O interior é sem dúvida o aspecto mais interessante deste carro.
Minimalista, mas com bom aspecto, com as diferentes tonalidades e materiais como colocados por camadas a gerarem o interesse necessário, com aspecto arejado e cuidado, algo zen, parecendo produto da escola escandinava.
Certamente será influência para a restante indústria.
Quanto ao exterior em si, as condicionantes industriais acabaram por prejudicar o que tinha sido alcançado no concept, e mesmo esse, já muito dificilmente se poderia considerar atractivo.
Não me recordo ao certo, mas se não estou em erro, o projecto Megacity começou exactamente com o que conhecemos agora como i3.
Mas seria o fantástico concept Vision ED (futuro i8) a dar-nos a estética desta gama.
Mais uma vez, uma estética que desconstrói o volume uno da carroçaria numa série de camadas sobrepostas. Não há apenas uma pele, mas múltiplas, onde até elementos estruturais ganham visibilidade e função estética, em vez de, como habitual, ficarem escondidos pela carroçaria.
Mas se a coisa resultou espectacularmente bem no Vision ED (curioso para ver a transição para o i8), um coupé baixo (1.24m), largo(1.9m) e razoavelmente comprido (4.6m) aplicar esses principios a um pequeno MPV, curto, estreito e alto, dificilmente traria os mesmos resultados.
E desde o concept do i3, que a coisa sempre me pareceu forçada.
NOta-se o forçar na integração de elementos na carroçaria que não parecem pertencer aqueles contornos e volumes.
Continua com aspecto atarracado, nalguns pontos, até fragilizado pelas soluções que contém.
Não deixa de ter aspectos curiosos.
Deve ter sido complicado retirar "peso" à volumetria do carro.
O uso de uma carroçaria bi-color, preto mais outra cor qualquer, é a tentativa de disfarçar a altura e aligeirar a carroçaria.
O preto serve de continuação da superfície vidrada, como se houvesse uma superfície continua entre capot, párabrisas, tecto e tampa da mala.
Ao interromper o pilar A, os elementos a preto originam um elemento colorido flutuante, formado pelo pilar A e restante contorno do tecto até chegar à traseira, mais uma vez, aligeirando o aspecto.
De modo a reduzir ainda mais a altura da carroçaria, parte da base vem também em preto, e joga com a cor da carroçaria, criando algum dinamismo atrás da roda dianteira.
O problema é que aquela peçazinha parece estar ali "colada", dado que não tem ligação com nenhum outro painel.
Infelizmente não deve ter sido possivel industrialmente (ou pelo menos dentro de um custo razoável), que esse elemento fosse integrado no painel da porta, como acontecia no concept, e que realmente contribuia para um aspecto fluido.
A tirinha azul que faz parte desse conjunto na base, poderá funcionar com algumas cores, mas como acontece nas fotos já vistas, em conjugação com a cor castanho claro, champanhe, ou outra coisa assim semelhante, custa a casar.
Compreendo que o queiram usar como elemento gráfico para identificar a gama eléctrica, mas os resultados são ambiguos com algumas cores.
Dado o jogo cor/preto, deixa-se de ter percepção de uma carroçaria esculpida de um bloco. Os paineis coloridos passam a parecer estar sobrepostos a um volume ou a outros elementos.
Como diria o sr. Darth Vader na sua infinita sabedoria, "the circle is now complete"[

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Não deixa de ser curioso que o automóvel tenha surgido de um aglomerado de elementos, perfeitamente distintos entre si, com volumes perfeitamente destacados uns dos outros, elementos separados da carroçaria, etc... ; evoluiu-se de modo a confinar tudo num só volume, uno e fluido; e o futuro parece ser um regresso ao passado, onde o automóvel passa a ser um conjunto de elementos diversos, que não tem propriamente de encaixar no seguimento uns dos outros, onde essa percepção é enfatizada.
A linha das janelas é quebrada no ausente pilar B. Acho o corte demasiado abrupto, quanto comparado, por exemplo, com a rápida e fluida abertura no pilar C. Perde bastante nesse pormenor.
E continuando com aspectos menos conseguidos, na frente, todo aqueles recortes desnecessários que acontecem À volta do que suponho serem os faróis de nevoeiro, fragilizam bastante essa área colorida, sobretudo na ligação com a lateral, pois é feita apenas num ponto. Ou separavam-na de todo da lateral, como fizeram na traseira, ou arranjavam outra solução qualquer, fosse a localização dos faróis, fosse a definição das áreas a preto/cor.
Na traseira, o elemento colorido da mesma também merece algumas criticas. Se o virmos em isolamento, e a conjugação da matrícula com os elementos reflectores/ópticas, parece saído da traseira de qualquer coisa dos anos 80.
É um pormenor, mas acaba por ter um aspecto algo ultrapassado, num carro que aponta para o futuro.
No que toca ao carro em si, também considero isto o A2 da BMW. E como tal, também tenho as minhas dúvidas que vingue como se espera.
Mas quando comparado com outras propostas eléctricas, a meu ver, a BMW seguiu um caminho muito mais interessante que os outros.
Partiu do zero e não adaptou como acontece com a generalidade da concorrência.
Procurou soluções melhores, e acabará por contagiar positivamente outros modelos da sua gama, e acredito, a indústria.
Desde a industrialização da fibra de carbono, ao abandono da monocoque, a gama i é um concentrado de tecnologia, com grande foco no hardware; a linguagem estética terá os seus detractores como aconteceu com o Bangle, mas tal como aconteceu como o Bangle tornou-se o ponto de referência fulcral para o panorama visual que nos deparamos hoje; e o facto de ser eléctrico, até é o aspecto mais banal do carro.
Comparando com os Leafs e outras criaturas do género, temos um carro com estrutura em fibra de carbono, sub-estruturas em aluminio, RWD, 170cv e peso contido para um eléctrico à volta de 1200kg. No que toca a performances, pelo preço, será intocável (para já), pelo menos no mundo dos eléctricos.
Temos a primeira aplicação de rodas de grande diâmetro associado a largura contida, para reduzir atrito, acessibilidade em grande e um simbolo desejável.
Acho que tem argumentos mais que convincentes para se ir na onda eléctrica, e talvez dê para fechar os olhos ao aspecto, que certamente deverá causar muitos torcer de narizes.