Já vai um bocado longo e confuso, mas só para estabelecer umas bases:
. o pessoal compra aquilo que quer e ninguém tem nada com isso
. não invalida que aquilo que compraram seja passivel de ser criticado, seja positivamente ou negativamente
. o problema do Duster não é a ausência de mariquisses. Acho que até é das suas maiores virtudes. Os carros têm tralha a mais, é um facto.
. o Duster tem atributos estéticos muito bons, é sem dúvida um dos melhores desenhos a terem saído em 2010. Isso não implica que o carro seja melhor, ou que tenha até bom design, ou que seja um produto bem concebido. Significa apenas que tem umas linhas atractivas, nada mais. Mas isto trata-se de um problema tranversal à indústria, não tem nada a ver com low cost.
. o problema do Duster, assim como o Logan e Sandero, é a nivel projectual. Ou seja, as consequências de atingir um certo preço de mercado, cortando em questões essenciais.
Os 3 partilham a mesma plataforma, que por sua vez deriva da usada no Clio 3/Micra, mas é injustificável ter perdido capacidades ao nivel de segurança passiva.
Da mesma forma que se critica o ultra low cost Nano indiano (apesar de ser um exercicio de engenharia diametralmente oposto ao dos Dacia) por ser apenas uma carroçaria com motor, não tendo nem sequer um airbagzito no mercado doméstico, também temos de criticar o retrocesso dos modelos da Dacia nesse campo, para justificar um preço de aquisição inferior.
Low cost não pode estar associado a mediocridade.
Reinvenção de processos podem nos dar carros mais baratos de adquirir sem perder nada no que toca a niveis de segurança, qualidade ou conforto comparativamente ao que temos agora.
Se pegamos no modo de fazer coisas actual e queremos criar algo mais acessivel, o resultado, obviamente, nunca seria famoso, já que são mesmo obrigados a cortar em aspectos que fazem dos nossos carros aquilo que são hoje em dia.
E essa é a estratégia mais fácil e economicista de criar veiculos low-cost, apesar de engenheiros e designers já terem apresentado propostas viáveis de alternativas low-cost, com custos de produção bastante inferiores, e sem perderem nada para os carros que temos actualmente.
É por isso que critico a Dacia e a estratégia da Renault para a mesma. Apesar do sucesso comercial, não podemos começar a baixar o nivel, porque como se vê, isto tem carácter viral.
Já outros constutores ponderam a hipotese de ter modelos ou marcas low-cost, usando como standard o que se fazia nos anos 90, ou quanto muito coisas com uma geração de intervalo. Mas agora andamos para trás?