A pobreza que não pára de aumentar em Portugal...

Pois as tuas palavras que tal como esta imagem ...

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Ainda vão ter um qualquer rótulo por estas bandas.


Mas o site e a acção do mesmo é meritória.

apr:) apr:) apr:)
Não, não há rótulo que "caiba" a quem abraçar lutas deste tipo! Lutas nobres e com um fim infelizmente ainda muito longe, mas, ainda assim, importantes o suficiente para se caminhar nessa direcção! [;)]
 
Dinossaurio dos tempos do PREC é algo muito em voga !!

[:D]

Não espera, esqueci um outro ...

DEMAGOGO !!

[:D] [;)]


Como as pessoas normais eu gosto de andar para a frente, mas não gosto de "andar" à Ávante [;)]

...por isso, a do PREC não cola em mim [:D]


Rotulem-me do que quiserem: o que me interessa é agir de acordo com a minha consciência, e cultivar esta mesma para que aja da mais humana e melhor forma possível.
 
Como as pessoas normais eu gosto de andar para a frente, mas não gosto de "andar" à Ávante [;)]

...por isso, a do PREC não cola em mim [:D]


Rotulem-me do que quiserem: o que me interessa é agir de acordo com a minha consciência, e cultivar esta mesma para que aja da mais humana e melhor forma possível.

Deixa que eles são insistentes ... serás "preczado" à força, quer te revejas nos tempos do PREC ou não.

[:D] [;)]
 


Há muito a dizer, mas poucas pessoas a importarem-se. Daí que alguns tenham criado este site que apresenta gráficamente este (e outros) desastre da Humanidade:

http://www.poverty.com/


ou o WFP: http://www.wfp.org/english/


...é interessante que nos (enquanto sociedade portuguesa) faz mais impressão a pobreza nos países comummente sub-desenvolvidos, do que a exeistente nos nossos países (que o teu tópico bem retrata).
 
Caro gro, já muito temos dito por aqui


" Pobres pagam mais pela saúde "

Chapa Ganha, Chapa Gasta - Estudo OCDE

A Probreza no Mundo - Como será com a liberalização ?

Os custos de uma familia !


Estes são só alguns exemplos de tópicos que eu abri, mas outros há de users diferentes.

Invariávelmente tarde ou cedo os rótulos surgiram, porque parece que por muito que o assunto pobreza seja abordado é incomodo, e segundo alguns os pobres até são pobres, porque nada fazem para o deixar de ser. :sh)
 
Há muito a dizer, mas poucas pessoas a importarem-se. Daí que alguns tenham criado este site que apresenta gráficamente este (e outros) desastre da Humanidade:

http://www.poverty.com/


ou o WFP: http://www.wfp.org/english/


...é interessante que nos (enquanto sociedade portuguesa) faz mais impressão a pobreza nos países comummente sub-desenvolvidos, do que a exeistente nos nossos países (que o teu tópico bem retrata).

Caro gro, já muito temos dito por aqui


" Pobres pagam mais pela saúde "

Chapa Ganha, Chapa Gasta - Estudo OCDE

A Probreza no Mundo - Como será com a liberalização ?

Os custos de uma familia !


Estes são só alguns exemplos de tópicos que eu abri, mas outros há de users diferentes.

Invariávelmente tarde ou cedo os rótulos surgiram, porque parece que por muito que o assunto pobreza seja abordado é incomodo, e segundo alguns os pobres até são pobres, porque nada fazem para o deixar de ser. :sh)
Os que colocam "rótulos" a quem se sente com a miséria são, quiçá, parte da mole de responsáveis por existir tanta miséria por esse mundo fora. E de entre esses os que, como é evidente, não são causadores directos por essa inadmissível miséria apoiam as práticas que a ela conduzem, o que faz deles responsáveis indirectos, seja pelo apoio, seja pela indolência, seja pela indiferença!

Quem, de alguma forma, desvaloriza o valor que cada ser humano tem para dar à sua sociedade, tornando-o uma "unidade descartável" e passível de ser colocada numa bolsa de dispensáveis (como se a vida, ou a condição humana fossem dispensáveis...), ou apoiando uma indignidade dessas, é sempre directa ou indirectamente peça da máquina egoísta que apenas vê dinheiro e a manutenção de status quo.

