Bolsa e investimentos

Quem tiver ativos em dólares, é livrar-se deles o mais rapidamente possível.

Eu tenho e numa situação "normal", ou seja com Trump calado estaria positivo quase com 100% ou até mais em média. Assim estou no limite.

Não acredito que os americanos queiram empobrecer de um dia para o outro milhares de milhões de euros, por isso quando começarem a sair os primeiros resultados negativos, ou Trump arrepia caminho ou não vai ter vida fácil. A cegueira ideológica dura enquanto houver dinheiro no bolso.
 
Alguém me explica como é que com os preços a aumentar (por via das tarifas), pode haver deflação?

Só se os bens que não estão sujeitos a tarifas descerem (no seu conjunto) mais que os aumentos que se verificarem nos bens sujeitos às tarifas (no seu conjunto).

Para já sabemos que, p.ex., os combustíveis não estão sujeitos às tarifas impostas pelos EUA.

Eu diria que o cenário mais provável, caso as tarifas avançem mesmo e nada seja feito para contrariar o seu impacto, é de estagflação, ou seja, abrandamento económico com inflação.

Nos EUA, desde que as tarifas foram postas em prática, os bens europeus importados pelos EUA estarão cerca de 20% + caros (10% via introdução da tarifa reduzida temporária + 10% via desvalorização do USD face ao EUR).
 
Alguém me explica como é que com os preços a aumentar (por via das tarifas), pode haver deflação?

Redução drástica de procura interna, por exemplo, compra de bens essenciais como prioridade das famílias, isto numa perspectiva do bloco UE, que é o que interessa.
 
Eu diria que o cenário mais provável, caso as tarifas avançem mesmo e nada seja feito para contrariar o seu impacto, é de estagflação, ou seja, abrandamento económico com inflação.

Sempre tiveram em vigor, não existe livre comércio em absoluto com outros blocos económicos. A questão nova é o valor de incidência sobre a mercadoria transacionada.
 
Alguém me explica como é que com os preços a aumentar (por via das tarifas), pode haver deflação?

Na UE pode ocorrer deflação, por via da subida do valor do Euro e do dumping de produtos da China, que estavam destinados ao mercado Americano.

Mas tudo isto é muito complexo e dinâmico, ninguém sabe exatamente o que vai acontecer.
 
"Edgar Caetano, jornalista de economia do Observador, diz ainda que o BCE "não faz ideia" se as tarifas de Donald Trump vão causar inflação ou deflação."

A curto prazo um aumento das tarifas gera inflação de forma quase automática. Equivale praticamente a um aumento de IVA, por exemplo. No médio prazo, depende. Se a guerra tarifária for levada avante, e sobretudo se for acionada de forma imprevisível e instável, pode gerar uma contração do comércio internacional acompanhada de contração do consumo e do investimento gerando uma recessão económica com aumento do desemprego, redução dos salários reais, falências de empresas, etc. Nesse caso, a médio prazo, uma guerra tarifária pode gerar deflação. Pelas piores razões possíveis.
 
Não acredito que os americanos queiram empobrecer de um dia para o outro milhares de milhões de euros

Mas é isso que está em curso e o trump não liga a ninguém, excepto aos membros do gabinete bajuladores, aqueles que começam as frases desta forma: "under your exceptional leadership..."

Aquilo é cada vez mais um regime autoritário.
 
Estava indeciso se vinha para aqui ou para o tópico de "o que é que o Trump fez hoje?!" [:p]

Aconselho os comentários do ZH, se conseguirem que o site os mostre: https://www.zerohedge.com/markets/h...president-trump-proclaims-over-easter-weekend

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Buy Gold and Silver?[:p]


Quem não conhece a maioria dos utlizadores do Zeroedge até acharia que não gostam de uma boa teoria da conspiração.[:p]
 
Se querem uma boa teoria, da conspiração ou não, é olhar para o Dollar Index.


wAAACH5BAEKAAAALAAAAAABAAEAAAICRAEAOw==
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Desde a queda do sistema de Breeton Wods que faz ciclos de 16 anos bastante certinho, em média os ciclos têm 9 anos de ciclo de subida e geralmente faz um mínimo 7 anos depois, em média sobre 70% em cada ciclo de subida e perde cerca de 40% nos ciclos de queda (para os mais distraídos, isto significa que retorna à média: 100 + 70% - 40% = 102 ).

Historicamente temos:
  • Máximo ~120 USD: 1971
  • Mínimo ~80 USD: 1978-80 (-30%)
  • Máximo ~160 USD: 1985 (+100%)
  • Mínimo ~80 USD: 1990-95 (-50%)
  • Máximo ~120 USD: 2000-02 (+50%)
  • Mínimo ~70 USD: 2007-11 (-40%)
  • Máximo ~115 USD: 2022-2025 (+60%)
Os máximos se isto fosse um relógio suiço, seriam em 1969, 1985, 2001 e 2017, e os mínimos em: 1978, 1994, 2010, 2026 😬.

