Percebo o que dizes em ter que vender, porque no fim tudo tem um preço que torna um negocio irrecusável. Mas não tens que vender nada...
Avaliamos os carros e outros objectos apenas pelo valor monetário deles, sem muitas das vezes avaliar o efeito que elas têm em nós, seja na nossa felicidade, sanidade ou harmonia com os outros. As aventuras que tiveste até agora com o jipe vão ficar-te na memória para a vida toda, e o dinheiro vai-se diluir no tempo sem rasto de onde ficou. Comprei o meu por 4350€, já gastei talvez à volta de 2000€ e tal largos (deixei de contabilizar), para fazer tudo o que pretendo ainda tenho que gastar outros 2000€ e não me arrependo nem de um cêntimo, porque as memórias que ficam e as aventuras que passei com a minha mulher e filhos são impagáveis. Os meus filhos vão se recordar do dia em que foram andar de jipe e fizemos piqueniques, ou o jipe não subia aquela colina... [

] E quero chegar a velho e ter histórias e vivências para contar, não dinheiro.
Encontro paralelismo nisto do jipes na venda de casas. A zona onde vivo têm uma grande pressão imobiliária e turística, com casas que custaram 10000€ em 1990 a serem hoje vendidas por 400000€

, e falas com as pessoas que venderam e grande parte está arrependida porque saíram da zona onde sempre viveram, afastando-se de amigos e familiares e o local onde criaram a sua família e grande parte das suas memorias é agora de um francês que demoliu tudo para construir uma casa onde vem uma vez por ano... Para além de que a sobrevalorização do mercado fez com que para terem agora uma casa similar em área e tamanho tenham que largar mais de metade do valor pelo qual venderam a antiga.
@Rools podes usar o jipe em pleno sem que ele desvalorize, 90% dos riscos saem com um polimento, os restantes é pintar se forem assim tão graves, depois também podes escolher os trilhos por onde andas e em último caso voltar para trás. Porque comprar para coleccionar ou para dizer que se teve não... Para coleccionar existe os cromos e os selos.
A questão do mercado não vai durar para sempre, porque goste-se ou não são carros velhos que consomem e poluem muito face aos mais novos, e como tal se tornarão obsoletos quer por via de taxas sobre a posse (IUC) quer sobre o preço dos combustíveis... E no fim o que fica?
Isto é a minha opinião, vale o que vale, vivemos felizmente num país livre onde cada um tem direito à sua e não tem que estar de acordo com os restantes...