Percebo e respeito que se lute por uma vida melhor e se pugne pela acumulação de património, se almeje e mantenha uma vida melhor. O que não compreendo é que a riqueza se acumule muito para além das necessidades nas mãos de tantos sem que, pelo menos, eles dêem valor aos seus semelhantes e percebam que as diferenças sociais, neste mundo estúpido, apenas se fazem pela quantia de dinheiro que cada um tem...
 
Caro gro, já muito temos dito por aqui



Estes são só alguns exemplos de tópicos que eu abri, mas outros há de users diferentes.

Invariávelmente tarde ou cedo os rótulos surgiram, porque parece que por muito que o assunto pobreza seja abordado é incomodo, e segundo alguns os pobres até são pobres, porque nada fazem para o deixar de ser. :sh)


Há até aqueles que se recusam a contribuir em acções de solidariedade contra a probreza porque parece que têm um vizinho que até tem posses e que se aproveita dos donativos...
 
Última edição:
Diz-se à boca pequena que a pobreza afecta 2 milhoes de pessoas em Portugal, 1/5 da população!

Isto choca-me, mas a verdade é que acredito nestes números, ou talvez em números piores, pois muitas vezes a pobreza mora ao lado e nós nem damos conta! São pessoas como nós que devido a uma falta de educação (civica, contabilistica...) não conseguem muitas vezes comer em condições para pagar as contas e créditos nos quais se metem!
[;)]
 
Quem se preocupa com a pobreza em Portugal, quer ajudar a combatê-la e/ou quer compreender os fenómenos de pobreza no nosso país, deve consultar esta organização.


Vasculhem o site, tem informações preciosas.


Link: http://www.istoincluime.org/index.htm


As pessoas não são pobres:
- Porque os seus pais já eram pobres.
- Porque têm azar na vida.
- Porque são preguiçosas.


As pessoas são pobres porque:
- O Estado tem dificuldade em erradicar a pobreza e a exclusão social
- Não conseguem ter garantia de acesso aos seus direitos, por exemplo ir ao médico, ir à escola, ter uma casa e ter trabalho.
- A riqueza ou os rendimentos se encontram mal distribuídos.
- Não conseguem falar com os responsáveis do país e dizer aquilo de que precisam.
- Não existem lugares para as pessoas falarem sobre a sua situação e sobre as maneiras de as resolver.

Para acabar com a pobreza é preciso
- Que todas as pessoas se sintam implicadas na luta contra a pobreza e a exclusão social.
- Que todas as pessoas percebam que a pobreza é uma responsabilidade global de toda a sociedade e de cada um de nós.
- Que o Estado e o Governo façam leis para lutar contra a pobreza.
- Que todos os cidadãos possam ter as mesmas oportunidades no exercício dos seus direitos.


apr:) apr:) apr:)
 
As pessoas não são pobres:
- Porque os seus pais já eram pobres.
- Porque têm azar na vida.
- Porque são preguiçosas.


As pessoas são pobres porque:
- O Estado tem dificuldade em erradicar a pobreza e a exclusão social
- Não conseguem ter garantia de acesso aos seus direitos, por exemplo ir ao médico, ir à escola, ter uma casa e ter trabalho.
- A riqueza ou os rendimentos se encontram mal distribuídos.
- Não conseguem falar com os responsáveis do país e dizer aquilo de que precisam.
- Não existem lugares para as pessoas falarem sobre a sua situação e sobre as maneiras de as resolver.

Para acabar com a pobreza é preciso
- Que todas as pessoas se sintam implicadas na luta contra a pobreza e a exclusão social.
- Que todas as pessoas percebam que a pobreza é uma responsabilidade global de toda a sociedade e de cada um de nós.
- Que o Estado e o Governo façam leis para lutar contra a pobreza.
- Que todos os cidadãos possam ter as mesmas oportunidades no exercício dos seus direitos.


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Desculpem lá mas isto é tudo BLA BLA BLA. E eu sei que é real o problema que temos em portugal com a probreza, mas isso de nao ir a escola. FDX.

Conheço pessoal com muitas dificuldades e que vão pra lá so pa destruir e prejudicar os outros.


"Que todos os cidadãos possam ter as mesmas oportunidades no exercício dos seus direitos."