Cada ciclo tem a sua historia muito própria e foram todos diferentes, mas ao mesmo tempo a verdade é que os ciclos se foram sucedendo... O tal ditado, a historia não se repete, mas rima:
  • 1969–1978: Crise do petróleo e estagflação
  • 1979–1984: Reaganomics
  • 1985–1994: Viragem política e boom dos mercados emergentes
  • 1995–2000: Boom da Internet e colapso dos emergentes
  • 2001–2010: Estouro da bolha tecnológica, crise financeira, novo boom emergente
  • 2011–2016: Políticas de juros zero e boom tecnológico nos EUA
  • 2017–2026: Boom/Bust da IA e... Trump (de novo?)

Olhando para o USD/EUR temos claramente a quebra do ultimo ciclo de valorização do Dollar que iniciou em torno do ano 2007 e neste momento uma correção adicional de mais 20% (USD a 0,7 EUR) ou 30% (USD a 0,60 EUR) não parece extraordinariamente absurda, atendendo não só aos fatores técnicos do gráfico que valem o que valem, mas olhando essencialmente a toda a questão das tarifas, das politicas do Trump e atendendo também ao desiquilíbrio externo dos EUA que se tornou insustentável aos níveis atuais.

wAAACH5BAEKAAAALAAAAAABAAEAAAICRAEAOw==




Acreditando que o ciclo se está a repetir... O que requer uma certa dose de fé, mas a teoria não deixa de ser consistente com que está a acontecer até agora. O que se pode esperar?

Historicamente o que tem acontecido é que:
  • Ciclos de subida do USD: melhor desempenho no SP 500
  • Ciclos de queda do USD: melhor desempenho no Ouro e Mercados Emergentes
  • Justificação: Com economia forte nos EUA > entra capital > USD valoriza > bolsas sobem. Quando o USD cai, o ouro sobe, e as dívidas em USD dos emergentes ficam mais fáceis de pagar, as contas dessas empresas melhoram, pelo que tendem a valorizar.

Para os investidores, de muito longo prazo, e com fígados fortes: não muda nada. Os ciclos no longo prazo vão-se sucedendo, os câmbios sobrem e descem, mas tendem a reequilibrar-se. Os próximos tempos serão simplesmente tempos de compras baratas.

Para os outros investidores, europeus, no SP500, ou MSCI World que é cerca de 70% USA, os próximos meses podem ser extremamente desafiantes. Se o SP500 cair até à próxima resistência em torno dos 4500 pontos (onde inverteu nos finais de 21 e onde fez um topo em meados de 23), juntando a queda do índice e do cambio podemos ter facilmente uma queda na casa dos 45%~55% para os ETF's do SP500 em Euros.

Alternativas para navegar a onda, vão desde os ETF's do Ouro, em especial os com edge ao EUR, ETF's dos mercados emergentes e em geral qualquer ETF com edge ao EUR. Para quem quiser algo mais rebuscado há sempre os certificados e ETC's curtos no USD, geralmente com alavancagem e que sobrem X vezes na proporção do que o USD cair (ou vice versa), mas são produtos no geral menos acessíveis e muito mais complexos.


Por outro lado, a partir de 2027 deveremos ter o próximo ciclo de subida do USD, que previsivelmente também trará a recuperação do SP500 e que deverá estender-se até em torno de 2032...


Tudo isto vale o que vale, mas os ciclos repetem-se há 60 anos com uma previsibilidade bastante assinalável.​
 
Last edited:
Cá fico à espera das compras baratas.


Sempre é melhor ler análise de ciclos económicos que teorias da conspiração à volta do ouro.apr:)


Mas só uma pergunta específica.

Porque te focas nos 4500 pontos que são só factor psicológico de um número específico?




Also, sobre a piada anterior e explicando, alguns utilizadores do ZeroEdge e a própria editoria do site andam a dizer há anos e anos para comprar ouro e prata.

Pelo menos no ouro lá vão acertando no longo prazo.


Na prata há quem tenha comprado no pico de 1980 e ainda está a perder, 45 anos depois.
 
4500 é só uma referência por ser a próxima zona de resistência.

A única questão a reforçar é que se for até aos 4500 pontos para os americanos desce 25% desde o topo, mas para um europeu pode descer mais de 50% se o dólar continuar a cair até onde caiu das vezes anteriores.

Obviamente não adivinho os fundos nem topos, caso contrário não estava acordado a esta hora.
 
Tudo isto vale o que vale, mas os ciclos repetem-se há 60 anos com uma previsibilidade bastante assinalável.​


Eu pessoalmente acho que não vale muito, já que 60 anos podem parecer muito tempo, mas em termos estatísticos os eventos não são 60, mas sim 6 ou 7, e é preciso alguma ginástica para que estes ciclos tenham alguma dose de "precisão", se é que se pode falar nisso.

