Crise !? Satus !? Mais Olhos que Barriga???

As Instituições financeiras concederam o crédito até a mendigos, tal era a fome de lucro e ganância das percentagens...
A pressão dos accionistas, no fecho das contas, era tal que para obterem os milhões de lucros ano após ano faziam de tudo...
Não atirem areia para os olhos...
O PIB mundial cresceu muito à custa da especulação...

Mas pronto o cumpridor, pagador de impostos, que vive dentro das suas possibilidades também tem culpa no cartorio... O malandro...
Quem mandou nascer??? heim???
Realmente, é engraçado o discurso, o sistema cai porque esta baseado em fundos que na realidade são dividas (chama-lhe agora "toxicos") e que fizeram uma data de dinheiro a vender essas "dividas" a outros que pensavam que estavam a fazer um bom negocio e agora que alguns começaram a não pagar essas mesmas "dividas" o baralho de cartas cai, descobre-se a "trafulhice" (para mim é o que é), e para salvar a coisa recorrem-se a fundos dos contribuintes (os tais malandros) para salvar estes que investiram nestas "dividas"...
Agora a culpa é de todos nos... Realmente tem logica [8b]
Não atirem areia para os olhos...
 
Se tinhas que fazer esses esforços todos para ter as coisas que indicas desculpa mas não me parece de todo que tenhas possibilidades para as ter.
Agora o que tu dás a entender é que se tu fores a um banco pedir um crédito para qualquer uma delas (que mais uma vez pareces não ter capacidade ou margem de manobra para comprar), a culpa era do banco e não tua que lá foste pedir os créditos?

Queres que te mostre um recibo de vencimento?
Cada um acredita no que quer, se queres acreditar que alguem que ganhe bem não gosta de viver além daquilo que ganha o problema é teu...
Como disse, eu não me acho culpado pela crise, o que tenho esta tudo pago, o unico crédito é o da casa, e so o pedi ao banco porque não estive para esperar 6 anos para arranjar o dinheiro (sim fiz as contas, em 6 anos conseguia pagar a casa a pronto)...
Se todos os Portugueses fossem como eu, não teriamos todo este endividamento...
Não me privo de nada, divertir, viajar e prefiro isso que andar cheio de luxos e dividas atras... Deito-me com a cabeça leve...
 
Mas se é além do que ganhas...não está dentro das tuas reais possibilidades... Simples?
E assim como eu não sei os teus vencimentos como é que tu sabes os de todos para poderes rotular uma população dessa maneira? [;)]

Ai esta o problema da maioria dos Portugueses...
Ganham por exemplo 2.000€ e pensam, posso pagar 700€ por mês (casa de 150.000€) por uma casa e ainda posso pagar 500€ por mês por um carro (de 20.000€), que ainda me sobra 800€ por mês para as despesas...
Eu penso antes assim, ganho + de 3.000€ por mês (não vou dizer exacatmente quanto) e preciso 20.000€ para um carro, quer dizer que tirando 2.000€ por mês preciso de 10 meses para o pagar, comprendes a diferença de mentalidade, ou é preciso fazer um desenho?
O problema é quem ganha pouco pensa que pode ter muito...
O meu carro actual é de 2001, mas quando me começar a dar dores de cabeça compro outro, pago a pronto...
Porque realmente posso, correcto?
 
Toda a gente comprou créditos de alto risco.
Toda a gente... gente das financeiras, claro...

E depois conversar sobre uma nova ordem económica. [:cool:]

Sim, restam poucas dúvidas que os mercados financeiros nunca mais serão os mesmos. Esta crise vai ficar na história como um ponto de viragem.

A partir de agora, o poder político vai ser cada vez mais importante na regulação dos mercados financeiros. A ideia neoliberal de auto-regulação morreu e vai dar lugar a um estado cada vez mais interventor.

E ainda bem... pois já vimos que a ganância desenfreada leva a comportamentos de alto risco por parte dos mercados financeiros, comportamentos esses completamente irresponsáveis.
 
Agora que está crise apanha milhões de pessoas que não têm nada a ver com o problema (imagina as pessoas com PPR de toda uma vida que de um dia para o outro capuf, ou verem os seus depositos, propriedades irem por ai abaixo).

