citação:
Originalmente colocada por Tó Zé
citação:Originalmente colocada por António Ribeiro
Tendo em conta que:
--> O gasóleo puro é um hidrocarboneto (constituído só por carbono e hidrogénio)
--> O biodiesel é um éster, obtido pela reacção química de um álcool com um óleo vegetal contendo ácidos gordos. Pois bem, um éster tem, na sua molécula átomos de oxigénio que poderão originar reacções de oxidação. Ora, para um motor que não esteja preparado (homologado) para o biodiesel, é natural que o material que o constitui possa sofrer danos.
Gostava (não só eu, mas todos nós) de ser esclarecido em relação a este assunto. Mas tudo foi feito no segredo dos deuses.
Não haja dúvida que o António Ribeiro demonstra ter bastantes conhecimentos na matéria. Mas eu acho que está mais interessado em demonstrá-los aqui, do que participar activamente na discussão.
O gasóleo, como os outros combustíveis derivados do petróleo, são misturas de hidrocarbonetos alifáticos (sabe o que quer dizer?) e aromáticos (?). Os ésters também são hidrocarbonetos, também têm uma cadeia de carbono com átomos de hidrogénio, e não só, ligados a essa cadeia.
O gasóleo não é das últimas fracções a serem destiladas. A seguir ao gasóleo ainda vêm muitas mais. Grande parte do gasóleo produzido provem ainda de processos de cracking de fracções de comprimento de cadeia superior e de reforming de fracções de cadeia inferior.
Têm propriedades físicas e químicas características? Têm sim senhor.
O biodiesel tem propriedades físicas próximas às de um gasóleo? Também...
Tem noção do que é uma mistura a 5%? Não quero que me responda que são 5% disto e 95% daquilo. Tem noção, na realidade, se isso é muito ou pouco?
Se calhar já meteu sem saber, gasóleo em bombas "esquisitas", com uma pureza a rondar os 95% ou menos....e o seu carro não se queixou.
Sabe quais são os produtos da combustão dos ésteres? Os mesmos de qualquer hidrocarboneto: C, CO, CO2 (dependo a proporção da quantidade de O2 presente), H2O.
Não haverá como produto da combustão, compostos com S, nomeadamente
SO2 (dióxido de enxofre) que quando hidratado, com a água proviniente da combustão, passa a H2SO3 (ácido sulforoso), composto este que ataca as partes metálicas que constituem o motor.
Só consigo ver vantagens na utilização do biodiesel. Só é pena chegar tão tarde e não se investir mais para diminuir o custo da sua produção.
Não há dúvida, caro Tó Zé, que também tens conhecimentos químicos para abordar esta matéria.
Os produtos da combustão dos ésteres são basicamente os mesmos dos hidrocarbonetos (não contaminados). Considera-se que o CO2 libertado é "reciclavél", por ser proveniente de plantas e não ser fóssil. Contudo, estudos feitos, mostram que há uma diminuição da percentagem do monóxido de carbono e um aumento dos NOx. O biodiesel de soja, girassol, etc. tem a vantagem de ser biodegradável e é inócuo para a saúde.
O biodiesel, da família dos ésters, tem, quimicamente falando, radicais semelhantes às cadeias de hidrocarbonetos mas, ao contrário destes tem átomos de oxigénio na sua molécula, o que o torna quimicamente diferente. Daí as tubagens de borracha dos motores convencionais serem atacadas por ele, com as consequências danosas conhecidas: filtros entupidos, injectores "entupidos", etc..
A percentagem de 5% é, aparentemente, muito baixa. A curto prazo, um motor convencional de gasóleo nada sofrerá e o seu comportamento não se alterará visivelmente. Agora, a prazo - não sei quantificar - podem começar a aparecer os primeiros problemas. A proporção de biodiesel é pequena, mas está lá. Também temos que entrar em linha de conta com a qualidade do biodiesel, tendo em conta, quer a matéria prima, quer o rigor no processo de obtenção. Não me parece que o uso de óleo frito queimado para a obtenção do biodiesel seja um processo a ser eleito.
O biodiesel, no caso de motores já homologados, tem efeitos mais benéficos para estes do que o gasóleo. Como tem maior poder lubrificante que o gasóleo, protege melhor as peças que contacta do desgaste, "aderindo", inclusivamente, a elas: benefício aquando do arranque, principalmente.
Se tivesse sabido antes da intenção do governo, tinha pedido um carro homologado para o biodiesel e talvez até poupasse no IA, por se tratar de um motor ecológico.
Segundo tenho pesquisado, lá fora, em países europeus onde o biodiesel está mais divulgado, inclusive o B100 (100% de biodiesel), os carros têm dois depósitos: um para o gasóleo/Bx e outro para o B100, à semelhança do que se passa com a gasolina e o GPL.
Enfim, estou preocupado, pois o meu carro é novo (3 meses), não está homologado para o biodiesel e, se houver algum azar devido ao uso da mistura B5, espero que a marca não venha com este pretexto para cancelar a garantia.
Um abraço.
PS. Há aqui duvidas quanto à incorporação do biodiesel nos vários tipos de gasóleo. Pois bem,
todos os gasóleos serão misturados com biodiesel, e não somente o "normal".