Ho André, mas uma coisa é consequência da outra.
Se já partilhaste uma sala de espera de um hospital com esse tipo de pessoa, sabes que é assim.
Tal como com qualquer pessoa que não sofra consequências por determinado tipo de comportamento.
Repara nas elites políticas por ex.
É a mesma relação com a lei/consequência.
Continuo a dizer que discutir estes problemas na base do "quem" é uma manobra de distração onde se acaba a fugir ao essencial.
As experiências pessoais valem o que valem.
Eu, por exemplo, em mais de 10 anos a trabalhar no SNS posso dizer-te que os maiores problemas de violência que tive/vi pessoalmente não foram com ciganos. Mas isso vale o quê? Vale zero, é a minha experiência pessoal e não significa que seja maioritária. Curiosamente foram mesmo com tugas branquinhos que podíamos classificar como o clássico "white trash" ou até com gente supostamente diferenciada e com instrução superior e que acha que chega e tem um tapete vermelho e pode passar à frente de toda a gente porque é conhecida de sicrano e beltrano. Vale o que vale.
O que te posso dizer é que as administrações hospitalares pouco ou nada fazem para proteger os profissionais deste tipo de problemas. Ninguém quer saber e é oficialmente um "não-problema". Quando acontece alguma coisa, tu és a menor das preocupações, o que conta é apenas o que sai cá para fora ou o que a CMTV sabe. E isso diz tudo da postura e modus operandi.
Tudo aliás começa na forma como a arquitectura dos Serviços de Urgência ou zonas de Consulta é (mal) desenhada e que se traduz em gabinetes que são autênticas armadilhas onde se alguém te entra por ali a única saída está do lado deles e ficas "preso". Não há botões de pânico, não há forma rápida (ou discreta!) de pedires ajuda.
Passa pela passividade com a equipa de seguranças está nas urgências (são as indicações que têm, eles não querem problemas) e a completa inexistência de proactividade na gestão de doentes à partida problemáticos (que entram etanolizados ou sob efeito de estupefacientes vários, por exemplo) e que são deixados por ali sem qualquer controlo, à tua responsabilidade.
Eu podia contar-te as histórias das minhas colegas e do medo que têm quando estão às 3 da manhã a ver manfios numa sala com apenas 1 porta, onde o segurança está em parte incerta e onde os auxiliares também se puseram a milhas. Ou como têm que lidar com os engraçadinhos e os machos tugas que espalham pausa nos serviços de urgência.
Mas isso de nada importa.
Porque o que importa é dizer que foi uma cigana que agrediu a médica de Setúbal.
Essa é a preocupação primordial e o combustível das preocupações.
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