Tens toda a razão... Isso é que é preocupante, mas como alguns dizem, esses tambem tem culpa (ainda não percebi qual)
 
E fazes bem. O problema é como sempre quando se entra nas generalizações.
Se eu te disser que acabei de fazer um crédito o que dirias da minha pessoa e da maneira como giro a minhas economias? [;)]
E o problema está longe de ser dos Portugueses como pintas, julgas que a crise do subprime veio do que?
E não precisas de fazer nenhum desenho desde que te expliques em condições e haja uma minima abertura para tentar ler o que os outros te dizem [;)]

Sei que a questão não é so Portuguesa (antes fosse) os mais endividados são os Americanos...
Também escusavas de estar a duvidar do que posso ou não...
Mas como diria a Teresa Guilherme, isso agora não interessa nada, o maior problema não é pedir dinheiro (como tu e eu fizemos), a questão é pedir para aquilo que não precisamos, pedir para ter o que não podemos ter...
Basear toda uma economia em crédito em ver de na produção real...
A balança fica desnivelada, reparem neste artigo escrito em Março do ano passado:

http://www.bresserpereira.org.br/view.asp?cod=2278

"O problema real está nas contas externas dos Estados Unidos; está no enorme aumento de liquidez, medido pelas reservas globais, que reduz as taxas de juros e leva o mercado financeiro a se tornar mais competitivo e freneticamente especulativo. Esse aumento da liquidez internacional, por sua vez, decorre do brutal aumento da dívida externa americana líquida, que deixa os mercados crescentemente inseguros. (...) Enquanto as exportações globais aumentaram 150% de 1998 para 2007, a liquidez internacional aumentou 233%, principalmente porque a dívida externa americana aumentou 383% nesse período. Esses números mostram como a liquidez internacional cresceu muito mais do que o aumento das exportações exigiria e mostram a origem dessa elevação da liquidez: o aumento da dívida americana. "
 
Também estás a ser injusto, a coisa não é de um dia para o outro e mesmo quem assinou o tal plano indica que o mesmo é mais um penso que um cirurgia ;)

Diria mais que é um penso pequenino que não para a hemorragia...

"Enquanto as exportações globais aumentaram 150% de 1998 para 2007, a liquidez internacional aumentou 233%, principalmente porque a dívida externa americana aumentou 383% nesse período."

Quanto mais dinheiro "fabricarem" para tapar o buraco, menos o dolar ira valer e a divida vai aumentar...
Este plano em vez de resolver vem piorar o REAL problema...
 
Nope. A culpa é NOSSA.
Nem por isso (apesar de tb o ser).

O recurso ao credito verifica-se maioritariamente em países assimétricos ou (como no nosso caso) rodeados por países desenvolvidos.

Vemos isso acontecer principalmente nos EUA, que talvez seja um melhor exemplo, onde há uma maior desigualdade entre os muito ricos e os pobres.


Toda a sociedade está em "sobreaquecimento": todos exigimos o melhor produto ao mais baixo preço, a melhor rentabilidade para as nossas poupanças, o melhor retorno para o nosso investimento.

Compramos carros, casas, electrodomésticos, férias, temos um nível de vida material cada vez melhor e se formos analisar a evolução salarial da generalidade da população, os salários reais caíram nos últimos 20 anos!
Há outras formas de garantir "o melhor produto ao mais baixo preço" sem vencimentos a cair.

O problema (ao nível das classes médias) é exactamente os vencimentos não acompanharem o aumento de quantidade e qualidade dos produtos, e nem sequer estou a falar de Portugal.

As bolsas andaram sobreaquecidas com o dinheiro dos nossos fundos de pensões, com o dinheiro do povo que sem perceber nada foi atrás das melhores rentabilidades ao menor esforço.

Este excesso de liquidez nos mercados e a cada vez maior exigência dos clientes pressurizaram as empresas em geral para produzir cada vez melhor ao menor preço - com um imapcto profundo nos níveis salariais e no desemprego, através da procura de mercados de oferta de trabalho cada vez mais baratos.
Bem na realidade não é assim, estas a confundir liquidez de mercado com liquidez das pessoas comuns e estas ultimas não jogam na bolsa.

