Bandidos, não apresentaram os Giulia que realmente vamos ver nas ruas...
Retirado do press-release de umas páginas atrás:
"Finally, the Alfa Romeo Giulia combines extraordinary engine performance and ample use of ultralight materials, like carbon fibre, aluminium, aluminium composite and plastic, to obtain the best weight-to-power ratio (lower than 3), enabling it to achieve a dry weight of just 1,524 kg."
Esta história do peso a seco devia ser eliminada de qualquer anúncio sobre qualquer carro. É demasiado enganadora. É comum ver este valor em superdesportivos, e em carros como o 488 ou o 650S significa diferenças de aproximadamente 150kg entre o seco e o "liquido". É muito. E ainda há que acrescentar o lastro representado pelo condutor.
Considerando o Giulia, um volume decente para o depósito de combustível e o V6 sobrealimentado, que deverá necessitar de uma expressiva quantidade de fluidos para funcionar correctamente, a confiar no que dizem no press-release, deverá dar para acrescentar facilmente 100kg ao peso anunciado. Fica a meio caminho entre o M3 e o C63 AMG.
Sem querer ferir susceptibilidades, mas... não será este um caso de gostos e, portanto, altamente subjectivo?
Pessoalmente, acho a frente do Giulia muito melhor conseguida que a maioria dos "renders" que fomos vendo ao longo dos anos. Gosto dos faróis com face praticamente vertical, tal como a área da frente estilo "muralha". Acho-a evocativa dos antigos Giulias e GTV's.
Essa "muralha" que referes poderá não ser uma escolha propositada dos designers. Cada vez mais temos assistido a uma crescente verticalização das frentes e isso deve-se, sobretudo, ao cumprimento dos regulamentos de segurança, na sempre sensivel questão dos atropelamentos.
Especulando um pouco (não tenho dados para confirmar), permite aumentar a área de contacto entre o pobre do peão e o carro em caso de atropelamento, não focando o embate num ponto apenas, gerado, por exemplo, por um párachoques saliente. Permite que a energia do embate seja distribuida sobre uma área superior, e com isso, permite reduzir o grau de ferimento da vítima. Não só essa verticalidade da secção frontal, como o uso de materiais mais softs, e distâncias crescentes entre esses materiais e hard-points (sobretudo, elementos estruturais), permite maiores probabilidades de sobrevivência entre o impacto de um automóvel com um humano, assim como redução do risco de ferimentos graves.
Os regulamentos, actualmente, interferem em demasia no aspecto do automóvel (talvez só encontrando paralelo nos EUA, na década de 70, em que até os faróis dianteiros eram regulados quanto à forma), mas mesmo assim, temos sido surpreendidos com cativantes exemplos de bom design e styling automóvel, mesmo que muitas vezes não encaixem nos nossos cânones de beleza, ou melhor, nos nossos muito limitados gostos pessoais. Mas isso não anula o facto de serem bons desenhos.
E um carro como o Giulia, vindo da marca que vem, após uma letargia enervante que mais não parecia acabar, despertaria sempre as emoções mais dispares.
Fosse pelo historial da Alfa Romeo, fosse pelas expectativas geradas pelo anúncios efectuados, fosse pelos seus apaixonados e muito emocionados fãs e anti-fãs, que, numa marca como a Alfa parece haver uma proporção desmesurada de ambos, que não permite qualquer discussão saudável sobre o tema.
Estava à espera que aparecessem as versões mundanas do Giulia para expor o meu ponto de vista sobre o aspecto do Giulia, mas como adiaram tudo para 2016, mais vale adiantar um pouco a coisa.
E para ajudar apareceu hoje este artigo (reckoner00 sempre em cima do acontecimento), que o tinha lido antes mesmo de entrar hoje no fórum:
Retiro de lá isto que resume bem o meu ponto de vista:
"It’s certainly not bad – nice surfacing, very good proportions and recognisable front-end graphics. But it’s a ‘nice’ car, the type of which others do at least as well. There appears to be a lack of confidence about its execution that makes it really rather forgettable, save for the front lamps and grille that feel applied to the too-flat front surface rather than an integral part of the overall design. Remember the first time you saw an Alfa Romeo 156? This car fails to create the same emotion."
O adjectivo "nice" acho que é mesmo a melhor definição sobre o aspecto do Giulia.
Primeiro as boas notícias. Motor longitudinal frontal e tracção traseira garantiriam um conjunto de proporções superiores quase de forma automática. Seria muito díficil estragar isso. E sem dúvida, o Giulia é no geral muito bem proporcionado. Também é possível conseguir FWD muito bem proporcionados, com a própria Alfa a ter no 156 e 159 excelentes exemplos desse exercício, mas com esta arquitectura, torna-se mais fácil. Apesar do músculo extra do QV estragar de alguma forma uma melhor percepção disso, devido ao aparato que ocorre na zona inferior da carroçaria, mesmo assim não permite esconder as clássicas proporções de um bom FR.
Também não seria díficil para a Alfa conseguir uma frente única. O scudetto, devido ao seu formato triangular, é garantia de que quando aplicado a qualquer coisa com rodas será automaticamente associado à Alfa.