Se isto em 5000 anos de historia, nunca aconteceu querem que aconteça agora. Por amor de deus.
 
Já agora que isto é só sábios e especialistas em pobreza, alguém me diz como é que é calculada a taxa de pobreza de um país? E já agora deixavam de misturar as diferentes definições de pobreza como se fosse tudo o mesmo .. só naquela de acabar com a demagogia das pessoas do costume.
 
Já agora que isto é só sábios e especialistas em pobreza, alguém me diz como é que é calculada a taxa de pobreza de um país? E já agora deixavam de misturar as diferentes definições de pobreza como se fosse tudo o mesmo .. só naquela de acabar com a demagogia das pessoas do costume.

Não é preciso ser sábio nem especialista para perceber que muitos milhoes de portugueses são pobres, isto é vivem com juma capitação mensal muito reduzida, isto é, o dinheiro que lhes sobra após o pagamento de todas as contas e após os gastos com saúde e alimentação é muito pouco ou quase nada ou, admirem-se, ainda têm que ficar a dever!! :sh)
 
POBREZA - Miséria e abandono nas ilhas do Porto.

POBREZA - Miséria e abandono nas ilhas do Porto.

A reportagem fala por si.

E vai de encontro aos variadíssimos tópicos que já abordaram aqui no forum a pobreza em Portugal.

Por exemplo alguns dos mais recentes

Isto_inclui-me.Org - Pobreza em Portugal

Ainda há pobreza !

1/5 da população vive abaixo do limiar de pobreza!

Claro, chamem lá isto de sensacionalista ou demagogo, mas o certo que estas situações ocorrem no inicio do SEC. XXI , num mundo pleno de assimetrias, e supostamente, muito evoluído para melhor.

Miséria e abandono nas ilhas do Porto

Casas com telhados que não impedem a chuva de corroer o mobiliário e onde os ratos são convidados indesejáveis, deixando marcas de mordidelas nas orelhas e caras das crianças, são realidades que ainda fazem parte do dia-a-dia de cerca de nove mil habitantes das ilhas do Porto.

Ao caminhar pelas ruas estreitas onde as casas se encavalitam, torna-se difícil não tropeçar em pequenas habitações que escondem famílias de oito pessoas. Aqui, reinventam-se os quartos de dormir e para ir à casa de banho colectiva os moradores têm de sair ao pátio.

Da casa dos Silva a vista é deslumbrante, com o Douro, em baixo, a estender-se languidamente numa imagem de postal a fazer as delícias de qualquer turista que se preze. No entanto, a beleza exterior do espaço entra em choque com a exígua habitação em que Fernanda e Serafim vivem com os seis filhos. Oito pessoas circulando num estreito corredor onde dois não passam ao mesmo tempo. Espreitando para a sala, no chão está um colchão a todo o comprimento, que serve de cama à filha, de 15 anos. Nas paredes já não se reconhece os 1300 euros gastos para melhorar a casa, há seis anos, quando saíram da barraca onde viviam. “Isto é uma miséria. Quando a nossa filha casada vem visitar-nos temos de a pôr a dormir no chão com o marido”, lamenta Serafim, de 50 anos.

As dificuldades aguçaram o engenho e este desempregado da construção civil teve artes para fazer de um galinheiro o local onde a família se reúne às refeições. Cozinha não existia: ainda há bem pouco tempo se comia em fila na escada. “Foi graças a ele que as coisas melhoraram. Ficámos muito felizes por poder ter uma mesa”, solta Fernanda.

A pobreza não roubou a esta família a alegria, mas a palavra esperança custa cada vez mais a ser dita. “Vivemos com menos de seiscentos euros para oito pessoas. O que é que se faz com este dinheiro?”, argumenta Serafim. Revoltada com a sorte, Fernanda exalta-se: “Veja bem, olhe para este menino, já foi mordido por ratos nas orelhas.”

A pesada herança das ilhas remonta à época da industrialização, na segunda metade do século XIX. O aparecimento deste modelo de habitação é indissociável da incapacidade prática do antigo centro da cidade responder à crescente procura operária. A periferia do Porto nasceu no próprio centro.

