Bolsa e investimentos

Concordo com quase tudo, excepto com o último ponto sobre as tecnologias alternativas. É neste preciso momento que menos se aposta nesta tecnologia. Se o petróleo está barato, tenta-se comprar o máximo possível, relegando as fontes alternativas de energia para segundo plano.

Isso não é linear. A energia solar, por exemplo, está a ficar cada vez mais barata e eficiente. Se em 2012 conseguiu paridade de custo com o gás natural na Alemanha, é normal que consiga vir a apanhar os preços correntes.
 
Segundo ouvi dizer a um tal de Greenspan, e sabendo todos de antemão, que o petroleo extraido tem mil e uma utilizações - e por isso existe a refinação entre outros processos, o petroleo de xisto é mto mais versátil nesse processo o que pode ajudar a manter a sua competitividade apesar dos preços baixos.

Por outro lado, e esta parte já é de outra fonte, mtos dos produtores de xisto tem contratos de hedging em que garantem os preços de venda, alguns a tempo tão longinquo quanto 2017.

Por essas variações não consigo fazer um prognóstico minimamente seguro.
 
Para mim, estar a apostar agora na inversão dos preços do petróleo é como tentar apanhar uma faca que está a cair... Se conseguirem apanha-la são uns heróis, mas o mais provável é cortarem a mão toda...
 
O petroleo vai voltar a subir, agora não se sabe é quando.

Não sei de onde vem essa certeza... Nada nos garante que daqui a 20 anos o petróleo enquanto fonte de energia não se torne obsoleto.

A questão da oferta e da procura é outra incógnita ainda maior, a única coisa que parece absolutamente certa, já desde o inicio da década de 1900 é que só temos petróleo para mais 10 ou 15 anos... [:D]

A verdade é que passaram mais de 100 anos e não só ele não acabou como as reservas conhecidas são maiores do que nunca, com novos poços de petróleo liquido a serem descobertos, como os do Brasil p.ex. e a tecnologia a permitir novas formas de produção, como o shale gas, já muito discutido pelas suas implicações e já explorado nos EUA e a dar passos na Europa, ou o "coal oil" que poderá começar a ser produzido dentro de pouco tempo e cujas reservas estimadas são brutais, só no Canadá foi descoberto um campo que supera todas as reservas conhecidas da Arábia Saudita..

Os preços altos do petróleo nunca tiveram a ver com uma crise de escassez de produção.. Porque o que não falta é petróleo.. As crises Trata-se tudo de crises criadas pelos governos dos vários países e com motivações essencialmente politicas e geo-estratégicas..
 
As cotações de petrolíferas andam casadas com o valor do activo circulante. É capaz de ser o sector onde isto mais funciona como um reloginho. O problema é o risco implícito de se achar que 50$/barril é um valor que vai subir no futuro.

Todos os sectores têm "tweaks" e este não é excepção: Muitos métodos de prospecção só são financeiramente rentáveis com o barril a mais de 70$: Águas profundas e petroleo de xisto são exemplo disso mesmo.

E barril a 70 ou mais permite inclusive a manutenção de regimes autoritários, fornecendo o dinheiro em quantidade suficiente para colocar em funcionamento o aparelho governamental de vários países.

A juntar a isto tudo, os EUA destronaram a Arabia Saudita como maior produtor mundial exactamente por causa da exploração do petróleo de xisto.


Mas agora vem esta segunda nação quase sozinha mostrar como se verga o mundo inteiro a seus pés se quiserem colocar o preço do liquido a 50, 40,30 ... e podem faze-lo: Porque fazem extracção quase ao nível do solo e não há investimentos a rentabilizar (ao contrário do Brasil com as plataformas oceânicas)

Portanto venderem a 50$ é quase tudo lucro, noutros países vender a 50$ nem vale sequer a pena: É guardar para stock à espera que os preços subam ou nem extrair sequer.

Vamos ver a balança:

De um lado EUA, Russia, Brasil, Venezuela, Bolivia, Angola, Irão ... tudo gente a precisar de preços com break even a 70$: Uns porque a zona e o método assim implicam, outros porque os custos de manutenção do estado estão "desenhados" para preços de petroleo caros.

Do outro a Arábia Saudita ... haja o que houver estão sempre bem: a 30$ ganham imenso, a 130$ ganham para lá de imenso. Se quiserem sozinhos abastecem o mundo inteiro e o resto do mundo sabe disso.


Eu francamente não entrava em petrolifera nenhuma neste momento! É que esta estratégia tem dois riscos enormes: O primeiro chama-se guerra, e o segundo são as tecnologias solar e eléctrica terem neste momento a oportunidade que precisam: Se o conseguirem, então o preço do barril passa a ser ZERO! Tal como na virada do século XIX para o século XX deixa de ser um produto necessário no mundo :confused: Who knows ... diziam que ia ser em 2050, qui ça seja antes disso...
Concordo. Mas não acredito que a Arábia Saudita veja com bons olhos esta queda. E como já referi se baixar ainda mais acredito que possa haver molho grosso...Achas que é a Arábia Saudita que está por detrás desta queda a pique? Eu não creio mas...
 