Os anos que limitam o início e o fim de cada um desses supostos ciclos são bastante discutíveis, e nota-se uma boa vontade bastante grande de fazer coincidí-los com aquilo que se pretende mostrar.
 
Um dos problemas é que este ciclo não é económico, é feito nos bastidores da politica, ao contrário dos anteriores. E quando assim é a previsibilidade é zero.
Em condições normais e depois da pandemia há (ou havia) perspetivas e diria condições económicas para este ciclo económico se prolongar nos próximos anos. Sendo que nos EUA em particular a economia estava com uma pujança bem assinalável.
Desvalorizar o dólar aos dias de hoje em termos económicos não é o mesmo que nos anos 2000 e nem sequer tem comparação com o séc passado. Os riscos são incomensuravelmente maiores. Desde logo para as grandes multinacionais americanas que ficam em cheque.
Diria que isto é tudo um mundo novo.
 
Um dos problemas é que este ciclo não é económico, é feito nos bastidores da politica, ao contrário dos anteriores. E quando assim é a previsibilidade é zero.
Em condições normais e depois da pandemia há (ou havia) perspetivas e diria condições económicas para este ciclo económico se prolongar nos próximos anos. Sendo que nos EUA em particular a economia estava com uma pujança bem assinalável.
Desvalorizar o dólar aos dias de hoje em termos económicos não é o mesmo que nos anos 2000 e nem sequer tem comparação com o séc passado. Os riscos são incomensuravelmente maiores. Desde logo para as grandes multinacionais americanas que ficam em cheque.
Diria que isto é tudo um mundo novo.


Estava com a mesma pujança do Portugal do Sócrates. Crescimento com défices totalmente insustentáveis, quer orçamental quer externo.

Só com uma diferença gigante, nós somos pequeninos, pedimos ao FMI e aos parceiros europeus para nos pagarem as contas e eles fizeram esse favor e impuseram uma política de ajustamento forte. Nós estrebuchamos um bocado, mas tivemos de apertar o cinto e seguir em frente.

Nos EUA ninguém externamente tem dinheiro para um bailout, restrições impostas por uma entidade externa à maior potência mundial, obviamente não é possível nem imaginável. E nem sequer é possível eleger um presidente que diga que vai aumentar os impostos e provocar uma recessão e um reajustamento do nível de vida em baixa para se ajustar à realidade. Há ainda o último factor, que é o facto de o MUNDO estar organizado em torno do dólar e não existir nenhuma alternativa credível, pelo que uma implosão do dólar ser um risco brutal para o mundo inteiro.

Se calhar este imposto tarifário que o Trump está a impor aos americanos era mesmo a única solução, não sei... Certamente não gosto do estilo e já no passado foi possível desvalorizar o dólar de forma ordenada (ver p.ex. o Acordo de Plaza) e sem o circo e a disrupção atual. Mas também é verdade que até agora não vi ninguém propor nenhuma alternativa melhor. A solução do Sr. Biden, de fazer de conta que nada se estava a passar é que certamente não era solução nenhuma e ia acabar em desgraça.


Quanto ao resto, como é óbvio, é uma teoria que vale o que vale, mas li e achei interessante. Os ciclos de 16 anos acabam por coincidir com os ciclos de 2 presidentes, porque embora as causas fundamentais das coisas normalmente sejam económicas, muitas vezes o trigger que despoleta as coisas vem da política.
 
A solução é muito simples, é empobrecer... em termos teóricos não tem muito que se lhe diga, claro que a prática é bem mais complicada.
Em todo o caso o que Trump esta a fazer não resolve nada, bem pelo contrário, vai agravar praticamente todos os problemas existentes, provavelmente incluindo a divida.
Só escapa a balança comercial... mas o caos da falta de produtos parece-me é bem mais gravoso que o défice da balança comercial.
Isto tinha que ser um plano a médio e longo prazo, e não uma coisa de 2 ou 3 meses toda atabalhoada. A gestão america neste momento não existe nem numa associação de estudantes daquelas de vão de escada. E por isso não acredito em nenhuma das medidas que vão sendo tomadas. Até porque também quem as toma tem poucas ou nenhumas competências para os cargos, que é outro dos graves problemas desta administração.

De momento vamos ver como os americanos aceitam este circo, em meses vão sentir na carteira e acredito seja bem duro para muitos deles. Basta pensar no que se passou em Portugal. Mesmo que sofram só 20 ou 20% disso já é muito.
Uma grande parte das importações não têm nem terão qualquer substituição americana nem hoje nem nunca, porque é impossível. Naquilo que pode ser substituído, demora anos ou décadas.

Vamos ver o que vai dar, coisa boa não será. E sendo os USA, todo o mundo paga.
 
Há quem chame a esta política económica um "engineered crash", de qualquer forma é errática e vai causar dano a todos nós.
Do que tenho lido, fora a falha pontual de algum produto, os stocks poderão durar até ao fim do verão...
 
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