Há 48 anos, Maria Barros chegou ao Porto vinda do Marco de Canaveses a acompanhar o marido, agente da PSP. Assentou arraiais na ilha Mozes, mesmo em frente à Estação de Campanhã, e não mais saiu. Adora a sua pequena casa e relembra, saudosa, os anos em que as 22 moradias estavam lotadas. Nessa altura o espírito de vizinhança era intenso. Compartilhava-se tristezas e alegrias. Actualmente o cenário é desolador. “Cada pessoa que morre é uma casa que fica abandonada e que entra em rápida degradação”, desabafa.

Maria, agora com 78 anos, começou por pagar 250 escudos de renda, sendo que a antiguidade faz com que actualmente não pague mais de 20 euros. Muito longe dos 200 ou 250 euros de quem ainda agora procura as ilhas. Jovens com dificuldade em encontrar emprego, desempregados ou empregados precários não têm outro remédio se não procurar os preços baixos.

É na zona oriental da cidade que se situa a maioria das ilhas, mas as marcas destes aglomerados são tão evidentes que também as podemos descobrir na zona ocidental, junto à Foz. Aqui fomos encontrar António da Costa, de 78 anos, um dos dois únicos moradores da ilha 1.ª Rua Particular.

“Às vezes chove-me em casa. É antiga e já não é arranjada há muitos anos. A ilha também é aqui ao pé do mar pelo que as casas sofrem mais desgaste”, afirma, aceitando que 15 euros de renda não dão para mais.

Ao atravessar a rotunda do Castelo do Queijo, ali mesmo ao lado, a realidade transfigura-se. É outro mundo onde os BMW recolhem nas garagens das casas de dois milhões de euros ou mais.

O LUXO ALI AO LADO

Para quem passa pela avenida Brasil, na marginal da Foz, é impossível não reparar nas vistosas moradias.

Ali passamos das rendas de vinte euros para habitações cujo valor pode chegar aos cinco milhões. São casas de excepção e dão forma a uma realidade maior. Portugal é um dos países da União Europeia onde as desigualdades sociais mais se fazem sentir.

Se na restante Europa os mais ricos ganham cinco vezes mais do que os mais pobres, em Portugal essa diferença é de 7,2, segundo dados da Eurostat.

O Correio da Manhã visitou uma destas moradias, com 900 metros quadrados, avaliada em 2,25 milhões de euros, propriedade de um construtor civil. Tem mais de vinte divisões distribuídas por três pisos. O luxo e a classe andam de mãos dadas, sendo que o casal que lá vive, depois de a filha ter saído de casa, pretende mudar-se para um apartamento de menores dimensões.

No piso térreo, a sala de jantar é descomunal. Com um estilo clássico, percebe-se que ali se respira tradição. Os candeeiros de cristal impressionam, tal como o requinte dos pormenores, como o papel Ralph Lauren que forra algumas paredes da mansão. As três amplas suites incluem casas de banho recheadas de peças dos melhores mármores italianos.

Tão longe no poder económico, mas tão perto no espaço que compartilham, feitas as contas, em média, em cada mansão poderiam ser construídas 56 casas de ilha.

"ERAM ALDEIAS DENTRO DE CIDADES", Virgílio Borges, sociólogo da Universidade do Porto

CM – Em que circunstâncias aparecem as primeiras ilhas no Porto?

Virgílio Borges – As ilhas aparecem a partir da segunda metade do século XIX, com o início do processo de industrialização no Porto. O seu surgimento é indissociável da incapacidade de o núcleo antigo da cidade responder à crescente procura de habitação operária.

– Que características têm essas casas?

– Eram soluções habitacionais colectivas de um só piso, frequentemente de acordo com o modelo costas com costas, construídas sem supervisão municipal, genericamente, com materiais muito baratos e de muito fraca qualidade, sobretudo nas traseiras de habitações da pequena burguesia da área central da cidade ou em quarteirões inteiros mais ou menos resguardados, com poucas infra-estruturas e muito reduzida dimensão

– Quantas ilhas existem, actualmente, e quantas pessoas vivem nelas?

– Segundo fontes oficiais, viviam em ilhas no final do século XX mais de nove mil pessoas, que residiam em 1127 núcleos constituídos por 7654 fogos habitados.

– Em termos de sociabilidade, o que as caracteriza?

