citação:Originalmente colocada por Boxer
Lamento este acidente e as vítimas que provocou - como o lamento em
todos os acidentes - e sinto realmente que já se devia ter começado a
fazer qualquer coisa para contrariar esta tendência.
Sei bem como são insconscientes os jovens recém-encartados (já o fui e
já fiz muita asneira nessa fase), mas é gritante a necessidade de uma
melhor e mais adequada formação no âmbito da condução e do seu ensino.
Aproveito as referências feitas neste post para ressalvar uma outra
questão, ainda relacionada com esta e que, a meu ver, só serve para
atirar areia para os olhos das pessoas, favorecendo o facilitismo e
empatando todo um processo de consciencialização, importante para que
medidas comecem a ser tomadas para resolver os problemas onde eles, de
facto, existem: a atribuição da culpa ou da causalidade dos acidentes
ao excesso de velocidade.
Pelo que li nas duas notícias referidas, o jovem condutor seguia num
Subaru Impreza (ou, como se pode lêr na notícia do DN, "num Subaru
Empresa, um automóvel de alta cilindrada."). Aqui quero fazer
uma reparo à escolha de palavras do jornalista: para além de estar
completamente a leste destes conceitos automobilísticos, faz
referência à "alta cilindrada" da viatura (que, por acaso, é apenas
um motor de 2 litros) indiciando, precipitadamente, uma opinião
desfavorável e revelando, ao mesmo tempo, algum preconceito ou alguma
ideia pré-concebida envolvendo carros potentes e condutores "aceleras".
A confirmação surge umas linhas mais abaixo, onde podemos ler que
"o desastre (...) terá sido causado por excesso de velocidade do
automobilista que ia ao volante do Subaru".
O jornalista afirma ter-se baseado nos comentários de moradores
locais para esta afirmação, mas pode ler-se nas duas notícias que
o mesmo terá ocorrido durante uma ultrapassagem. Duvido que o excesso
de velocidade tenha tido algo a ver com o decorrido, até porque
parece que o problema foi precisamente falta de velocidade. Se a
manobra tivesse sido concluída num menor espaço de tempo, a tragédia
não teria, seguramente, tido lugar. Não nessa altura, pelo menos.
O acidente deveu-se, portanto, a uma ultrapassagem mal calculada pelo
condutor, que não terá avaliado o tempo e o espaço de que dispunha
para a efectuar em segurança. Não foi, claramente, excesso de velocidade.
E é bom que as pessoas percebam que não é a velocidade que mata, seja
o excesso ou a insuficiência dela.