O teu raciocínio parece correcto num contexto de ausência de inflação (sem actualizações nas rendas, nem actualização do valor do imóvel ao fim dos 40 anos, e manutenção da taxa de juro inicial).
Agora imagina que o teu raciocínio está de facto correcto, e que pode ser generalizado para toda a gente: vale mais a pena arrendar do que comprar porque arrendando paga-se menos. O resultado disto seria que passava a haver muita gente disposta a ir viver para casa arrendada. Ora, para haver casas disponíveis para tanta gente, os empresários da área do arrendamento teriam que comprar casas. Como é lógico em qualquer investimento de grande monta, não havendo liquidez para pagar tudo a pronto, os empresários teriam que pedir emprestado ao banco. Mas, se os custos de pedir emprestado ao Banco são superiores aos proveitos de arrendar, por que razão haviam os empresários de investir neste negócio? Conclusão: Não havia casas para arrendar. Ora, como haveria muito mais gente a querer ir viver em casa arrendada do que gente a oferecer casas para arrendamento, o preço das rendas teria que subir até se chegar a um ponto de equilíbrio.
Isto tudo para dizer o seguinte: Deixando funcionar o mercado, em situação de equilíbrio, as soluções de comprar vs arrendar equivalem-se. Aos juros do Banco contrapõe-se a margem de lucro do senhorio.
Isto não invalida o teu raciocínio em particular. Mas não podes é generalizar. As contas que apresentas só dão aqueles resultados porque te debruças sobre um caso particular, onde à partida começas com um renda baixa.
Contudo, independentemente de tudo o que atrás foi escrito, concordo contigo na opinião de que arrendar é melhor que comprar. Contudo, as minhas razões são outras completamente diversas: a principal chama-se mobilidade. Um tipo quando compra casa fica automaticamente mais preso a um determinado perímetro em redor da casa, nomeadamente a nível de opções de emprego. Se, pelo contrário viver em casa arrendada tem menos desincentivos em optar pela mobilidade laboral. E a maioria das pessoas nem imagina os efeitos perniciosos que a falta de mobilidade tem infligido à economia do nosso país.
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