Mas o scudetto por si só não deveria ser o único elemento que pudesse identificar o Giulia como um Alfa Romeo.
E é aqui que acabamos por chegar ao "nice".
Pois o que acontece para lá do scudetto acaba por cair no universo do genérico, e falta, a meu ver, alguma classe e distinção à forma como se abordou a definição das superfícies, elementos e detalhes.
Não deixa de ser irónico que a frente do 159 fosse considerada demasiada agressiva como um dos factores do seu insucesso, quando hoje em dia até o mais tranquilizador dos veículos familiares, parece que está pronto a atacar qualquer estrada como se fosse um circuito, ou tivesse pronto para nos engolir. Seja pelo crescente dimensionamento das grelhas, as suas têxturas cada vez mais vistosas, o abuso do bling bling, as óticas de dimensões generosas e contornos agressivos, DRL's metidas a martelo, as falsas entradas de ar que abundam na frente e as superfícies cada vez mais turtuosas.
Olhando para a frente de um 159, acaba por ser um exercício de restrição e elegância, quando comparado com a realidade actual.[

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Quando olho para a frente do Giulia, vejo ela cair em alguns desses vícios actuais. Dou-lhe um desconto, considerando que se trata do QV, e existem outro tipo de necessidades. Só que o resultado final, não fosse mais uma vez o incontornável scudetto, poderia provir de qualquer outro construtor.
A Alfa Romeo sempre teve bons exemplos de soluções muito próprias na definição de certos elementos, como óticas, cuidadosamente integrados, sem cair nas malhas das tendências em voga. 145, GTV, 147, 156, 159, GT e até o 166 conseguiam não só distinguir-se da restante concorrência, como as soluções encontradas, no geral, contribuiam imenso para o elevar da qualidade do desenho geral e identidade do carro.
É o que mais me chateia no desenho do Giulia. Cairam num conjunto de elementos tão vulgares e derivativos que realmente dá pena.
Não é uma questão de ser feio ou bonito, mas pior, ficamos totalmente indiferentes a estes.
O pior é mesmo a traseira. Nem uma restéa do ADN visual da marca sobrou.
Não sei porque raio decidiram por este caminho. Melhor aceitação? Não levantar ondas?
É também o defeito no apelativo Jag XE. Que coisa mais banal.
Aceitemos os factos. Não vai ser de um momento para o outro que eles vão liderar as tabelas de vendas do segmento. As expectativas de vendas nem são muito elevadas quando consideramos a concorrência já estabelecida. Porque acobardar-se tanto?
Nem o enorme difusor traseiro e as 4 saídas de escape ajudam a disfarçar o anonimato da traseira. Deviam ter mais atenção às traseiras. No meio do trânsito, acabam por ser a primeira parte do carro que vemos. Os actuais MiTo e Giulietta são facilmente identificados pelos seus rabos. Onde está essa identidade no Giulia?
Tentanto concluir, olho para o Giulia como objectivamente bem conseguido, não tendo nada efectivamente de mau no seu desenho. Mas subjectivamente, falta uns pozinhos para que quando olhamos para ele vejamos realmente um Alfa. Caso o grupo VW tivesse levado a deles avante e comprado a marca, este seria o resultado esperado (apesar de achar que sendo o Walter da Silva o boss supremo do design do grupo, ainda haveria a hipótese de vermos algo com o toque de génio como o que teve no desenho do 156).
Pode-se comparar o que o Giulia alcança com o que a Maserati alcançou com os actuais QP e Ghibli. Considero-os razoáveis do ponto de vista do styling. Acho que se deixaram perder em complicações desnecessárias. Mas mesmo assim, defendem com muito mais credibilidade o styling italiano do que alguma vez o Giulia defenderá. Demarcam-se claramente dos seus potenciais concorrentes. Não perdem apelo, não se confundem com rivais, e no geral, existe consensualidade a um nivel global.
A Alfa poderia ter arriscado mais, encontrando na sua rica história os valores necessários para guiarem os designers. Elegância, dinamismo, depuração, proporção, assertividade, distinção sempre estiveram presentes nos melhores exemplos estílisticos da marca. O Giulia fica um pouco aquém.
Caso o Giulia consiga ser o esperado sucesso comercial até poderão dizer que estas dissertações sobre o estilo do carro podem cair em saco roto, que não interessam para nada. O sucesso comercial não valida a qualidade do exercício de design/styling. A estética pode ser determinante para o sucesso comercial de um modelo, sem dúvida, e temos dois exemplos antagónicos dessa regra, nomeadamente o Fiat 500 e o Nissan Juke, mas mais uma vez não implica que o mercado seja o factor que valida a qualidade de uma solução.
E acho que o Giulia apresenta argumentos bem mais fortes para conseguir vingar no mercado que a sua estética.
Como produto, vejo-o como a melhor hipótese em muitos anos para colocar a Alfa no mapa novamente. Foram buscar maior parte dos ingredientes que se esperam de um Alfa. A começar na arquitectura, passando pela tónica na performance e dinâmica e o resto teremos de esperar pelas reviews, porque para já só conhecemos alguns números, que podem não contam a história toda.
E já chega... para já[

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