Concordo. Mas não acredito que a Arábia Saudita veja com bons olhos esta queda. E como já referi se baixar ainda mais acredito que possa haver molho grosso...Achas que é a Arábia Saudita que está por detrás desta queda a pique? Eu não creio mas...

A própria Arábia Saudita podia aumentar os preços se assim entendesse, bastava cortar na produção. Optou por não fazê-lo e anunciou-o na reunião da OPEC. A baixa do petróleo é recorrente de excesso de oferta para uma procura retraída.
 
Os preços do petróleo são muito elásticos com a procura. Basta a Europa começar a crescer algo que se veja e a China retomar o fôlego para os preços voltarem a subir.
 
Última edição:
Os preços do petróleo são muito elásticos com a procura. Basta a Europa começar a crescer algo que se veja e a China retomar o fôlego para os preços voltarem a subir.


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A China tem estado a aproveitar os preços baixos e a comprar todo o petroleo que consegue armazenar
 
Se não tens rendimentos em Portugal, a pergunta que tens de fazer primeiro é se Portugal é o melhor país para fazeres um PPR. É claro que a resposta tem que ver com o país onde estás: Suiça ou Afeganistão produzirão respostas diferentes.

Mas se quiseres fazer em Portugal, não tens problemas porque no resgate a tributação é autonoma a taxa liberatória.

Atenção que a fiscalidade Portuguesa vai bem ao bolso dos aforradores! Vê o site da Camara dos técnicos oficiais de contas que costuma ser muito completo nestas questões.

E não te esqueças - plano poupança reforma implica mesmo "poupar para a reforma". Digo isto porque no mercado há produtos estruturados com um risco gigantesco que quem compra pensa que leva para o futuro mais sossego para os dias cinzentos, mas pode lá chegar com bem menos dinheiro do que aquele que poupou.

De facto, estou no país do dinheiro (Suiça).
Mas de momento não me é possível fazer o equivalente a um PPR em Portugal, pois necessitava de outro permisso de residência.

Pelo que andei a ver no site de alguns bancos, fiquei com a ideia que alguns PPR tinham algum risco envolvido. E parece-me que foi também o que quiseste dizer.
O mais provável é esperar mais algum tempo, e ir tentanto na mesma guardar o dinheiro numa conta à parte.
 
De facto, estou no país do dinheiro (Suiça).
Mas de momento não me é possível fazer o equivalente a um PPR em Portugal, pois necessitava de outro permisso de residência.

Pelo que andei a ver no site de alguns bancos, fiquei com a ideia que alguns PPR tinham algum risco envolvido. E parece-me que foi também o que quiseste dizer.
O mais provável é esperar mais algum tempo, e ir tentanto na mesma guardar o dinheiro numa conta à parte.


Têm risco de capital envolvido sim! Alias têm na sua maioria imenso risco envolvido. :(:( Coisas do género "plano poupança reforma acções" são vendidas ao balcão como se complementos garantidos de reforma se tratassem quando de garantido nada têm.

E se for um PPR com taxa garantida e capital garantido explicito na ficha do contrato tens de ver as condições de desmobilização: Isto porque oferecem-te um juro quase igual a um depósito a prazo ... mas tens de ficar com o produto na mão até à reforma: Então pensa comigo - se a taxa é a mesma, porque razão te sujeitas a uma camisa de forças de só o poder desmobilizar na terceira idade?


Sabes, estás a receber em Francos Suíços, então deixa-te estar, porque estás bem. Quando falas no PPR indicas duas coisas: Que tens excesso de liquidez e que és responsável - queres poupar o excesso para um amanha em que menos terás. Usa essa tua personalidade a teu favor e contrata depósitos a prazo de capitalização intensiva e com capitalização de juros. Ou seja todos os meses reforças, por exemplo, com 1000CHF e todas as maturidades pagas são convertidas em capital revertendo automaticamente no depósito para engrossar a tua poupança. Simula no excel, porque vais ver que a longo prazo estas estratégias produzem resultados bem melhores do que "Plano poupança acções PT" ou coisa parecida.

Importante - lê ao mais ínfimo detalhe - a FIN: Ficha de Informação Normalizada, ou qualquer outro equivalente local. Tem de aparecer obrigatoriamente escrito na proposta comercial a "Garantia do Capital do Proponente".

E antes que me esqueça: Risca taxas promocionais a 90 dias. Melhor taxa a 366 dias, e que permita reforços constantes sem penalizações, ganha a parada.
 
Palpites para quem gosta de roleta russa para 2015:

- Rússia
- Petróleo
- Ouro
- Imobiliário

Não necessariamente para meter a bola a girar em Janeiro.

Deixem os vossos.



Até me custa dizer isto! :( Comida! Milho, Trigo, etc etc etc ...

