Os SUV não são sequer mais moda.
O BOOM SUV já passou há imenso tempo e não são os EUA que vão salvar a Alfa Romeo. Quanto muito aguentá-la mais uns anos.
Os SUV vendem-se mas já não são um motivo de capricho como dantes e sim, o segmento C ainda é o segmento rei na Europa.
No entanto, o segmento que mais visibilidade trará é o D.
Falamos do segmento principal das marcas premium e quer queiramos quer não, a Giulia vai ser comparada com o trio do costume.
Vai ter que se sair bem.
Estás iludido.
As vendas de crossovers/suv's não param de aumentar em todos os mercados.
E os sacrificados, dependendo do segmento, são os MPV's e os sedans.
O segmento D, na europa, tem contraído todos os anos. Durante os próximos anos deverá perder mais 2 representantes, nomeadamente o Avensis (talvez venha um Camry global, mas ainda não há certezas) e o Accord.
A sangria deverá estancar durante 1 ano ou dois, com o efeito novidade dos novos Mondeo, Passat e Insignia, mas a tendência é claramente de contracção.
Não devemos de estar muito longe de uma realidade em que os sedans do segmento D serão sobretudo pertencentes a marcas premium.
As não premium vão apostar em produtos diferenciados. Experiências como o Ds5 poderão ser repetidas, como acontecerá com a sucessora da Espace (mix MPV + SUV). A complementar os sedans veremos cada vez mais crossovers como o Ford Edge. Podemos também ver a aposta em sedans rasteirinhos ou os chamados coupes de 4p, que têm conseguido volumes interessantes, e permitem margens superiores. Mas o típico sedan do segmento D será cada vez mais um premium affair, e mesmo aí, vemos já variação a acontecer. BMW 3GT, 4 GranCoupe??
Sedans deste segmento continuarão a ter representação forte nos EUA e China. Mas mesmo aí os crossovers/suv's não param de ganhar terreno. Ainda faz pouco tempo, no mês passado ou algo assim, lia notícia que nos EUA, que pela primeira vez, os SUV/Crossovers no seu conjunto, venderam mais que os típicos sedans.
Se a Alfa Romeo realmente pretende ter uma hipótese de sobrevivência, serão os crossovers a garantir a estabilidade necessária.
Não que goste desse cenário, diga-se.
O Giulia servirá como um excelente cartão de visita para a nova Alfa, e poderá conseguir números interessantes nos EUA, mas o apetite por crossovers continua imparável.
Repare-se na tendência
- Jaguar vai ter um crossover num par de anos.
- As luxuosas Bentley, Rolls-Royce, Maserati e até a Lamborghini vão ter uma criatura destas
- Depois do sucesso do Cayenne, Porsche aposta no mais compacto Macan e deverá tornar-se no modelo mais vendido da marca.
- Lexus acabou de apresentar o NX, reforçando a gama de crossovers, porque sabe que vai vender que nem pipocas
- O Captur é um mega-sucesso na Renault, já tendo chegado ao top 10 mensal de vendas a nivel europeu, e espera-se que a marca lance mais 2 crossovers, no segmento C e D nos próximos anos.
- Citroen e DS lançaram 2 crossovers em simultâneo.
- Fiat vai lançar um 500X e não vão abandonar o Freemont, o único dos clones que teve sucesso na Europa, e ainda não se sabe se o Panda anti-Qashqai aparece ou não.
- VW vai acrescentar um SUV de grandes dimensões nos EUA, um rival para o Juke na Europa, e um provável Taigun com base Up.
- Mazda deverá apresentar em 1 ano o CX-3
- Chrysler vai ter um crossover, assim como o sucessor da Dodge Caravan deverá ser um crossover
- Notícia recente - Opel vai "suvizar" estilo dos próximos Meriva e Zafira
- Volvo inicia renovação total da gama com XC90, e XC60 é o modelo mais vendido da marca.
- a Lotus, for god sake, vai ter um crossover... jaaaasus.
Tá toda a gente focada neste tipo de coisas, porque o mercado ainda não mostrou sinais de abrandar o consumo delas.
Ao ínicio parecia moda, mas esta vai durar.
Quando a coisa estiver bem saturada, talvez comece a surgir algum cansaço.
Mas pelo menos até ao final da década, se é para fazer guito com algumas garantias na indústria auto, a palavra de ordem é crossover.