Sem olhar a preços, este 4C representa muito mais do que um exemplar esteticamente atraente (algo que certamente o tornará num ícone no mundo automóvel). Representa um passo em frente que obrigará todas as marcas a repensar o futuro dos seus modelos desportivos.
Neste modelo tudo foi pensado pela premissa “fazer pequeno é pensar em grande” numa nova forma de olhar o automóvel.
Materiais leves, mini motor, reforços mistos, transmissões e baterias compactas, bom controlo do vento, e dispensa do supérfluo, tudo a favor da eficiência.
A fibra de carbono utilizada na estrutura e em alguns detalhes da carroçaria e interior é a base do maior sucesso dos engenheiros – a redução do peso.
A fibra de carbono perfila-se como um material tão resistente como o aço, tão denso como a madeira, tão leve como o plástico, e com a vantagem de ser o mais estável às amplitudes térmicas, representando o sonho de qualquer designer/engenheiro.
Só peca por ser 20x mais caro do que o aço e 7x mais dispendioso do que o alumínio (mas já foi mais). Mas isso é por agora, pois estão a ser criados processos inovadores de fabrico que vão tornando a fibra de carbono cada vez mais barata, esperando-se que daqui por 2 décadas se torne material básico na construção da maioria dos veículos.
Mas vamos ver porquê que a Alfa optou pela abundante utilização da fibra de carbono.
Uma das vantagens é a ser mais resistente, contribuindo com excelência para a segurança passiva dos passageiros em caso de embate.
Daí, num chassis monocoque deste 4C ter sido levado ao extremo o uso integral de fibras compósitas “pré-impregnadas” derivadas da tecnologia que a Ferrari usa na Fórmula 1.
A fibra também beneficia a resistência torcional deste Alfa, que auxiliada pela pequena dimensão/peso do motor de alumínio na frente do carro, contribui para o equilíbrio gravitacional, essencial para o bom comportamento dinâmico que é esperado de um desportivo, especialmente no tocante à estabilidade em curva.
O isolamento térmico da fibra permite poupar gastos de energia na climatização do habitáculo, além do nível de conforto que cria e da proteção à dilatação/contração de materiais e a consequente desagradável criação de ruídos parasita.
Emagrecer é mais do que a forma, é a leveza que contribui para a melhoria da performance, contenção nos consumos e emissões de CO2, permitindo assim mais agilidade e maior poupança de pneus.
Mas a redução de consumo de combustível também proporciona maior autonomia e, por conseguinte, a necessidade de um depósito de combustível mais pequeno, fazendo com que este 4C se tenha tornado num peso pluma.
E aqui também entrou em jogo o facto de, para fazer deslocar um carro com um peso abaixo de apenas 895kg, apenas ter sido necessário utilizar um motor pequeno.
Um motor de 1.742cc e uns extremamente leves 130kg, que permitem que acelere até aos 100km/h em apenas 4,5s, consegue valores que habitualmente só estamos acostumados a ver em motores com 3, 4 ou mais litros. Louvável!
No exterior, a roupagem depurada exibe formas ondulantes para se desenvencilhar da resistência do vento. O drag relativo à aerodinâmica é conquistado por chaparia arredondada e elíptica, onde prevalecem as utópicas formas em gota que fazem com que o ar escorregue ao longo da carroçaria causando pouco atrito.
A procura da eliminação da turbulência nas cavas das rodas é notória (especialmente no “Launch Edition”), a proeminência em forma de aileron integrado na traseira funcionando como contrapeso para evitar o levantar da frente a alta velocidade, a carenagem inferior para evitar a interrupção do fluxo de ar para a traseira levando o carro a “deslizar” ainda melhor por entre o vento... enfim, nada foi feito ao acaso.
Mas a transmissão compacta e eficiente e a adoção de equipamentos simples e funcionais, vão na linha de toda a filosofia inerente à conceção deste carro – o mais simples e funcional possível (bem diferente da solução barroca do concept Veneno da Lamborghini).
E isso nota-se essencialmente no interior onde reina o minimalismo importado da simplicidade quase monobloco das superfícies suaves e sinuosas da carroçaria. Um interior onde abunda a fibra de carbono orgulhosa e propositadamente deixada à vista, onde os bancos são também eles de fibra de carbono e de vidro. Um interior prático com instrumentação ergonómica e utilização intuitiva para evitar distrações do condutor, evocando claramente a simplicidade prática dos míticos Alfa das décadas de 50 e 60.
A relação peso potência deixou de estar centrada em motores cada vez maiores para se focar agora em materiais cada vez mais leves.
Quem é que há uns anos atrás pensaria que um “modesto” motor de 4 cilindros iria ser suficiente para apresentar valores de respeito num superdesportivo?
Repensar o automóvel é isto, é olhar para ele com outra perspetiva onde nada é tido como certo e cujo maior desafio é começar exatamente do zero.
Assim, nota-se neste 4C um processo conceptual desconstrutivista que parte da Biónica, bebendo dos bons exemplos no campo da morfologia e da métrica existentes na natureza.
É pensar diferente olhando para o que funciona no mundo envolvente. Uma chita leve e veloz, um falcão com esqueleto pouco denso e ágil, um tubarão ovalóide e aerodinâmico...
Independentemente do sucesso de vendas que venha ou não a ter, este modelo representa uma viragem de página na forma de encarar o automóvel desportivo, em particular neste segmento, e uma dor de cabeça para a concorrência que não poderá ficar indiferente a esta (r)evolução.[

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