(P.S. custa dizer porque quando a comida sobe ... há milhões que deixam de comer)
 
Concordo com quase tudo, excepto com o último ponto sobre as tecnologias alternativas. É neste preciso momento que menos se aposta nesta tecnologia. Se o petróleo está barato, tenta-se comprar o máximo possível, relegando as fontes alternativas de energia para segundo plano.


Talvez eu devesse ter detalhado mais este ponto. Desculpa!

Primeiro: Será que o petróleo está barato? Qual é o justo valor do liquido que está naquele barril? Este gráfico ajuda a responder:

Crude Oil Price History Chart | MacroTrends


Emerge o que alguns de vocês falaram - O preço do petróleo, como uma commodity, é composto por duas componentes: O preço operacional e o preço financeiro. O preço operacional é uma coisa nos 25$-30$, o preço financeiro tão depressa lhe mete mais 100$ em cima como os tira ... e a verdade do momento é qualquer coisa ali no meio que transforma aquele liquido numa roleta de casino e que infelizmente põe meio mundo em chamas.

Na formação do preço do produto, a Arábia Saudita é market maker: Se quiser, sozinha define o mercado. Porquê? Porque tem o bem em quantidades que mais ninguém tem a preços que ninguém consegue ter. Portanto se quiserem barril a 30$ estalam os dedos e colocam de joelhos o mundo inteiro.

E têm outra capacidade que os demais players não têm. Uma gigantesca liquidez: Nos anos 50, 60 os acordos entre os EUA e a família Saudita implicava o pagamento do petróleo na forma de obrigações. Ou seja, não recebiam dinheiro - recebiam títulos que produziam juros de cupão. Por outro lado os EUA utilizando as OT's como grau de alavanca financeira, recebiam o crude e com a venda à sua industria e consumos gerais produziam proveitos operacionais gigantes à dimensão do país. Toda a gente lucrava. E agora imaginem durante décadas deste trading, o gigante valor acumulado em responsabilidades que os Saudi detêm, e que os fazem das maiores fortunas do mundo. Portanto mesmo que vendessem petróleo a 30$ não se queixavam: O ministro saudita tem razão no que afirma - se cair para 30 está tudo bem - é o preço operacional do bem e ponto final.


Mas ... e cá vem o imbróglio todo - só é 30$ para a Arábia Saudita. Quase todos os países necessitam da commodity a preços de 70$, pois este é o preço operacional, por exemplo de quem capta em águas profundas.


Bem ... quando analisamos uma mercadoria ou uma empresa falamos dos riscos internos e também dos riscos externos. E é aqui que entram carros eléctricos, motas eléctricas, gadjets malucos, painéis solares etc etc etc. e que impacto isso tudo pode ter numa mercadoria cuja bolsa nacional abriu em Manhattan em 1882 para permitir a negociação de contratos padronizados de futuros de petróleo.


No final do século XIX houve um pequeno momento em que o petróleo quase que deixou de ser necessário: Quando as cidades americanas foram electrificadas e os automóveis ainda não existiam. Foi uma pequena janela de tempo que mostrou que podia haver um mundo sem ouro negro a dar cabo de tudo.

E agora este momento pode repetir-se: Havia dois países sem petróleo, mas com uma gigante vontade tecnológica dispostos a deixarem de depender do liquido: O Japão e a Alemanha. Tem sido um percurso de cães - contra tudo e todos e com constantes ameaças de violações de patentes etc etc etc. Agora juntou-se um terceiro: A China - A tecnologia solar chinesa está a emergir como uma das melhores do planeta e até foram um dos principais patrocinadores do mundial do Brasil (A Yingli).

O painel solar de "uso corrente" tem um rendimento de cerca de 5%. Vamos dizer assim "cada metro quadrado de painel, só consegue aproveitar 5 raios dos 100 que recebe".

Há dois lado positivos nisto: O primeiro é que há 95% de potencial cuja tecnologia actual ainda não permite captar. O segundo, é que basta o painel chegar sensivelmente aos 12% e nunca mais será precisa mais nenhuma fonte de energia no planeta.

Para se ter noção do que estou a dizer, convem ver esta imagem:

Solar energy - Wikipedia, the free encyclopedia

Um ponto preto abastece a terra inteira.


Portanto, durante esta década e na próxima vamos ter na habitação individual o problema da auto suficiência energética ultrapassado. E é engraçado que o metro quadrado de painel também é uma commodity: Não é transaccionado em bolsa, mas em sites de eProcurement é impressionante como os preços são iguais (e como também mandam empresas ao tapete! Em portugal já temos um exemplo).


Nas viaturas eu pessoalmente estou convencido que as baterias dos carros eléctricos vão evoluir como evoluíram as baterias dos telemóveis dos anos 80 para os anos 90: De tijolos para aspirinas. Quando isso acontecer, quem irá querer um carro a gasolina?


O risco exógeno do mercado petrolífero é exactamente este: A malta da electricidade e do sol conseguirem vencer de vez as barreiras que os inovadores têm de sofrer: Custo, rendimento, potência, aceitação social, democratização, distribuição ... "o problema" [kiss] é se conseguem!
 
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