Na realidade, só mesmo a alta classe media e os muito ricos o fazem, pois são os únicos que se podem dar ao luxo de lidar com a instabilidade bolsista (investir em fundos de investimento não é investir na bolsa [;)]).

A tecnologia democratizou-se - felizmente! - e permitiu a redução drástica dos custos de produção e a fácil diluição dos custos de I&D (dando corpo à famosa Lei de Moore) e toda a industria elevou os padrões de produtividade e de rentabilidade das suas operações.

Os generalizados retornos financeiros contribuíram para um ciclo de crescimento global que está hoje a permitir que países subdesenvolvidos passem por uma crise como esta sem as costumeiras crises políticas que assolavam a América Latina de cada vez que o Presidente dos EUA tossia.
Isso devia ter sido assim, mas a globalização teve a sua influencia nesta questão e muito poucas empresas, mesmo nos países mais ricos, investiram em tecnologia, quando saía mais barato deslocalizar a produção.

Isto gerou um aumento da procura de créditos principalmente nos países mais afectados onde o desemprego disparou, mas a oferta de créditos não teve o bom senso suficiente para o perceber principalmente onde o capitalismo selvagem liberal tem mais expressão.

Mas paradoxalmente, esta pressão sobre os mercados tem origem no cidadão comum - enquanto consumidor e enquanto investidor.
Enquanto consumidor, pelo já explicado.
Enquanto investidor, porque todos nós temos as nossas poupanças - mesmo aqueles que pensam nada ter, têm: o Estado, a Seg. Social e o Tesouro.
Curiosamente, o rastilho desta crise, foi acesso, não nos países onde o estado redistribui os impostos a quem os paga desta forma...


Os fundos imensos provenientes dos planos de reforma de todos os países desenvolvidos (o welfare state na verdadeira acepção da palavra), inundaram os mercados financeiros pressurizando-os.
A necessidade de rentabilizar aqueles fundos, mesmo que depositados em aplicações seguras, potenciaram aplicações sucessivas desenvolvendo simultâneamente produtos de engenharia financeira sofisticadíssima.
...mas nos países onde o estado não devolve desta forma os impostos pagos.

E foi exactamente esta procura de rentabilidade e a ausência de um estado social que o precipitou.

O sistema capitalista vive montado num castelo insuflável que de vez em quando tem que despressurizar para ganhar novo fôlego - é feito de confiança no sistema, sistema que é composto por cada um de nós.

E embora com correcções marginais, o sistema vai continuar a evoluir no mesmo sentido. [;)]
Exacto, mas a principal questão é que o sistema capitalista é apenas como as escolas em Portugal, foi criado nos alvores da revolução industrial com dois objectivos, recrutar mão de obra barata e consumidores para o que essa mão de obra produzia e no processo enriquecer ainda mais os mais ricos.

A coisa não correu exactamente como se esperava, as massas vendo algo mais do que o bucólico campo e as vidas de quem nada fazia depressa abriu os olhos.

Resumindo, o capitalismo é um barracão de contraplacado e telhas de fibrocimento impregnado de amianto, onde chove e não há aquecimento, mas é suportado pelos outros blocos iguais e alguns barrotes podres.

Provisório mas em uso e defendido pelo ministério da educação como estando em excelente forma.
 
Última edição:
Nem por isso (apesar de tb o ser)..

Então? Somos ou não somos? [:D]

O recurso ao credito verifica-se maioritariamente em países assimétricos ou (como no nosso caso) rodeados por países desenvolvidos.

Vemos isso acontecer principalmente nos EUA, que talvez seja um melhor exemplo, onde há uma maior desigualdade entre os muito ricos e os pobres. .

Um país assimétrico é um país com mais ricos que pobres?
Os EUA têm uma classe média fortíssima - são esses que recorrem ao crédito ao consumo.
Os pobres não têm acesso ao crédito.
Os ricos recorrem ao crédito como instrumento de rentabilização do seu património - geralmente operações colaterizadas com activos e a taxas escandalosamente baixas, que permitem ganhar o banco e o cliente ao mesmo tempo.
Aliás, se o "povo" tivesse conhecimento do que se passou no private banking no tempo das "vacas gordas", faziam um motim. [:D]


Há outras formas de garantir "o melhor produto ao mais baixo preço" sem vencimentos a cair.

