Concordo com quase tudo, excepto com o último ponto sobre as tecnologias alternativas. É neste preciso momento que menos se aposta nesta tecnologia. Se o petróleo está barato, tenta-se comprar o máximo possível, relegando as fontes alternativas de energia para segundo plano.
Talvez eu devesse ter detalhado mais este ponto. Desculpa!
Primeiro: Será que o petróleo está barato? Qual é o justo valor do liquido que está naquele barril? Este gráfico ajuda a responder:
Crude Oil Price History Chart | MacroTrends
Emerge o que alguns de vocês falaram - O preço do petróleo, como uma commodity, é composto por duas componentes: O preço operacional e o preço financeiro. O preço operacional é uma coisa nos 25$-30$, o preço financeiro tão depressa lhe mete mais 100$ em cima como os tira ... e a verdade do momento é qualquer coisa ali no meio que transforma aquele liquido numa roleta de casino e que infelizmente põe meio mundo em chamas.
Na formação do preço do produto, a Arábia Saudita é market maker: Se quiser, sozinha define o mercado. Porquê? Porque tem o bem em quantidades que mais ninguém tem a preços que ninguém consegue ter. Portanto se quiserem barril a 30$ estalam os dedos e colocam de joelhos o mundo inteiro.
E têm outra capacidade que os demais players não têm. Uma gigantesca liquidez: Nos anos 50, 60 os acordos entre os EUA e a família Saudita implicava o pagamento do petróleo na forma de obrigações. Ou seja, não recebiam dinheiro - recebiam títulos que produziam juros de cupão. Por outro lado os EUA utilizando as OT's como grau de alavanca financeira, recebiam o crude e com a venda à sua industria e consumos gerais produziam proveitos operacionais gigantes à dimensão do país. Toda a gente lucrava. E agora imaginem durante décadas deste trading, o gigante valor acumulado em responsabilidades que os Saudi detêm, e que os fazem das maiores fortunas do mundo. Portanto mesmo que vendessem petróleo a 30$ não se queixavam: O ministro saudita tem razão no que afirma - se cair para 30 está tudo bem - é o preço operacional do bem e ponto final.
Mas ... e cá vem o imbróglio todo - só é 30$ para a Arábia Saudita. Quase todos os países necessitam da commodity a preços de 70$, pois este é o preço operacional, por exemplo de quem capta em águas profundas.
Bem ... quando analisamos uma mercadoria ou uma empresa falamos dos riscos internos e também dos riscos externos. E é aqui que entram carros eléctricos, motas eléctricas, gadjets malucos, painéis solares etc etc etc. e que impacto isso tudo pode ter numa mercadoria cuja bolsa nacional abriu em Manhattan em 1882 para permitir a negociação de contratos padronizados de futuros de petróleo.
No final do século XIX houve um pequeno momento em que o petróleo quase que deixou de ser necessário: Quando as cidades americanas foram electrificadas e os automóveis ainda não existiam. Foi uma pequena janela de tempo que mostrou que podia haver um mundo sem ouro negro a dar cabo de tudo.
E agora este momento pode repetir-se: Havia dois países sem petróleo, mas com uma gigante vontade tecnológica dispostos a deixarem de depender do liquido: O Japão e a Alemanha. Tem sido um percurso de cães - contra tudo e todos e com constantes ameaças de violações de patentes etc etc etc. Agora juntou-se um terceiro: A China - A tecnologia solar chinesa está a emergir como uma das melhores do planeta e até foram um dos principais patrocinadores do mundial do Brasil (A Yingli).
O painel solar de "uso corrente" tem um rendimento de cerca de 5%. Vamos dizer assim "
cada metro quadrado de painel, só consegue aproveitar 5 raios dos 100 que recebe".
Há dois lado positivos nisto: O primeiro é que há 95% de potencial cuja tecnologia actual ainda não permite captar. O segundo, é que basta o painel chegar sensivelmente aos 12% e nunca mais será precisa mais nenhuma fonte de energia no planeta.
Para se ter noção do que estou a dizer, convem ver esta imagem:
Solar energy - Wikipedia, the free encyclopedia
Um ponto preto abastece a terra inteira.
Portanto, durante esta década e na próxima vamos ter na habitação individual o problema da auto suficiência energética ultrapassado. E é engraçado que o metro quadrado de painel também é uma commodity: Não é transaccionado em bolsa, mas em sites de
eProcurement é impressionante como os preços são iguais (e como também mandam empresas ao tapete! Em portugal já temos um exemplo)
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Nas viaturas eu pessoalmente estou convencido que as baterias dos carros eléctricos vão evoluir como evoluíram as baterias dos telemóveis dos anos 80 para os anos 90: De tijolos para aspirinas. Quando isso acontecer, quem irá querer um carro a gasolina?
O risco exógeno do mercado petrolífero é exactamente este: A malta da electricidade e do sol conseguirem vencer de vez as barreiras que os inovadores têm de sofrer: Custo, rendimento, potência, aceitação social, democratização, distribuição ... "o problema" [kiss] é se conseguem!