A saída do Schumacher é algo que acaba por ser natural em virtude das circunstâncias actuais do plantel e do momento da sua carreira. Acho que nunca deveria ter regressado pois não tinha nada a provar e como saiu em alta, quase sempre um regresso significa sair "menos em alta". Mas lá que teve coragem, lá isso teve.
Nunca fui um apreciador do dito, muito por culpa da sua postura. Jamais o acharei o melhor de todos. É um piloto fantástico mas não está, para mim, no grupo de elite. Os números são fantásticos (os melhores) muito por via de ter corrido anos quase sem concorrência ao seu nível. Quando se cruzou com um Villeneuve, um Hakkinen e um Alonso ao seu melhor nível, perdeu a batalha com estes. Apanhou ali o fim de uma geração e depois uma fase em que a qualidade e quantidade não abundava.
Há um mérito que lhe dou de caras nesse período e esse é o ter sido a face visível e força motivadora e aglutinadora da Scuderia, que culminou talvez na fase mais dominadora da história desta mítica equipa e que tantos títulos conquistou. Para a Ferrari e para ele.
Mas jamais me esquecerei de muitos momentos em que o seu mau feitio (e não confundir com competitividade) veio ao cima. O Villeneuve que o diga, quando o Schumi percebeu que o canadiano estava por cima em Jerez de La Frontera (97) e atirou - literalmente - com o carro para cima do canadiano. Lixou-se, pois ficou na escapatória e o Williams lá seguiu. Ou como na disputa do título com o Hill, vendo que este estava mais rápido (Austrália 94 se não me engano), "meteu" o carro de forma a colidirem. E lá ficou o Hil com a suspensão traseira direita nas couves, acabando ali a luta. E podia continuar como "n" episódios com o Coulthard, etc, etc.
Também nunca lhe perdoei, aquando do fatídico acidente do Senna, os comentários dele acerca desse mesmo acidente, dizendo que teria sido um erro do brasileiro e que a ele isso não aconteceria. Na altura nenhum piloto sequer aventou essa hipótese perante o dramatismo de tudo, mas ele, muito seguro de si mesmo, atirou com esta. Depois retratou-se.
Já o seu regresso teve o condão de aumentar o respeito que tenho por ele. O seu talento é imenso mas a suas capacidades humanas sempre foram um ponto fraco, factor este que ele emendou neste regresso. Voltou descontraído, afável, com aquele ar de que sabe muito daquilo e que vinha para se divertir. E penso que ele conseguiu isso. Já não tem a rapidez de outros tempos mas continua bem rápido. Além disso, em termos de domínio técnico e pormenorizado da mecânica, é capaz de ser o melhor piloto em actividade, fruto da experiência e da sua sensibilidade técnica. Sempre esmiuçou tudo ao pormenor e assim há-de ser até ao último quilómetro da sua última prova.
Outra coisa que sempre associarei é a sua capacidade física. Simplesmente impressionante. Até hoje não me lembro de ver um piloto tão bem fisicamente, sempre num aprumo de forma impressionante. Quantas corridas não vi em que todos acabavam esbaforidos, com ar de quem não podia com um gato pelo rabo e lá vinha o Schumacher, com o cabelo praticamente seco, com um ar de quem tinha vindo de uma sala com AC[

].
Para terminar, penso que a perda de rapidez se nota mas é algo normal. O que terá "prejudicado" mais a sua performance pessoal terá sido aquela lesão grave no pescoço que sofreu numa corrida de motos, quando andou com aquela mania que queria ir por essa via. Regressou à F1 depois disso mas muito se especulou acerca do desconforto que isso lhe causaria.
Claro que a saída dele fica também manchada com as temporadas fraquíssimas da Mercedes. Mas não foi por culpa dele. Errou aqui e ali mas também nunca teve um monolugar competitivo para se bater pelos melhores lugares.
Agora vai curtir uma reforma super, hiper dourada!
PS: Para mim, o melhor de sempre, abandonou a F1 no dia 1 de Maio de 1994.