O problema (ao nível das classes médias) é exactamente os vencimentos não acompanharem o aumento de quantidade e qualidade dos produtos, e nem sequer estou a falar de Portugal.

Que formas existem de garantir "o melhor produto ao mais baixo preço"?
Já se fazem omoletes sem ovos?
Se estás a oferecer limões a metade do preço, alguém ficou a arder - achas que foi o grande retalhista ou o pequeno produtor? Ou este (que ficou com os limões na árvore) e o amazonas que recebeu arroz em troca e ficou todo contente?

Bem na realidade não é assim, estas a confundir liquidez de mercado com liquidez das pessoas comuns e estas ultimas não jogam na bolsa.

Na realidade, só mesmo a alta classe media e os muito ricos o fazem, pois são os únicos que se podem dar ao luxo de lidar com a instabilidade bolsista (investir em fundos de investimento não é investir na bolsa [;)]).
.

Alto e pára o baile! [:D]
Então os fundos de investimento são compostos por quê?

Tu podes não "jogar" na bolsa, mas quando subscreves um fundo de investimento ao balcão do banco estás a comprar partes de acções e/ou obrigações.
A única diferença é que por cada 1€ que investes, divide-lo por n acções de poucos cêntimos fazendo com que o risco fique diluído - se uma das empresas do cabaz "rebentar", só perdes a parte dos cêntimos que a gestora do fundo investiu nessa acção/obrigação.

É a mesma coisa que comprar um carro com ABS e ESP em vez de um carro com travões de tambor - quando é para estoirar, estoira na mesma, apenas mais devagar. [;)]


Curiosamente, o rastilho desta crise, foi acesso, não nos países onde o estado redistribui os impostos a quem os paga desta forma...

...mas nos países onde o estado não devolve desta forma os impostos pagos.

E foi exactamente esta procura de rentabilidade e a ausência de um estado social que o precipitou..

Uma coisa é a procura de crédito que originou a crise, outra coisa são os efeitos da mesma.
O sistema é muito complexo - é certo que o rastinho foram os créditos hipotecários nos EUA, mas os efeitos são generalizados.
E se calhar até mais nefastos nos países aforradores que compraram esses créditos, como é o caso da Suiça ou países nórdicos.
E no caso da Suiça - que sempre foi a reserva ocidental - Martin Wolf já veio dizer que mesmo que o Estado suiço queira salvar a UBS, não tem capacidade para tal.


Exacto, mas a principal questão é que o sistema capitalista é apenas como as escolas em Portugal, foi criado nos alvores da revolução industrial com dois objectivos, recrutar mão de obra barata e consumidores para o que essa mão de obra produzia e no processo enriquecer ainda mais os mais ricos.

A coisa não correu exactamente como se esperava, as massas vendo algo mais do que o bucólico campo e as vidas de quem nada fazia depressa abriu os olhos.

Resumindo, o capitalismo é um barracão de contraplacado e telhas de fibrocimento impregnado de amianto, onde chove e não há aquecimento, mas é suportado pelos outros blocos iguais e alguns barrotes podres.

Provisório mas em uso e defendido pelo ministério da educação como estando em excelente forma.

O sistema capitalista não tem alternativa viável.
Nenhum outro sistema garante o bem-estar à população que este proporciona, por muitas crises que aí venham.

A queda do muro de Berlim provou-o: o Estado-providência, que é o bastião da Europa social, só é viável numa economia de mercado.
De outra forma, viveríamos numa URSS.
 
Última edição:
Esta crise é um pontapé no traseiro de todo o sistema financeiro.
Esperemos que sirva de lição e que não voltem a cometer as mesmas asneiras novamente.
O pior de tudo é que o vulgo cidadão é que mais vai sofrer com esta crise, pois alem de ser o mais penalizado terá ainda de a sustentar com o seu trabalho e os seus impostos.

Um normal cidadão terá de pagar com os seus impostos vários milhares de euros/dolares para evitar que alguns banco vão á falência.
Os mesmos bancos que no dia seguinte lhe penhoram a casa e o metem a dormir na rua caso não pague as suas dividas a tempo e horas.
 
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