Não sei há quando tempo cá andas, mas eu já vivi estes ciclos vezes suficientes para saber que é sempre diferente, mas depois, no fim, para o investidor que segue regras sensatas de diversificação e gestão do risco que consegue tolerar, no fim, é sempre igual.
A única vez que para mim foi um bocado diferente foi em 2022, porque os estabilizadores tradicionais de um portfólio, em especial as obrigações governamentais, caíram brutalmente ao mesmo tempo que as ações caiam. O que levou a que os rebalanceamentos que normalmente faço de forma contracíclica não tenham sido possíveis.
De resto, tenho trabalhado mais ou menos na área desde a recuperação do crash das dot com e é sempre igual. Achar que o mundo agora está diferente comparado com o que se passou em 2008-2013 por exemplo, é para meninos, numa altura o mundo todo estava a estar a entrar em colapso e tu nem sabias se o teu broker ia sobreviver, quanto mais se devias manter os investimentos em ações. Ou o que dizer das primeiras semanas da pandemia? Em que nem sequer podias sair de casa, as empresas todas a fechar e os mercados a cair mais de 30%? E agora, fazendo zoom out aos gráficos e olhando em perspectiva, as regas básicas mantém-se intocadas. Neste momento, apesar da grande guerra de palavras, esta negociação de feirante, etc.. etc.. o mundo manté-se igual, 2ª feira irei trabalhar, no dia certo receberei o meu salário, não falta nada na prateleiras dos supermercados, as empresas continuam a dar lucro e os obrigacionistas continuam a paga aos credores.
Como é óbvio, há crises que alteram brutalmente os equilíbrios que havia antes da crise. Países que ganham, países que perdem, setores que colapsam, setores nascentes que disparam. Basta pensar no Japão que chegou a dominar 50% da capitalização bolsista e teve uma bolha que quando rebentou levou mais de 30 anos para voltar a um ATH, mas quem investisse no MSCI World, ou no FTSE AW em 1990, apesar do estoiro brutal de um pais que representava quase metade do indice, hoje estaria muitíssimo bem. Daí que em tempos de incerteza seja especialmente importante manter exposições globais, não fazer apostas muito grandes em nenhum setor ou país específico, ter atenção às exposições excessivas às mega caps que compõem quase em exclusivo muitos índices, fugir dos setores da moda e se fizerem isso, continuarem a investir, certamente vão acabar bem.