Fdx não sou capaz de meter um tusto em bonds. Aquele debt to GDP ratio assusta-me :sh)
E as valorizações absolutamente astronómicas dos mercados de ações mundiais, onde absolutamente todos os indicadores de valorização, seja o PER, CAPE, FW PER, PB, PS, Total market vs GDP, etc.. estão a rebentar recordes de muitas décadas e que sinalizam que evidentemente estamos a meio de uma gigante bolha especulativa, não te assustam?
O preço das casas não te assusta?
E o preço do ouro, que em termos reais depois dos grandes picos tende a fazer gigantes travessias do deserto, não te assusta?
E o preço das crypto que está em máximos históricos e já nos habituou a quedas brutais, não te assusta?
Vais investir em quê se não te queres assustar? Nos depósitos bancários? Não te assusta receber 1% de juros, quando a inflação real ainda está bastante descontrolada e com os ativos não transacionaveis a crescer de preços a um ritmo que não andará abaixo dos 5 ou 10% ao ano?
A mim parece-me evidente que ao longo dos próximos tempos vamos ter uma correção e das grandes. Nunca houve valorizações destas que não acabassem num crash da bolsa. E num cenário destes investes em quê sem te assustares?
Olhando para a história das grandes correções, as bonds governamentais dos principais blocos monetários mundiais foram sempre um excelente activo de refúgio. É claro que todas as crises são diferentes, mas quando a própria coesão social estiver em causa, com risco de implosão dos serviços públicos, de desmembramento dos blocos monetários, dos bancos entrarem num dominó de falências e toda a sociedade entrar em colapso, acham mesmo que os governos e bancos centrais vão deixar o mercado das govies entrar em colapso? Não me parece, os governos podem sempre lançar novos impostos e os bancos centrais criar novo dinheiro, vimos como o BCE fez isso durante dez anos a FED, menos tempo, mas fez o mesmo, o BoJ durante décadas, pelo que não é credível a ideia que na próxima crise as bonds governamentais vão entrar em colapso.
Não estou em com isto a dizer que se deve saltar das ações e ir de cabeça para as bonds, nada disso, porque é claro que sendo muito previsível um crash, até isso acontecer podemos andar aqui mais um ano, ou dois, ou cinco e o mercado continuar a valorizar de forma desligada dos resultados das empresas e ainda subir 50%, 100% ou mais e quem estiver de fora perde toda essa valorização. Em 97 havia um ambiente muito parecido com este e quem saltou fora viu o mercado ainda praticamente duplicar de valor até a crise das Dotcom rebentar, e só em meados de 2003, já depois de um enorme bear market os preços caíram até ao nível de 97. Pelo que houve muitas oportunidades para fazer muito melhor do que simplesmente sair fora e esperar.
Agora, não aconselhando soluções radicais, aconselho cautela, é preciso ter consciência que este é um ambiente instável e que pode virar a qualquer momento, pelo que ou fazem uma gestão bastante activa dos investimentos e estão muito atentos a possíveis sinais de venda, como os mercados baixarem das médias móveis de mais longo prazo. Ou então convém adotar um portfólio mais "antifragil", sendo que para isso não é preciso reinventar a roda, um simples portfólio do tipo 60/40, em que sempre que um dos activos de desvia mais de 20% (atenção, digo 20% e não 20 pontos percentuais) da sua alocação central se faz um rebalanceamento para voltar a colocar em 60/40. Assim é possível capturar em larga medida a valorização das ações enquanto ela continuar e ir usando uma parte dessa valorização para fazer crescer a parte de renda fixa, no dia em que o crash aparecer, essa parte de renda fixa vai servir de fundo de maneio para comprar ações quando elas andarem lá no fundo. Reduzem a volatilidade e num cenário em que ocorra um crash ao longo dos próximos 5 anos é quase certo que vão ter valorizações muito superiores a um portfólio 100% de ações.