dos militares, pois os assassinos são ambas as coisas.

Só tenho pena de não terem tambem apanhado aqueles assassinos da UPA que foram entrevistados no programa.

Nota-se que não fizeste a tropa.

Há tribunais para julgar crimes de guerra.

E não tens pena que os assassinos do lado português estejam também impunes?!...
 
Nota-se que não fizeste a tropa.

Há tribunais para julgar crimes de guerra.

12 meses no Exercito [;)]

O problema é que os Tribunais de Guerra só funcionam para um lado e não protegem a vida dos militares no meio do mato.
 
12 meses no Exercito [;)]

O problema é que os Tribunais de Guerra só funcionam para um lado e não protegem a vida dos militares no meio do mato.

Eu estive na Marinha.

Sobre a guerra colonial falei no hospital militar com um veterano que andava em tratamento psiquiátrico, pois acordava todas as noites com o mesmo sonho de queimar vivas, com lança-chamas, várias famílias em aldeias do mato.

Ele dizia-me que aquele era o castigo pelas monstruosidades que ele cometeu e deixou cometer, sobretudo, pela leveza com que fazia aquilo. Só anos depois de regressar é que aquilo lhe bateu forte na consciência. Enquanto andou por lá dizia que até contava anedotas sobre tais feitos e todos riam no seu grupo. Disse-me a chorar convulsivamente que incendiou crianças que ainda mal andavam e que ainda hoje ouvia os seus gritos como se tudo estivesse a acontecer outra vez e ali mesmo!... Confirmou-me que recebiam ordens que não era para prender ninguém... era para caçar!... E todos riam. Dizia não compreender como pudera fazer tanta atrocidade e não se incomodar, que parecia outro. Dizia-me que sabia que estava doente da cabeça, mas que estava a melhorar, pois em Angola é que tinha a cabeça completamente fod*da enquanto andou por lá a «matar pretos e montar pretas».

Poucos meses depois de falarmos pela última vez suicidou-se.
 
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Eu estive na Marinha.

Sobre a guerra colonial falei no hospital militar com um veterano que andava em tratamento psiquiátrico, pois acordava todas as noites com o mesmo sonho de queimar vivas, com lança-chamas, várias famílias em aldeias do mato.

Ele dizia-me que aquele era o castigo pelas monstruosidades que ele cometeu e deixou cometer, sobretudo, pela leveza com que fazia aquilo. Só anos depois de regressar é que aquilo lhe bateu forte na consciência. Enquanto andou por lá dizia que até contava anedotas sobre tais feitos e todos riam no seu grupo. Disse-me a chorar convulsivamente que incendiou crianças que ainda mal andavam e que ainda hoje ouvia os seus gritos como se tudo estivesse a acontecer outra vez e ali mesmo!...

Poucos meses depois de falarmos pela última vez suicidou-se.

Mas devia ter pensado nisso era na altura que cometeu tais actos.

Matar mulheres e crianças é cobardia. nisso sou o 1º a criticar.
 
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