– A forte pressão demográfica e a sua inserção na cidade tornou-as num palco relevante do quotidiano do operariado portuense. O aspecto mais relevante a reter, para além de todos os efeitos da extrema necessidade na reprodução do quotidiano, será o forte interconhecimento, transformando muitos destes contextos em aldeias dentro da cidade.

– As ilhas são zonas negras da cidade?

– Nas ilhas encontramos sobretudo uma história de esquecimento e, por isso, de abandono urbano, tributária de outras lógicas como aquela que actualmente se pode documentar no centro histórico da cidade do Porto .

PÁTIOS DE LISBOA PARA OPERÁRIOS

Os interiores dos quarteirões de pequenas casas alinhadas fazem ainda parte do imaginário dos lisboetas. São os tradicionais pátios, que os filmes com Vasco Santana imortalizaram. Tal como no Porto, também a industrialização de Lisboa implicou o crescimento da procura de habitação na zona antiga da cidade e a densificação das localizações mais próximas das fábricas.

Ainda que por vezes se assemelhasse às ilhas, o pátio é formado por pequenas casas no núcleo de um quarteirão, mas não possui a uniformidade daquelas. Este modelo habitacional nunca chegou a atingir a expressão que as ilhas assumiram no Porto.

No início do século XX, quando Lisboa tinha mais de 350 mil habitantes e o Porto ultrapassava os 160 mil, viviam em pátios cerca de dez mil pessoas e nas ilhas cerca de 50 mil. No Porto, as ilhas permaneceram como a modalidade mais relevante e significativa de habitação operária, enquanto em Lisboa o pátio foi progressivamente substituído pelas vilas operárias, habitações colectivas de vários andares.

Para o sociólogo Virgílio Borges, as vilas foram uma “solução mais eficaz do que as ilhas portuenses”.

CASAS DE LUXO VALEM ATÉ 5 MILHÕES

As casas de luxo no Porto – a maioria data de há 40 ou 50 anos – podem chegar aos cinco milhões de euros. O comprador-tipo é exigente, tem mais de 40 anos e está ligado à especulação imobiliária. Não raro, são também proprietários de moradias em grandes cidades como Nova Iorque ou Tóquio.

“Para este target nunca há crise: decidem as aquisições sem grande preocupação de custos”, revela ao ‘CM’ José Eduardo Macedo, proprietário da imobiliária Chave D’ Ouro, que assume que a sua empresa tem “crescido muito nesta área de negócio”. “Crescemos cinquenta por cento este ano. Facturámos uma verba significativa”, reconhece o proprietário da imobiliária.

ILHA GRANDE, NA RUA DE S VÍTOR

Na rua de S. Vítor, freguesia do Bonfim, quase todos os portões dão acesso a ilhas. O hip-hop, ritmo preferido dos jovens aceleras, cria uma estranha mistura com o pimba, a gosto dos mais velhos. Na maior, a ilha Grande, as histórias de pobreza e abandono repetem-se ao passar de cada porta.

BAIRRO DO LEAL, NO CENTRO DA CIDADE

No outrora espaço de operários, no bairro do Leal, a morfologia das casas é idêntica à das ilhas. As crianças brincavam na rua e a alegria não faltava, agora não passam de uma memória já quase esquecida. Restam pouco mais de dez moradores, entre as quais Ernestina Xavier, de 73 anos.

ILHA MOZES, JUNTO À ESTAÇÃO DE CAMPANHÃ

A ilha Mozes, junto à Estação de Campanhã, acolheu muitos dos que chegaram ao Porto no período mais intenso de industrialização. Foi a época áurea do local, quando as casas estavam todas habitadas. Actualmente, o cenário mudou. Cada morador que morre é uma casa que fica abandonada.

POSIÇÕES POLÍTICAS

DEMOLIÇÕES DE ILHAS DESDE 2002 Câmara Municipal do Porto

A vereadora do Urbanismo, Matilde Alves, afirmou que a edilidade desde 2002 tem demolido ilhas degradadas. Todavia, nas que são de privados “apenas podemos negociar a solução mais adequada”.

UM PROBLEMA MUITO GRAVE DA CIDADE Partido Socialista

O vereador socialista, Francisco Assis, afirma que este é um dos “problemas mais graves da cidade”. Defende um plano a dez anos para reconverter o parque habitacional.

PARCERIAIS COM OS SENHORIOS PRIVADOS Part. Comunista Português

Rui Sá, do PCP, defende que algumas das ilhas podiam ser recuperadas como “memorial histórico”: “Nos restantes casos a Câmara devia estabelecer um plano de parceria com os senhorios”, argumentou.

ILHAS SÃO LOCAIS SEM SALUBRIDADE Bloco de Esquerda

João Teixeira Lopes, militante do Bloco de Esquerda, defendeu que as “ilhas são locais sem salubridade”. “A Câmara não construiu uma única habitação social. Querem os pobres fora do centro da cidade.”

SOLIDÃO NO CENTRO DA CIDADE

No bairro do Leal, centro do Porto, restam pouco mais de dez moradores, entre os quais Maria Elisa e Claudina Lopes (foto da esquerda). Com o som da bengala a anunciar a sua chegada, a dupla de 90 e 88 anos passeia. É também assim no dia-a-dia, uma tenta diminuir os silêncios da outra. “Passamos o tempo sozinhas. Valemo-nos uma à outra, os nossos filhos ajudam-nos mas têm a sua vida. De resto, estamos sós”, lamenta Maria Elisa. As duas idosas nem casa de banho têm e à noite usam um balde.

Na ilha Grande, Maria Graciete Fortunato (foto da direita) vive com o filho na casa dos 20 anos. “Isto é tão pequeno que nem dá para ele ter a privacidade para poder trazer uma namorada”, afirma entristecida. Os 342 euros por mês não dão para grandes aventuras e Graciete mostra a cozinha, sem espaço para colocar uma mesa para poder comer. “No Inverno isto é ainda mais complicado porque as telhas não impedem a chuva de passar”, diz a moradora .

NOTAS

MELHORIAS

Muitos moradores das ilhas foram às suas custas melhorando as condições de habitabilidade das casas. Essa situação verifica-se sobretudo ao nível do saneamento básico.

250 EUROS

Se as rendas dos moradores mais antigos rondam os 20 euros, actualmente quem quer morar nas ilhas paga por mês, em média, 250. São sobretudo desempregados e jovens à procura de emprego.

INSALUBRIDADE

As ilhas foram desde cedo um importante foco de insalubridade. A demolição de uma parte relevante das mesmas foi a génese do programa de habitação social camarário implementado desde de 1956.

ONZE MIL CASAS

Quando a população do Porto rondava os 170 mil, os habitantes das ilhas chegaram a ser cerca de 50 mil, vivendo em cerca de 11 mil casas existentes em mil núcleos de ilhas.

NOTIFICAÇÕES

Em muitos casos, na sequência de vistorias feitas pela autarquia os proprietários são notificados para proceder à respectiva demolição. Na maioria das situações são processos morosos.

VENDA DE CASAS SEM PUBLICIDADE

A maior parte das casas de luxo da cidade do Porto não tem letreiros quando é colocada à venda. Os proprietários temem ser assediados pelas imobiliárias em busca de negócios. A venda e compra é feita dentro de um círculo fechado e sob grande sigilo.

NEGÓCIO FICA À MARGEM DA CRISE

No segmento alto não há crise, existe sempre procura. Há clientes que estão mais de dois anos em busca de casa. Têm uma boa moradia e apenas querem encontrar algo de melhor e com outras características. Estas pessoas estão à procura da casa dos sonhos.


João Carlos Malta
Diário de referência
 
Última edição:
Estará a criminalidade relacionada com a pobreza?

Estará a criminalidade relacionada com a pobreza?

Temos assistido, desde sempre, a ver relacionadas elevados índices de criminalidade associados aos chamados "bairros problemáticos", sobretudo onde abunda a miséria, o desemprego e a falta de esperança!

Os jovens desses bairros acabam, de uma maneira ou de outra, se não tiverem ajuda, por serem vítimas da estigmatização que uma vida na orla do socialmente aceite, no que às condições de vida diz respeito, e, demasiadas vezes, caem na vida do crime quase como que sacramentalmente!

Desse modo, pergunto, também por causa deste tipo de resultados não seria boa ideia ir eliminando as carências destas pessoas arranjando-lhes ocupação onde pudessem ganhar o seu pão?

E as demais, as que acabam, ou estão em vias, de perder o seu emprego, não serão também para serem tidas em consideração no que a este tipo de fenómenos diz respeito?
 
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